Uma semana tem 168 horas exatas, e os contratos de trabalho do britânico Kashim Chowdhury, de 55 anos, chegaram a exigir 183 horas semanais, segundo a acusação apresentada ao Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres. O servidor responde a nove acusações de fraude por supostamente esconder empregos simultâneos em órgãos públicos.
A promotoria afirma que Chowdhury recebeu 349.378 libras de oito empregadores entre fevereiro de 2020 e setembro de 2023. No auge desse período, ele teria mantido cinco funções em tempo integral ao mesmo tempo. Portanto, os oito vínculos citados no processo não correspondem a oito empregos simultâneos.
Chowdhury nega ter agido de forma desonesta. Em depoimento, reconheceu erros nas informações que forneceu aos empregadores, mas afirmou que enfrentava sofrimento psicológico e temia perder sua fonte de renda.
Trabalho remoto está no centro da acusação
Segundo a promotoria, o servidor aproveitou o trabalho a distância para manter contratos sobrepostos sem informar adequadamente os empregadores. Além disso, teria apresentado atestados médicos a alguns órgãos enquanto continuava trabalhando para outros.
Entre as instituições estavam o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais, conhecido como Defra, o Ministério do Interior e a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido.
Conforme a cobertura do julgamento, a acusação sustenta que os órgãos não o teriam contratado se soubessem dos demais compromissos. O réu, por sua vez, declarou que alguns gestores conheciam seus outros trabalhos.
Chefias relatam problemas nas entregas
Durante as audiências, gestores descreveram atrasos e dificuldades no cumprimento de tarefas. Uma supervisora da Agência de Segurança Sanitária relatou que recebeu um documento incompleto, com trechos copiados de outros materiais do programa.
Segundo o depoimento, ela e uma colega precisaram trabalhar no fim de semana para corrigir o relatório. A supervisora também afirmou que Chowdhury raramente ligava a câmera nas reuniões e não atendia às chamadas dos colegas.
A defesa contesta as acusações de fraude. Ao explicar sua rotina, o servidor disse que o trabalho representava uma forma de enfrentar os problemas pessoais e manter contato com outras pessoas.
Réu nega maquiagem para simular doença
Outro episódio polêmico discutido no tribunal envolve uma reunião virtual em maio de 2023. A acusação afirma que Chowdhury usou maquiagem branca para aparentar estar doente.
O servidor negou essa versão em depoimento. Disse que estava resfriado e rejeitou a alegação de que teria exagerado tosses ou outros sintomas durante a conversa.
Chowdhury também declarou que recebeu diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático em 2015 e que voltou a apresentar sintomas em 2021. Segundo ele, a piora da saúde da mãe e a insegurança profissional afetaram suas decisões.
O julgamento até então, continuava sem veredito.






