Super El Niño pode reduzir produtividade do arroz em mais de 7% e aumentar custos para a indústria

Fenômeno deve intensificar as chuvas na primavera e no verão, favorecendo doenças nas lavouras e prejudicando o desenvolvimento do grão

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El Niño deve aumentar o volume de chuvas em SC e preocupa produtores de arroz pelos riscos à produtividade e à qualidade dos grãos (Foto: SindArroz-SC, Reprodução)

A atuação do El Niño, classificado como muito forte, acende um alerta para a produção de arroz em Santa Catarina. A previsão de chuvas acima da média entre outubro e dezembro pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras, favorecer doenças e reduzir a produtividade na safra 2026/2027. Os efeitos também preocupam a indústria, que pode ter custos maiores no beneficiamento do grão devido à perda de qualidade da matéria-prima.

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De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Ciram), o trimestre deve registrar volumes de chuva acima da média, com possibilidade de temporais, raios, granizo e vendavais. O cenário exige atenção dos produtores, principalmente em relação ao manejo das áreas cultivadas.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), Walmir Rampinelli, os impactos podem atingir toda a cadeia produtiva. Quando os grãos chegam danificados à indústria, é necessário intensificar a seleção para garantir a qualidade do produto final.

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“Quando recebemos um arroz com maior quantidade de grãos danificados, a indústria precisa intensificar o processo de seleção para garantir a qualidade do produto que chega ao consumidor. Isso representa um custo maior de beneficiamento e uma perda no rendimento, já que parte dos grãos precisa ser descartada”, afirma.

Veja como é o cultivo de arroz em Navegantes

Safra de arroz deve ter queda de 7,3% na produtividade

As projeções da Epagri/Cepa indicam redução de 7,3% na produtividade média do arroz em Santa Catarina na safra 2026/2027, em comparação com o ciclo anterior. Apesar de a área plantada permanecer estável, a estimativa aponta queda na quantidade produzida.

Segundo o engenheiro agrônomo Douglas George de Oliveira, especialista em arroz irrigado da Epagri, o excesso de chuva pode prejudicar o crescimento das plantas e, em algumas situações, provocar inundações nas áreas de cultivo. A sequência de dias nublados também reduz a incidência de radiação solar, essencial para o desenvolvimento da cultura.

Parte dos prejuízos na fase inicial ainda pode ser recuperada. No entanto, se a instabilidade persistir até janeiro, quando ocorre a floração do arroz, os danos podem ser mais expressivos.

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A combinação de chuva frequente, temperaturas elevadas e umidade favorece o surgimento de doenças nas plantas. O excesso de água também pode dificultar o acesso dos produtores às lavouras para a aplicação de defensivos agrícolas, comprometendo o controle de pragas e doenças.

Diante das condições previstas, Oliveira recomenda cautela no planejamento dos investimentos para a safra.

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“O produtor tem que projetar sua lavoura para uma expectativa de produção não tão alta quanto a do ano passado, não adianta fazer os mesmos investimentos e esperar colher o mesmo, pois dificilmente deve se concretizar. O produtor tem que ter em mente que não consegue compensar o problema climático aplicando mais insumos, como o adubo”, aconselha.

Excesso de chuva favorece doenças no arroz

Entre os riscos está o aumento de doenças fúngicas, como a mancha-parda e a mancha-de-grãos, que podem comprometer o desenvolvimento das plantas e a qualidade do produto colhido. A umidade elevada, as temperaturas mais altas e a baixa incidência de radiação solar favorecem essas condições.

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O doutor em agrometeorologia da Epagri, Márcio Sônego, afirma que o El Niño deve persistir até maio de 2027. Além dos episódios de temporais, o período prolongado de umidade pode afetar as lavouras.

“O El Niño tem risco maior de temporais com ventania e granizo, o que pode causar danos pontuais, localizados. O maior dano é o excesso de chuva com umidade, mais manchas de colmo, que faz o arroz cair com os vendavais, e o menor índice de radiação solar”, explica.

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A primavera já costuma registrar mais chuva e menor incidência de radiação solar em Santa Catarina. Neste ano, a previsão exige atenção redobrada, especialmente entre novembro e dezembro, quando os volumes podem ficar acima da média.