Após 60 dias no comando da multinacional Tupy, Harro Burmann, CEO da empresa, contou como foi o “giro” que fez por todas as unidades. Um dos problemas encontrados foi a falta de mão de obra na fábrica de Joinville, no Norte catarinense, onde a solução ocorre a partir da automação da produção.
O engenheiro mecânico falou diretamente com acionistas, clientes e parceiros no podcast Tupy3 Comenta, publicado na última quinta-feira (6). Logo que assumiu, em 1º de junho, Burmann destacou que a sua chegada representava “aceleração para a execução de estratégias” e não uma ruptura com o trabalho executado anteriormente.
Veja fotos de Harro Burmann, CEO da Tupy
Como foi conhecer as unidades da marca ao redor do mundo
Uma das primeiras ações do CEO foi conhecer de perto todas as unidades da Tupy, instaladas no Brasil e em países da Europa e América do Norte. Durante o processo, priorizou a conversa com os trabalhadores do “chão de fábrica”.
“A gente ia ouvir atentamente essas pessoas que conhecem bem o que a gente faz (…). Eu também conheci uma Tupy que pouco se fala, uma Tupy que eu descobri, porque eu não conhecia, e achei muito interessante”, afirmou no podcast.
Um dos destaques apontados pelo CEO é o quadro de trabalhadores da companhia em Jundiaí, em São Paulo, que é composta em quase 50% por mulheres. “Eu ainda não tinha visto em uma fábrica assim ou em um centro de distribuição. A outra coisa é que é um time jovem. Então, as duas coisas que a gente fala, essa dificuldade de capturar talentos, a gente tem conseguido lá. Muito motivados, fazendo ganhos de produtividade”, diz.
Ainda, Burmann visitou as fábricas de outros países e destacou a modernidade nas operações. “Minha visão para Tupy do futuro eu vi ali nas linhas de usinagem automatizadas”, conta.
“Caí no mundo das fundições”: CEO encontra solução para problema encontrado em Joinville
Enquanto algumas das unidades da Tupy chamam atenção pela automação, como é o caso de São Paulo e do México, Burmann destacou que a maior cidade de SC tem uma das operações mais grandiosas da marca, mas ainda enfrenta obstáculos. “Caí no mundo das fundições. Joinville impressiona só pelo pela chegada, pelo tamanho e imponência”, afirmou.
Segundo o CEO, a “maior dor” de Joinville é a falta de mão de obra. Em ações anteriores, a multinacional realizou campanhas em outros estados, como o Pará, com o objetivo de captar trabalhadores para atuar na fábrica catarinense. Equipes já planejam uma virada neste cenário.
“O pessoal já está trabalhando para que isso não seja mais o nosso problema do futuro. A gente desenvolveu com o nosso pessoal um projeto de automação da parte de acabamento [em Joinville], que se chama uma esmerilhadora automática. Eu vi duas trabalhando e isso tira uma condição insegura, melhora a qualidade e melhora muito a produtividade”, contou no podcast.
Ainda, Burmann reconheceu que cargos na operação da fundição são mais escassos em mão de obra por conta da dificuldade imposta pelo ambiente. “Nessas posições [dentro da fundição], o pessoal hoje já não tem tanta paixão por trabalhar. (…) É um ambiente mais agressivo, onde tem que virar e tombar o motor em uma linha, coisa que eu vi e não é fácil trabalhar lá”, disse.
Segundo o CEO Harro Burmann, soluções já estão sendo aplicadas rapidamente.
Tupy anuncia resultado líquido com prejuízo de R$ 11 milhões
A Tupy publicou, na última semana, os resultados do segundo trimestre deste ano da companhia. A empresa, fundada em Joinville, anunciou uma receita líquida de R$ 2,5 bilhões. Entretanto, também foi registrado um prejuízo de R$ 11 milhões, conforme comunicado.
Em relação à receita líquida, a companhia informou que houve uma queda de -6% se comparado ao mesmo período do ano anterior, que foi de R$ 2,6 bilhões. Ainda assim, a Tupy informou que o desempenho refletiu a apreciação média do real frente ao dólar, de +11% e a retração do mercado interno, parcialmente mitigados pelo crescimento das aplicações em veículos comerciais no mercado externo.
As receitas também aumentaram 7% na comparação com o trimestre anterior, “refletindo recuperação dos volumes de vendas no mercado externo e ganhos de participação de mercado no segmento de Componentes Estruturais, decorrentes do início de novos projetos e retomada de programas”, citou a Tupy no comunicado.
A empresa ainda ressaltou que segundo trimestre de 2026 foi marcado por uma melhora sequencial dos resultados em relação aos últimos trimestres. Embora o desempenho ainda tenha permanecido abaixo do observado no mesmo período do ano anterior, a recuperação dos volumes e os avanços das iniciativas de otimização de capacidade e eficiência operacional contribuíram para a evolução dos indicadores financeiros e operacionais e reforçaram a disciplina na execução da estratégia.
O comunicado também informou que o resultado líquido registrou um prejuízo de R$ 11 milhões decorrente do desempenho operacional.




