Após reunir cerca de 60 mil pessoas no Estádio do Palmeiras, em São Paulo, no dia 25 de setembro, Jão anunciou as novas datas da Turnê Memórias Póstumas. O novo show de Jão traz uma proposta teatral ao seu récem-lançado álbum, o Memórias Póstumas, e conta com a participação de Isabel Teixeira, a Pilar de Quem Ama Cuida.
Na apresentação, a atriz entra em cena na transição entre os cinco blocos que dividem o espetáculo. Os momentos teatrais se intercalam com as músicas de Jão. Os monólogos da atriz vão de citações ao texto Estrela da Manhã, de Manuel Bandeira, até a reintrodução de lobos cinzentos no Parque Nacional de Yellowstone, em janeiro de 1995, que iniciou uma das maiores restaurações ecológicas da história moderna.
A participação de Isabel Teixeira no show de Jão é seguida de diversas declarações entre o cantor e a atriz. Desde o lançamento do quinto álbum, o artista recebeu diversos elogios de Isabel, que até o chamou de poeta em uma coletiva de imprensa.
“Andava tão cansada esses dias e estou ouvindo muito um disco em específico, Memórias Póstumas. Boto meus fones e viajo. Viajo na palavra desse músico. É tão bom, e eu falo: ‘Nossa, eu tô viva’. É uma obra-prima. Esse menino é um poeta maior, um bardo, um músico da palavra. Eu tenho escutado e tem feito meu coração bater. Parece bobagem, mas é o que eu desejo com o meu trabalho: que você se divirta, dê risada, se emocione”, disse a atriz em entrevista ao portal Oh My Geek.
Além disso, ela também elogiou Jão em um recado enviado ao Mais Você, em 11 de setembro de 2026, quando o cantor marçou presença no programa de Ana Maria Braga. Na ocasião, Jão declarou que ama Isabel Teixeira e é apaixonado pelo trabalho da atriz.
A primeira interação pública entre Jão e Isabel Teixeira aconteceu em fevereiro de 2025, quando o cantor e sua equipe foram ao Teatro Tucarena, em São Paulo, para assistir à peça Jandira – Em Busca do Bonde Perdido, estrelada por Isabel.
Monólogo de Isabel Teixeira na turnê de Jão cita Estrela da Manhã, de Manuel Bandeira
A Turnê Memórias Póstumas começa com a banda de Jão criando uma tensão para a entrada da Morte, interpretada por Isabel Teixeira. Quando entra em cena, a atriz faz um monólogo sobre a morte ser ética e esperar o momento certo para “levar as pessoas”.
Que que foi? Vocês estavam esperando uma outra pessoa? (Público responde: sim). Problema é de vocês, porque eu não sou de me anunciar. Mas eu sinto que, a essa hora, ele já tinha que ter aparecido. O ser humano inventa as horas para esconder sua natureza, e depois ele mesmo desinventa. Vocês vivem travando lutas contra vocês mesmos e depois chamam isso de modernidade. Eu acho tão bonitinho… Bons eram os tempos selvagens. Tudo o que se dizia sem dizer, só porque a natureza obrigava: sexo, a caça, a fome… Homens e mulheres se matavam uns aos outros antes de completar 30 anos — tão bonitos ainda, jovens. E eu arrasava: mortes com sangue, com fogo, com glória.
Mas aí um indivíduo primitivo, num dia como outro qualquer, acordou inspirado e criou a palavra. Maldito, desnecessário. O ser humano inventou de dar nome às coisas e depois foi inventando também as coisas que as palavras eram: a esperança, o amor, a solidão. E depois, depois surgiram as multidões de palavras: os versos, as histórias, os poemas, a música. Desde que a arte existe, o ser humano precisa morrer cada vez menos; não precisa mais caminhar na beira do abismo pra sentir alguma coisa. Milhares de emoções que antes exigiam um corpo agora estão disponíveis no quadro, no livro, na tela, no gesto, no som… aqui, na decodificação de um código pelo olho.
E agora, hein? E agora? Agora vocês discutem, rezam, sonham. E eu espero, aqui. Espero cada vez mais, para que no fim vocês morram feios. Quase, quase posso tocar nele. Eu estou aqui, à espreita. Dou voltas na casa, fumo um cigarro, sento na praça. Paciência é uma virtude. Eu tenho a eternidade pela frente. Mas mesmo em cabeças como a minha, às vezes, em uma ou outra, bate uma ansiedade. Eu acho ele bonito, jovem. Eu queria levar ele comigo agora. Eu ia oferecer uma taça de vinho, colocar ele sentado ali no piano da minha casa e pedir pra ele cantar pra mim enquanto eu lavo a louça.
Não! Não, eu sou ética… Por mais que eu odeie a espera, eu não faria isso com quem não me dá motivos. Mas ele… ele me encara de frente, no fundo dos olhos. Ele me procura. Me chama! Eu finjo que não ligo, mas ele insiste, ele pirraça, me faz vir aqui, dia após dia, para esperar. Ele atravessa no meio dos carros. Ele sobe em lugares altos e fica olhando lá para baixo. Ele me provoca. Eu… Eu quase cedo às vontades dele, que deixariam a minha eternidade menos monótona, mas não. Eu sou ética. Paciência é a minha virtude. Dou voltas na casa, fumo um cigarro, sento na praça. Eu espero. Eu espero. Eu te espero, estrela da manhã. Onde está a estrela da manhã? Ela desapareceu ia nua. Desapareceu com quem? Mas te espero e te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples, que tu desfalecerás. Procurem por toda parte. Pura ou degradada até a última baixeza. Eu quero a estrela da manhã..
Turnê Memórias Póstumas começou! pic.twitter.com/QuEC64tZCb
— QG do Jão (@jaoqg) September 26, 2026
Jão anuncia datas da Turnê Memórias Póstumas
Jão anunciou oficialmente as primeiras datas da Turnê Memórias Póstumas, depois de um show que bateu recorde de público no Estádio do Palmeiras. De Rio de Janeiro a Lisboa, em Portugal, Jão tem shows marcados até março de 2027. Confira as datas:
- 31 de outubro de 2026 – Rio de Janeiro (Farmasi Arena)
- 21 de novembro de 2026 – Belo Horizonte (Mineirinho)
- 28 de novembro de 2026 – Recife (Arena Geraldão)
- 12 de dezembro de 2026 – Brasília (Arena Nilson Nelson)
- 19 de março de 2027 – Lisboa, Portugal (Campo Pequeno)
- 27 de março de 2027 – São Paulo (Estádio do Palmeiras)
