Lizzie Borden: o crime brutal que chocou os EUA e nunca foi solucionado

Em 1892, Andrew e Abby Borden foram encontrados mortos dentro de casa, e a filha do casal acabou no centro de um dos julgamentos mais famosos dos Estados Unidos

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Lizzie Borden foi acusada pelos assassinatos, mas acabou absolvida em 1893; mais de um século depois, o caso continua cercado por teorias e perguntas sem resposta (Foto: Wikimedia Commons)

Lizzie Borden foi acusada pelos assassinatos, mas acabou absolvida em 1893; mais de um século depois, o caso continua cercado por teorias e perguntas sem resposta (Foto: Wikimedia Commons)

Naquela manhã de agosto, a casa dos Borden parecia guardar apenas o silêncio de uma família comum. Até que os corpos de Andrew Borden, um rico empresário de Fall River, Massachusetts, e de sua esposa, Abby, foram encontrados dentro da residência.

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Andrew estava morto na sala de estar, já Abby havia sido assassinada em um quarto no andar superior. Os dois tinham sido atingidos repetidamente na cabeça por uma arma semelhante a um machado ou machadinha.

A cena rapidamente transformou uma residência de uma pequena cidade industrial em um dos locais de crime mais comentados dos Estados Unidos no século 19.

E havia uma pergunta que parecia impossível de ignorar: quem teria feito aquilo dentro de uma casa onde a família estava reunida?

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O olhar caiu sobre Lizzie

Entre as pessoas presentes na casa estava Lizzie Borden, filha de Andrew e então com 32 anos.

Pouco depois dos assassinatos, a investigação começou a se concentrar nela. Lizzie foi presa em 11 de agosto de 1892, apenas uma semana depois das mortes.

O caso ganhou força nos jornais e passou a ser acompanhado por uma população fascinada pelo contraste entre a imagem de uma mulher de classe média alta e a brutalidade atribuída ao crime.

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A cobertura foi tão intensa que o julgamento de Lizzie se transformou em um espetáculo nacional, algo que hoje pode parecer familiar diante da maneira como crimes de grande repercussão dominam a imprensa e as redes sociais.

Uma investigação cercada de dúvidas

A acusação não tinha uma confissão nem uma testemunha que tivesse visto Lizzie cometer os assassinatos.

Grande parte do caso era circunstancial. Havia dúvidas sobre versões apresentadas por Lizzie, além de elementos da investigação que os promotores tentaram usar para construir uma ligação entre ela e as mortes.

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Algumas dessas peças, porém, sequer chegaram ao júri da maneira como a acusação pretendia.

Durante o processo, o juiz excluiu declarações feitas por Lizzie durante o inquérito policial, enquanto outras evidências também enfrentaram barreiras legais.

O resultado foi um processo em que a acusação precisou trabalhar principalmente com circunstâncias e intepretações.

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O julgamento que parou Fall River

O julgamento começou em junho de 1893, em New Bedford, Massachusetts. Lizzie se tornou o centro das atenções.

Jornais acompanhavam cada movimento do processo, enquanto o público tentava interpretar o comportamento da mulher sentada diante do tribunal.

A defesa explorou justamente a fragilidade das provas, ou seja, sem uma evidência física definitiva ligando Lizzie aos assassinatos, a acusação precisava convencer os jurados de que o conjunto de circunstâncias era suficiente para condená-la.

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E em 20 de junho de 1893, depois de cerca de 90 minutos de deliberação, o júri declarou Lizzie Borden não culpada.

Absolvida, mas nunca completamente livre

Juridicamente, Lizzie estava livre. Socialmente, porém, a história foi diferente.

O caso havia se tornado tão conhecido que a absolvição não apagou a suspeita pública. A imagem de Lizzie permaneceu ligada aos assassinatos durante décadas, sendo alimentadas por jornais, livros, histórias populares e, mais tarde, filmes, peças e outras produções culturais.

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Ela continuou vivendo em Fall River e, junto da irmã Emma, comprou uma residência chamada Maplecroft.

Lizzie morreu em 1927, aos 66 anos. Emma morreu poucos dias depois. As duas foram enterradas no mesmo cemitério que os pais.

A famosa rima não conta exatamente a história

Parte da fama de Lizzie veio de uma pequena cantiga que atravessou gerações e associava seu nome a dezenas de golpes de machado.

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O problema é que a rima popular distorce elementos importantes do caso.

Abby não era a mãe biológica de Lizzie, mas sua madrasta. Além disso, a arma descrita nos registros era uma espécie de machadinha, e não exatamente um grande machado como a imagem popular costuma sugerir.

A própria ideia de que Lizzie simplesmente “escapou” depois de cometer os assassinatos também apaga um detalhe fundamental: ela foi julgada e absolvida.

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E quem matou Andrew e Abby?

A Biblioteca do Congresso registra que Lizzie foi absolvida e que a questão sobre sua responsabilidade pelos assassinatos continua sem resposta. Nenhuma outra pessoa foi posteriormente condenada pelo crime.

Ao longo das décadas, diferentes teorias tentaram preencher esse vazio. Algumas apontam novamente para Lizzie; outras levantam hipóteses envolvendo pessoas próximas à família.

Mas teoria não é prova.

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O registro judicial permanece: Lizzie Borden foi absolvida em 20 de junho de 1893. E os assassinatos de Andrew e Abby Borden continuam entre os casos não solucionados mais famosos da história criminal dos Estados Unidos.

Mais de um século depois, o nome Borden ainda carrega a mesma pergunta que surgiu naquela casa de Fall River em uma manhã de agosto: o que realmente aconteceu atrás daquelas portas?