Um projeto que nasceu da brincadeira e da paixão pelas palavras. É assim que Letrux descreve o “Alfabeto Sonoro”, espetáculo onde cada letra do alfabeto é associada a uma canção ou poema que começa com essa letra, que apresenta ao lado de Thiago Vivas no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), em Florianópolis, na próxima terça-feira, 30 de setembro, às 20h30min. Os ingressos para a única apresentação na cidade estão à venda no Sympla.
Em entrevista ao NSC Total (leia abaixo), a artista detalhou a concepção do projeto, suas ligações afetivas com Florianópolis e a relação íntima com a literatura, que também ganha forma em seu novo livro de contos, “Brincadeiras à Parte”, com lançamento marcado para segunda-feira (29), na Igrejinha da UFSC, a partir das 18h.
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Fala um pouco sobre o projeto Alfabeto Sonoro. Como foi que surgiu — e quem teve a ideia primeiro?
Eu e Thiago Vivas temos uma parceria na vida e na música. Em 2022, brincando com instrumentos, comentei que seria legal ter um show de A a Z, sempre fui muito fascinada com alfabeto. E além da música, sou apaixonada por literatura, então me pareceu natural unir essas duas paixões num só espetáculo. Gosto muito de compor, mas é um show maravilhoso onde posso apenas ser intérprete.
O espetáculo tem sempre o mesmo repertório? Ou você já foi mudando, ao longo das apresentações?
Ele muda, e essa é a graça. Há letras que já passaram por muitas versões. Na letra C, por exemplo, já cantamos muito Caravana, mas agora estamos numa fase Codinome Beija Flor. As poesias também, sempre mudam. Vou lendo coisas e penso “Ah, essa seria ótima ter no show”.
Conta um pouco como foi a vez que você fez um show à luz de velas em Floripa
Pois então! Fizemos dois shows em novembro do ano passado e a primeira sessão foi linda, mas, no intervalo, a luz caiu. Ficamos esperando a luz voltar, e nada. E aí resolvemos fazer um show à luz de velas e foi verdadeiramente muito emocionante. Achei que minha voz não fosse dar conta, porque já estou acostumada a cantar no microfone mas incrivelmente minha voz foi minha amiga e me ajudou e foi um show lindo. Com uma vibração única. Um erro que virou um acerto.
Você sempre teve uma ligação forte com a palavra. Qual leitura te transformou ou deixou uma marca forte na sua trajetória pessoal ou artística?
Muitas leituras me rasgaram a vida, a cara, o coração, mas acho que preciso citar Clarice Lispector. Parece clichê, mas que seja. Que Clarice seja um clichê. Que assim seja, porque essa mulher escreve coisas muito abissais, profundas, é tudo muito forte pra mim. Acho que ter lido Clarice nova me abriu um mundo de mistério que eu já me via nele mas não tinha muito recurso pra entender. Clarice me ajudou a entender o mundo.
Recentemente você lançou um livro, como foi a decisão de se aventurar na literatura?
É meu terceiro livro já. O meu primeiro saiu em 2015, “Zaralha – abri minha pasta”. Meu segundo livro chama “Tudo Que Já Nadei” e agora lancei meu primeiro livro de contos, chamado “Brincadeiras à parte”, vou lançar aí em Floripa no dia 29 de setembro, na Igrejinha Da UFSC. Tô bem animada. Em cada conto há um jogo ou uma brincadeira acontecendo, e entre os contos há intervalos, pausas. Porque assim é a vida: a gente sempre tira um intervalinho entre uma partida e outra. Sempre gostei muito de ficção e me aventurar nos contos foi uma realização pessoal forte.
Tem algum conselho ou palavra de incentivo que você gostaria de ter ouvido quando começou a cantar e escrever?
Acho que o melhor conselho é não tentar frear. Ninguém tentou me frear, nem pai nem mãe, nem ninguém do meu círculo. Podiam não dizer “vai que vai dá certo, você é foda”, não era muito assim, mas ninguém nunca disse “não vai”, e isso pra mim já funcionou bem.
Você tem uma música “Teste Psicológico Animalesco”. Se os seus álbuns fossem animais, quais seriam?
Acho que o “Climão” é um flamingo: é estranho mas é um bicho popular, admirado por todos, mas não deixa de ser estranho. “Aos Prantos” seria uma baleia: denso, profundo, intenso. E “Mulher Girafa” seria obviamente uma mulher girafa, rá!
Você vem com frequência para Floripa. O que mais gosta na cidade?
Minha primeira vez na cidade foi em 2018 e de cara tive um deslumbramento bem forte, fiquei encantada. Sou um ser da natureza. Vivo na cidade mas sou uma pessoa que precisa ter natureza perto, pra não pirar, e Floripa tem essa magia mesmo, essa palavra cai bem mesmo pra cidade. É tudo isso sim.
Serviço
O quê: Espetáculo “Alfabeto Sonoro”, com Letrux e Thiago Vivas
Quando: 30 de setembro (terça-feira), às 20h30min
Onde: Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) – Rua Marechal Guilherme, 26, Centro, Florianópolis
Ingressos: À venda no Sympla
Produção: Guerrilha Produtora
Antonietas
Antonietas é um projeto da NSC que tem como objetivo dar visibilidade a força da mulher catarinense, independente da área de atuação, por meio de conteúdos multiplataforma, em todos os veículos do grupo. Saiba mais acessando o link.

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