Pareciam obras-primas, mas eram falsas: pinturas de Modigliani, Goya e El Greco escondiam um segredo milionário

Três obras atribuídas a grandes mestres da arte foram colocadas à venda por impressionantes 75 milhões de reais antes de serem apreendidas na Espanha

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Uma delas, apresentada como um Modigliani, tinha preço de 51 milhões de reais e documentos que supostamente comprovavam sua autenticidade (Foto: Amedeo Modigliani / Wikimedia Commons)

Uma delas, apresentada como um Modigliani, tinha preço de 51 milhões de reais e documentos que supostamente comprovavam sua autenticidade (Foto: Amedeo Modigliani / Wikimedia Commons)

Imagine entrar em uma sala e encontrar três pinturas que, pelo que diziam os documentos, poderiam valer uma pequena fortuna. Uma delas seria de Amedeo Modigliani. Já a outra, de El Greco. E uma terceira carregaria a assinatura de Francisco de Goya.

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Juntas, elas chegaram a ser oferecidas por 12,5 milhões de Euros ( 75 milhões de reais). O que ninguém esperava era que, por trás das supostas obras-primas, existisse uma história bem diferente.

O negócio que parecia bom demais

As três pinturas pertenciam a um colecionador da província espanhola de Toledo, que, segundo a investigação policial, não era especialista em arte.

As obras começaram a ser colocadas à venda como se fossem originais.

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Para encontrar compradores, o negócio contava com a participação de intermediários do mercado de arte, que divulgavam as peças por e-mail entra colecionadores. Em troca, receberiam 10% do valor caso as negociações fossem concluídas.

A pintura atribuída a Modigliani era a mais valiosa. O preço pedido chegava a 8,5 milhões de euros (51 milhões de reais).

E havia ainda um detalhe que poderia tranquilizar um comprador milionário: a obra vinha acompanhada de documentos que supostamente comprovavam sua autenticidade. Mas foi justamente aí que a história começou a mudar.

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O quadro de milhões começa a levantar dúvidas

A pintura atribuída a Modigliani seria comercializada na Suíça, no México e na Alemanha. No papel, tudo parecia preparado para sustentar a história de uma obra legítima.

Só que especialistas do Instituto de Valência de Conservação, Restauro e Investigação analisaram a pintura. O resultado foi decisivo: não era uma obra original de Modigliani.

De acordo com a análise, tratava-se de uma pintura falsa que reproduzia o estilo e a temática associados ao artista. O que parecia ser uma peça rara de milhões começou, então, a revelar outra face.

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E ainda havia outras duas

A descoberta não parou na pintura atribuída apenas a Modigliani. As autoridades também apreenderam outras duas obras apresentadas como trabalhos de El Greco e Goya.

A primeira estava sendo oferecida por 2,5 milhões de euros (15 milhões de reais). A segunda, por 1,5 milhão de euros (9 milhões de reais).

Mas uma vez, as pinturas estavam acompanhadas de documentação que alegadamente serviria para comprovar sua originalidade. Só que os especialistas também encontraram problemas nessas peças.

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Informações técnicas fornecidas pelo Museu Sefardita de Toledo e pelo Museu Nacional do Prado ajudaram a demonstrar que as duas obras também eram falsificações.

Quando a história por trás do quadro muda tudo

De repente, aquilo que poderia representar uma coleção valiosíssima se transformou em um caso de investigação.

As três obras foram retiradas do mercado durante uma operação realizada pelas autoridades espanholas, com participação da unidade responsável pelo patrimônio histórico e da Polícia Nacional.

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O caso foi encaminhado ao Tribunal de Instrução nº 2 de Ocaña, em Toledo, junto com as alegadas falsas autenticações e os estudos científicos e físicos realizados nas pinturas.