Ciclo caótico e mudanças no comando: Como chega a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo

Brasil sonha com a conquista do hexacampeonato na edição que acontecerá na América do Norte

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Carlo Ancelotti será o técnico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026 (Foto: Rafael Ribeiro, CBF)

Mais uma vez, o torcedor brasileiro se encontra iludido e esperançoso pelo hexacampeonato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Verdade seja dita, a maior vencedora não chega como a grande favorita, mas isso nunca foi um grande problema quando se trata do Brasil. No entanto, existem sinais de alerta ligados.

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Veja os 26 nomes convocados da Seleção Brasileira

Diferente das últimas edições, em que a seleção conquistou ao menos um título antes do mundial, seja de Copa América ou na extinta Copa das Confederações, desta vez os brasileiros chegam com mãos vazias para o mundial, com eliminações precoces e pior campanha de Eliminatórias. Mas afinal, dá para acreditar no hexa? Bom, cada um escolhe uma narrativa que corrobore com a própria opinião.

Há quem trace um paralelo com 2002, ano do penta, com uma Seleção que se classificava de última hora e chegava cheia de desconfiança, críticas à convocação e público dividido. Dessa vez, novamente os sentimentos são divididos, com uma mistura de “oba oba” com apreensão.

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Em 2026, vimos o maior evento da história de uma convocação de Seleção. Em vez de uma simples coletiva de imprensa para o anúncio da lista de jogadores, a CBF organizou uma festa, com torcida e tudo. As expectativas e a tensão estavam lá em cima, como se a Copa já tivesse iniciado.

Personagens como Carlo Ancelotti e Neymar deixaram esse anúncio ainda maior. Poucas vezes se viu um país tão dividido por uma convocação, em especial de um único jogador. Talvez a última dessa magnitude tenha sido a de Romário, quando ficou fora da lista de Felipão em 2002.

Neymar foi convocado, assim como os garotos Endrick e Rayan e o surpreendente goleiro Weverton, do Grêmio. O elenco à disposição de Ancelotti contará com 26 atletas, outra novidade do torneio em 2026, que aumentou três vagas para cada seleção.

— Ter confiança neste grupo. Como eu disse, pode não ser o grupo perfeito, mas é um grupo que vai ser focado, motivado, resiliente, porque isso é o que quero dar ao jogador, que sejam focados, humildes, altruístas. A minha ideia é toda focada no coletivo, não no individual. Depois, vou escolher os jogadores que me garantirem isso — ressaltou o treinador após a convocação.

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É fato que, alguns jogadores possuem titularidade garantida, entre eles o goleiro Alisson, os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães, o volante Casemiro e os atacantes Vinícius Jr e Raphinha. Outras posições estão em aberto, como as disputas nas laterais, a vaga de um segundo volante, que tende a ser Bruno Guimarães (ele tem sofrido concorrência pesada com Danilo), além de outras vagas para o ataque, com Matheus Cunha e Luiz Henrique sendo no momento os nomes mais cotados.

Essa briga por vagas se tornou ainda mais acirrada após o corte de jogadores como Estêvão, Rodrygo e Militão, três atletas que foram titulares no ciclo, mas sofreram graves lesões semanas antes da convocação.

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Os amistosos pré-copa geram uma pulga atrás da orelha do treinador, que vê atletas que saem do banco de reservas para decidir as partidas. Como Danilo, Endrick, Rayan, Lucas Paquetá e Igor Thiago. Há dúvida até mesmo na plataforma de jogo da seleção, que tem jogado em um 4-2-4, mas que pode se tornar um 4-3-3.

— Passa pela minha cabeça a possibilidade de mudar a equipe, a estratégia, o jogo da segunda parte coloca mais dúvidas. Isso para mim é bom, é importante ter dúvida positiva. Sigo pensando que tenho uma boa lista. Com tranquilidade, com calma, ao final vamos tomar a decisão correta. De uma coisa estou seguro: que vão ser 11 (jogadores) no primeiro jogo — disse o técnico após amistoso contra o Panamá, vencido por 6 a 2 pelo Brasil.

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Um dos trunfos de ter “Don Carlo” à beira do gramado é a proximidade dele com alguns dos líderes técnicos dessa equipe. Ancelotti fez Vini Jr chegar ao seu auge no Real Madrid, comandou também Casemiro e desenvolveu Endrick no clube merengue, além da bagagem europeia que dispensa comentários, já tendo enfrentado também a maior parte dos jogadores do grupo em grandes competições.

Como um bom italiano, ele preza primeiramente por uma defesa sólida — já até mencionou que “vence quem menos falha”. Ou seja, para o “mister”, a receita do sucesso é uma defesa segura e liberdade para os talentos resolverem no ataque. Claro, não é tão simples assim, mas para o técnico foi isso que fez o Brasil se tornar pentacampeão, e pode ser o que levará o time ao hexacampeonato.

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Pelo Grupo C, os brasileiros têm pela frente seleções sem muita tradição em copas, mas que podem oferecer riscos, principalmente o adversário da estreia, o Marrocos, que vem de mais um ciclo consistente desde que chegou às semifinais em 2022. No segundo jogo, confronto com o Haiti e, na terceira rodada, duelo contra a Escócia.

A canarinho chega com o apoio maciço da torcida, que por muitas vezes vive o famoso “oito ou oitenta”. Isso foi visto no amistoso contra o Panamá. Um gol dos panamenhos com desvio na barreira foi o suficiente para o goleiro Alisson sofrer vaias de praticamente todo o Maracanã. Ao mesmo tempo, um belo gol de Rayan foi o suficiente para até torcidas rivais cantarem a música feita para a joia ex-Vasco: “Oi, boa noite! Será que vai ter gol do Rayan hoje?”.

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Resta saber se o desfecho, desta vez, será selando as pazes com o povo ou frustrando ainda mais uma torcida que pode ver o maior jejum (30 anos) da história do Brasil em copas.

— Bom… não sou um mago, mas sou um trabalhador que trabalha neste mundo há 40 anos. Tenho o conhecimento e confiança de que essa equipe pode competir com as melhores equipes do mundo. Temos que ser exigentes, pois a exigência traz mais motivação. Podemos ganhar a Copa do Mundo e chegar na final? Sim, podemos chegar a jogar a final. Mas é o suficiente? Não sei. O melhor é chegar e ganhar a final — completou Ancelotti em coletiva de imprensa.

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O ciclo caótico da Seleção Brasileira

O caos na Seleção Brasileira começou logo após a Copa do Catar, em 2022, com a saída de Tite, depois de comandar a equipe em duas edições. Desde o início, o sonho da CBF foi trazer o italiano Ancelotti para o comando técnico. E diante de um romance indefinido, o Brasil precisou viver de interinos e incertezas. O primeiro comandante foi Ramon Menezes, que fez convocações discutíveis e três amistosos, com duas derrotas e uma vitória.

Sem norte e sem identidade, foi a vez da confederação apostar em um treinador com dois empregos. Fernando Diniz assumiu a Seleção enquanto seguia treinando também o Fluminense. Foram poucas chances de comandar a canarinho, com seis jogos e duas derrotas, contando já as Eliminatórias sul-americanas para o mundial.

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Enquanto o nome de Ancelotti seguia sendo sondado e a relação com o treinador parecia cada vez mais um amor platônico, Dorival Júnior foi anunciado como técnico efetivo (até segunda ordem) da Seleção. E o curioso é: o professor foi, em números frios, o técnico com mais jogos à frente da canarinho neste ciclo (16), além de ter também o melhor aproveitamento, com 58% — sete vitórias, sete empates e duas derrotas. Porém, as estatísticas não traduzem o que foi a percepção geral sobre a equipe: apesar de um começo promissor, com vitória diante da Inglaterra e empate com a Espanha, a verdade é que o grupo parecia não evoluir, com um sentimento de estagnação.

Na Copa América, o Brasil foi eliminado nas quartas de final para o Uruguai, nas penalidades. Nas eliminatórias, a pior campanha da história, com apenas 28 pontos e um 5º lugar, ficando atrás de Argentina, Equador, Colômbia e Uruguai. Os brasileiros sofreram seis derrotas, mais até que o próprio Paraguai, que terminou com a mesma pontuação na sexta colocação.

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Em meio a todo esse incêndio, Ancelotti deixou o Real Madrid e foi anunciado oficialmente pela CBF, em 2025. Em tempos não se via tanta expectativa e euforia com um anúncio de um treinador de Seleção Brasileira. Não à toa, um pentacampeão de Liga dos Campeões e multi vencedor por todos os clubes que passou, se colocando entre os maiores da história.

Ele assumiu o grupo na reta final das eliminatórias e com pouco tempo tenta juntar os cacos, ajeitar a casa e tentar formar um time fechado em busca do título em solo norte-americano. Com contrato renovado até a Copa de 2030, agora o italiano tem tempo para trabalhar e focar não somente neste mundial, mas também a longo prazo, com o objetivo de desenvolver e lapidar jovens.

Confira os convocados

  • Goleiros: Alisson (Liverpool), Ederson (Fenerbahçe) e Weverton (Grêmio)
  • Defensores: Alex Sandro (Flamengo), Bremer (Juventus), Danilo (Flamengo), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Ibañez (Al-Ahli), Léo Pereira (Flamengo), Marquinhos (PSG) e Wesley (Roma)
  • Meio-campistas: Bruno Guimarães (Newcastle), Casemiro (Manchester United), Danilo Santos (Botafogo), Fabinho (Al-Ittihad) e Lucas Paquetá (Flamengo)
  • Atacantes: Endrick (Lyon), Gabriel Martinelli (Arsenal), Igor Thiago (Brentford), Luiz Henrique (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Neymar (Santos), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth) e Vini Jr. (Real Madrid)