Uma das instituições mais tradicionais do futebol paulista sofreu mais uma dura derrota nos tribunais devido a pendências financeiras recorrentes. A agremiação centenária acabou condenada pela 5ª Vara Cível a quitar um débito acumulado com uma padaria vizinha ao estádio, na quantia de R$ 53.280,14.
Veja clubes que já faliram por dívida
A Ponte Preta foi condenada pela Justiça a pagar o valor de R$ 53.280,14 a uma padaria localizada nas proximidades do Moisés Lucarelli. O comércio de Campinas cobrou os valores referentes aos serviços de fornecimento de alimentos, interrompidos sem pagamento desde maio de 2025.
O juiz Bruno Gonçalves Mauro Terra considerou o pedido do estabelecimento procedente e negou os questionamentos feitos pela defesa do clube. A decisão determinou que a cobrança siga pelo Regime Centralizado de Execuções para respeitar a fila de credores da instituição.
Diante do quadro de estrangulamento das contas, o magistrado concedeu ao clube o benefício da justiça gratuita durante o andamento processual. A medida levou em consideração o comprovado e grave comprometimento de receitas que afeta a gestão alvinegra atualmente.
Procurada pela reportagem do ge, a assessoria de imprensa informou que a diretoria da Macaca não vai se pronunciar sobre o caso. A condenação com o comércio de bairro soma-se a uma dívida trabalhista acumulada que atinge a marca de R$ 50 milhões.
O departamento jurídico estima que o valor total engloba novas ações judiciais e processos em andamento na Justiça do Trabalho. Atualmente, a equipe campineira contabiliza quase 200 processos ativos movidos por atletas, treinadores e ex-funcionários do clube.
Entenda a crise financeira da Ponte Preta
A crise financeira atinge um patamar crítico descrito pelo próprio diretor jurídico, José Henrique Specie, como um cenário de quase insolvência. Além do estrangulamento no tribunal, os associados rejeitaram recentemente a proposta de criação de uma Sociedade Anônima do Futebol.
Uma auditoria realizada durante as tratativas da SAF revelou que a dívida total da agremiação gira em torno de R$ 320 milhões. Para agravar o quadro interno, o clube registra um déficit mensal fixo nas contas estimado em R$ 2,8 milhões.
A falta de caixa resultou em atrasos constantes nos salários do elenco profissional, comissões técnicas e colaboradores ao longo das últimas temporadas. Os recorrentes problemas atrasaram vencimentos por até seis meses e motivaram paralisações das atividades durante os treinamentos diários.
Dentro de campo, o impacto financeiro refletiu no desempenho esportivo do time principal com o duplo rebaixamento na temporada. A equipe alvinegra acabou caindo para a divisão de acesso no Campeonato Paulista e sofreu a queda na Série B nacional.
*Sob supervisão de Marcos Jordão





