Depois do alargamento de 8,8 km de praia em Itapoá, considerado o maior do Brasil em extensão, um novo projeto entra nos planos da cidade. O município prepara a contratação dos estudos que vão definir uma nova intervenção na orla. A área analisada terá 9 quilômetros de extensão e vai da Rua Peabiru (1710), ao sul, até a Rua Castro Alves (492), ao norte. O município possui, ao todo, 32 km de praia.
O trecho abrange os bairros Itapoá (Centro), Itapema do Norte e Cambijú, onde há pontos diretamente atingidos por processos de erosão costeira. A empresa ou consórcio será responsável pelos estudos ambientais e projetos de engenharia. A cidade tem recebido olhares em decorrência das obras e do salto populacional registrada nos últimos anos. Dados do IBGE revelam que Itapoá tem a maior taxa de crescimento de moradores em SC.
Veja fotos de Itapoá, cidade com 32 km de praia em SC:
Como foi escolhida a área de 9 km que será analisada
Segundo explica Rafael Brito, secretário de Meio Ambiente de Itapoá, a área escolhida foi demarcada a partir do ponto onde termina o atual alargamento e segue até o limite dos trechos que apresentam problemas de erosão costeira.
“Basicamente, a gente pegou a coordenada final desse [alargamento] que o Porto de São Francisco do Sul está fazendo e levou até o ponto em que tem erosão hoje. Nesse intervalo, que vai dar mais ou menos 9 quilômetros, existem praias sadias, que não têm erosão. A gente optou por não retirar esses trechos porque é importante que a empresa analise tudo de forma global”, explica.
Ele acrescenta que o limite ao norte foi definido justamente onde um diagnóstico feito em 2024 pelo município deixam de apontar erosão significativa. Por outro lado, esse panorama da erosão costeira em Itapoá também mostrou que quase metade da região estudada tinha algum tipo de contenção física para o avanço do mar.
“O diagnóstico mostrou para a gente que cerca de 40% da nossa orla tinha estruturas de contenção costeira, seja enrocamento, paliçada, gabião, enfim, alguma forma que o morador encontrou para proteger geralmente o seu patrimônio. Boa parte estava incorporada no trecho que passou pelo engordamento agora, mas uma parte também ficou no trecho que não foi contemplado pelo alargamento”, explica Rafael Brito.
O que deve ser analisado neste estudo?
O município de Itapoá vai realizar um Estudo de Impacto Ambiental completo (EIA-RIMA). O processo inclui análises do meio físico, biótico e socioeconômico, desde o comportamento das correntes e do transporte de sedimentos até possíveis impactos sobre animais marinhos, pescadores, navegação, vegetação de restinga e dunas.
O estudo também deverá identificar uma fonte de alimentação de areia compatível com a praia, ou seja, de onde poderá ser retirado o sedimento. “Vai desde encontrar uma jazida de empréstimo, fazer sondagens e analisar o sedimento para verificar se ele é compatível com a nossa orla, até impactos de cunho biótico, como na migração de golfinhos e pinguins, e impactos sociais, como sobre a colônia de pescadores”, explica Rafael Brito.
O que falta para iniciar os estudos?
O projeto ainda está na fase que antecede a contratação dos estudos. Segundo Rafael, o edital já foi elaborado, mas a prefeitura aguarda a conclusão dos trâmites relacionados ao financiamento de R$ 6,8 milhões, que será usado para contratar a empresa ou consórcio responsável pelos estudos ambientais e projetos de engenharia. O recurso foi solicitado por meio de empréstimo, com participação do Banco do Brasil e análise do Tesouro Nacional.
Ainda não há uma data definida para o lançamento do edital. A expectativa da prefeitura, porém, é abrir a licitação ainda em 2026. Essas análises, porém devem levar pelo menos um ano para ficar prontos.
Maior obra de alargamento em cidade com 32 km de praia de SC
A maior obra de alargamento de praia do Brasil em extensão ocorre em Itapoá, no Norte catarinense. A obra é uma parceria entre os portos de São Francisco do Sul e do Porto Itapoá. Os sedimentos utilizados foram retirados da dragagem do canal portuário da Baía da Babitonga.
O aprofundamento quer permitir que embarcações maiores atraquem nos portos. Para isso é necessário aumentar de 14 para 16 metros. Com a conclusão navios de até 366 metros de comprimento poderão navegar pelo canal. Atualmente entram navios de até 336 metros.
Ainda em andamento, a dragagem deve ser finalizada no segundo semestre de 2026. Já o processo de alargamento da faixa de areia em Itapoá foi concluído, contudo, ainda estão em andamento outras etapas do projeto como compensações ambientais e a plantação de restinga.
A Praia Pontal do Norte foi a primeira que passou pelo alargamento, depois os trabalhos seguiram para a Praia Princesa do Mar e, por fim, na Praia Figueira do Pontal, último trecho contemplado. A maior parte já está liberada aos banhistas. Entretanto, é necessário ficar atento às interdições e áreas restritas.
Conforme o Porto de São Francisco do Sul, está é a primeira vez no Brasil, e a segunda no mundo, que sedimentos provenientes de uma dragagem portuária são utilizados no alargamento de uma praia.










