Desde que o navegador francês Binot Paulmier de Gonneville aportou na região da Baía da Babitonga, em 1504, as características naturais do local já chamavam atenção. Segundo artigo publicado pela Academia Joinvilense de Letras, em sua “Declaração de Viagem”, o comandante relatou a chegada a uma grande terra e descreveu a região como fértil, com fauna abundante, variedade de peixes e árvores. Séculos depois, a localização estratégica e as condições naturais da baía ajudariam a transformá-la em um dos principais complexos portuários de Santa Catarina com três em andamento e quatro em processo de implantação.
O Porto da Bunge foi o mais recente autorizado para entrar em funcionamento. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) publicou o termo de liberação de operação (TLO) na última quinta-feira (13). A permissão foi concedida à Bunge Alimentos, para a operação de terminal de uso privado (TUP) em São Francisco do Sul. A liberação ocorreu após a verificação da conclusão integral das obras e a conformidade das instalações. O empreendimento conta com a licença ambiental de operação, de autorização de início dos trabalhos, desde o final de maio, em liberação pelo Ibama. Porém, a data de início do funcionamento ainda não foi divulgada.
A Baía da Babitonga tem terminais em operação e quatro nos planos de implantação
Conforme o Porto de São Francisco do Sul, autoridade portuária da região, a Baía da Babitonga tem características que garantem segurança para navegação e para atracação dos navios, isso por ser uma área “naturalmente protegida”. O canal de acesso ao complexo portuário tem cerca de 17 km de extensão, com largura mínima de 120 metros. Atualmente passa pela obra de dragagem que quer aprofundar a do canal de 14 metros para 16 metros, permitindo a entrada de navios de 366 metros, maiores que os atuais de 336.
No local, três portos operam e movimentam toneladas de cargas todo mês. São eles os portos de Itapoá, São Francisco do Sul e, com liberação para operar o Porto da Bunge. Outros quatro estão em processo para implantação: o Porto Brasil Sul, o Porto da Coamo, o Terminal Mar Azul (projeto da empresa Norsul) e o Terminal Graneleiro da Babitonga. Segundo a Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias, o projeto da Coamo é o mais adiantado no momento, a empresa projeta iniciar a operação em 2030.
Porto da Coamo, o mais próximo de sair do papel
O TUP Coamo é o terminal da maior cooperativa agrícola do Brasil, com sede em Campo Mourão (PR). Uma das maiores do país a Coamo já possui um terminal em Paranaguá e projeto o de São Francisco para desafogar o que já está em operação. A previsão do início das obras é para 2027. A previsão é de movimentação de 10,9 milhões de toneladas.
A exportação de grãos será a principal operação. O TUP Coamo terá ainda importação de fertilizantes e movimentação de combustíveis líquidos e GLP. O terminal da Coamo será o oitavo porto de Santa Catarina.
Como deve ser o novo porto
Porto de São Francisco do Sul
A autoridade portuária da região é o porto de São Francisco do Sul. Segundo a Secretaria de Portos, Aeroportos
e Ferrovias, ele é o maior em movimentação de carga absoluta. Conforme as últimas estatísticas divulgadas, em junho de 2026 foram movimentadas 526,5 mil toneladas de soja, 299,9 mil toneladas de produtos siderúrgicos, 112,2 mil toneladas de fertilizantes e adubos e 42,7 mil toneladas de produtos químicos inorgânicos.
Em 2025, o terminal bateu recorde pelo terceiro ano consecutivo e movimentou 17,5 milhões de toneladas, maior volume registrado em seus 70 anos de operação. Desse total, 55% foram de exportações, com destaque para os grãos: passaram pelo porto 6,2 milhões de toneladas de soja e 2,9 milhões de toneladas de milho.
Porto de Itapoá
O Porto Itapoá é um Terminal de Uso Privado (TUP), de administração privada, que começou a operar em junho de 2011. O próprio terminal informa capacidade atual para movimentar 1,8 milhão de TEUs por ano e prevê chegar a 2 milhões de TEUs anuais com a expansão do canal da Baía da Babitonga.
Conforme o terminal, hoje o Porto Itapoá possui dois berços de atracação, que somam 800 metros de cais, com 43 metros de largura. O site aponta profundidade natural de 16 metros junto à estrutura e informa que os dois berços permitem a atracação simultânea de navios Super Post-Panamax. Em 2025, movimentou 1,5 milhão de TEUs (um TEU equivale a um contêiner padrão de 20 pés, aproximadamente 6 metros). Em movimentação de contêineres, ele é o terceiro do Brasil.
Como é o Porto Itapoá













