A conclusão do maior alargamento de praia do Brasil, em Itapoá, cria uma expectativa de valorização do turismo e setor imobiliário local. A cidade, que tem 32 km de praia, passou pela obra em 8,8 km de extensão da orla com os sedimentos retirados da dragagem do canal de acesso à Baía da Babitonga. A obra do aprofundamento está em andamento, e tem expectativa de conclusão ainda em 2026.
A obra de engorda da praia começou na praia Pontal do Norte, depois os trabalhos seguiram para a Praia Princesa do Mar e, por último, foram concentrados na Praia Figueira do Pontal. A maior parte já está liberada aos banhistas e outras ainda estão bloqueadas.
Conforme as estimativas do IBGE com base em 2025, Itapoá conta com 36 mil moradores, com avanço de 144% (comparação entre o Censo 2010 e a estimativa do ano passado). Os dados fazem do município o que mais cresceu em população nos últimos anos em Santa Catarina.
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As mudanças na região já são sentidas pelos moradores. “Não tinha como a gente vir para pescar, ficar com as pessoas aqui, colocar um sombreiro, nada para você passar teu dia com a família”, relembra a dona de casa Maria de Fátima Biavatti.
O equipamento utilizado no alargamento foi a draga Galileo Galilei, que retira os sedimentos da Baía da Babitonga e alimentou a faixa de areia com aproximadamente 6 milhões de metros cúbicos. Esta é uma obra pioneira no Brasil, já que reutiliza o material. Com a conclusão do aprofundamento, o complexo portuário da Baía da Babitonga, incluindo os portos de São Francisco do Sul e Itapoá devem receber navios de até 366 metros, com carga máxima, o que vai aumentar a capacidade operacional e logística da região.
Valorização imobiliária
A transformação da orla, somada aos investimentos em infraestrutura, logística e acessos ao município, aumenta a procura por imóveis e eleva a valorização média registrada na cidade, segundo análise de Thauani Zanetti, CEO e corretora da Juliano Oliva Imóveis.
Atualmente, a empresa estima que os imóveis de Itapoá apresentem valorização média de aproximadamente 23% ao ano. Em áreas com maior procura e desenvolvimento, porém, há casos que já superam os 30% anuais.
“Com o alargamento da praia e, principalmente, com o forte crescimento dos investimentos e da infraestrutura da cidade, nossa expectativa é que a valorização média de Itapoá suba para aproximadamente 28% ao ano nos próximos anos”, declara Thauani.
A projeção leva em consideração não apenas a nova faixa de areia, mas também a expansão do Porto de Itapoá, o projeto de instalação do terminal portuário da Coamo, as melhorias previstas nas rodovias de acesso e o crescimento urbano e turístico do município.
Orla pode chegar de 35 a 200 metros de areia
Com o alargamento, a faixa de areia varia de 35 a 200 metros de largura. Segundo a Prefeitura de Itapoá, um edital já pronto para o uso comercial da nova faixa de areia.
“É um fornecimento técnico, um projeto, para que o município saiba como se desenvolver e entregar aquilo. O projeto vai ser entregue para adequação de passeio, de via, de largura, projeção de ciclofaixa, ciclovia, quais locais ficam melhores para serem urbanizados com restaurante e outros”, explica Rafael Brito Silveira, secretário do Meio Ambiente de Itapoá.
O município também quer a recuperação de mais nove quilômetros de faixas de areia. Para isso, uma empresa contratada deve apresentar os projetos de engenharia para nova obra em um prazo de 18 meses.
Obra para receber navios gigantes continua
As obras de dragagem de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga atingiram 88% de execução. Iniciada em outubro do ano passado sob a responsabilidade do Porto de São Francisco do Sul, a obra já retirou 10,6 milhões de metros cúbicos de sedimentos, de um total previsto de 12 milhões de metros cúbicos.
A dragagem está sendo executada pela draga belga Galileu Galilei. Com a conclusão da obra, será possível a atracação de navios gigantes, embarcações de até 366 metros de comprimento. Atualmente, o limite é de 336 metros, com capacidade para aproximadamente 10 mil TEUs (Twenty-foot Equivalent Unit). Após a conclusão, essa capacidade passará para até 16 mil TEUs por embarcação. O TEU é usado como medida para quantificar a capacidade de transporte em navios.
Próximos passos
A partir da conclusão da dragagem são feitos as batimetrias finais para verificar o profundidade do canal. Esse material é encaminhado para a marinha e então é feito a homologação da profundidade. “Depois que teremos o canal liberado para operar com os navios com o calado de 14 metros, que precisam dessa profundidade de 16 metros”, explica Guilherme Medeiros, Diretor de Operações do Porto de São Francisco do Sul.
Já quanto a orla, nos próximos dois dias, a área alargada da Figueira do Pontal deve ser liberada aos banhistas. O processo de plantio da restinga, ainda acontece durante os próximos meses. Essa etapa é fundamental para o equilíbrio ambiental e melhor fixação da faixa de areia.
*Com informações de Arthur Ruschel, NSC TV









