Ponte que promete criar atalho de 300 km entre Paraguai e Argentina abrirá novo corredor batizado de “Rota do milho”

Ponte internacional entre Paraguai e Argentina deve abrir uma "nova rota do milho" entre países do Mercosul

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Puerto Mayor Otaño, no rio onde está previsto a balsa (Foto: Divulgação, Google Maps)

Puerto Mayor Otaño, no rio onde está previsto a balsa (Foto: Divulgação, Google Maps)

Uma ponte internacional entre Paraguai e Argentina pode abrir um novo corredor para a entrada de mercadorias em Santa Catarina e reduzir em quase 300 quilômetros algumas rotas terrestres entre o mercado paraguaio e o Estado. Ao NSC total, o secretário executivo de Articulação Internacional de Santa Catarina, Paulo Bornhausen, explicou que a ligação faz parte de uma estratégia para aproximar a economia catarinense do Paraguai, especialmente para facilitar a importação de grãos e criar novas rotas para os portos.

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“É uma grande política de internacionalização de Santa Catarina” afirmou.

A proposta é construir uma ponte sobre o Rio Paraná entre Mayor Otaño, no departamento de Itapúa, no Paraguai, e Eldorado, na província de Misiones, na Argentina. A partir de território argentino, as cargas poderiam seguir em direção à fronteira brasileira e entrar em Santa Catarina pela região de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste.

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Ponte faria parte da criação de “Rota do Milho”

Segundo o secretário, uma das prioridades é criar uma “rota do milho” entre a região produtora paraguaia e Santa Catarina. O grão é uma das principais matérias-primas utilizadas pelas cadeias de aves e suínos, setores nos quais o Estado possui forte presença industrial.

Hoje, parte do milho utilizado pela agroindústria catarinense precisa percorrer longas distâncias a partir do Centro-Oeste brasileiro. Conforme Bornhausen, enquanto algumas regiões produtoras brasileiras estão a mais de mil quilômetros, o novo corredor permitiria aproximar a produção paraguaia da fronteira catarinense.

“Da parte produtora, da área produtora do Paraguai até Dionísio Cerqueira, são 200 quilômetros. Lá do Centro-Oeste são mais de mil quilômetros para trazer o milho”, explicou.

A redução das distâncias é apontada como uma possibilidade de diminuir o peso do frete sobre a matéria-prima e, consequentemente, aumentar a competitividade das indústrias catarinenses de proteína animal.

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Segundo o ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Marcos Riquelme, a ligação permitiria criar “praticamente uma linha reta” em direção a Santa Catarina e economizar quase 300 quilômetros no transporte rodoviário de cargas.

Ponte ainda não tem data para sair do papel

Apesar da articulação entre os governos, a construção da ponte ainda não está confirmada e não há prazo para início ou conclusão das obras.

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O projeto voltou à pauta durante uma missão catarinense ao Paraguai na última semana. Na sexta-feira (7), o governador Jorginho Mello (PL) se reuniu em Assunção com o vice-presidente e presidente em exercício do Paraguai, Pedro Alliana.

Segundo Bornhausen, o governo catarinense se colocou à disposição para participar das discussões sobre a construção da ponte junto ao Paraguai e ao governo da província argentina de Misiones.

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“O governador já se colocou à disposição para ser parte da construção dessa ponte, junto com o Paraguai e a província de Misiones, na Argentina, e marcou para novembro uma reunião com o governador de Misiones e o presidente do Paraguai”, disse Bornhausen.

A ligação entre Mayor Otaño e Eldorado, porém, não é uma proposta nova. Argentina e Paraguai discutem há mais de uma década a possibilidade de construir uma ponte entre as duas localidades, inclusive com estudos voltados à viabilidade da conexão. A novidade é a entrada de Santa Catarina nas articulações, com interesse em transformar a travessia em parte de um corredor logístico em direção ao Estado.

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Nova ligação poderá “baratear a comida dos brasileiros”

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o brasileiro Philipe Haraguti, que trabalha com o setor imobiliário no Paraguai fez um vídeo explicando por onde a ponte irá passar, e porque ela vai deixar a comida dos brasileiros mais barata. Veja:

Antes da ponte, caminhões podem atravessar de balsa

Enquanto a estrutura definitiva não sai do papel, a estratégia prevê colocar a nova rota em funcionamento por meio de balsas capazes de transportar caminhões entre Paraguai e Argentina. Segundo Bornhausen, obras de infraestrutura para essa operação já estão em andamento nos dois países e as balsas necessárias para o transporte já teriam sido entregues. A expectativa do governo catarinense é que os primeiros caminhões possam começar a utilizar a rota ainda em dezembro.

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“As obras já estão sendo feitas, tanto no Paraguai como na Argentina. As balsas já estão prontas e já estão entregues, e é possível que em dezembro possa iniciar esse processo de passagem dos caminhões já com o milho paraguaio para Santa Catarina”, afirmou o secretário.

Bornhausen ponderou que a previsão depende da implantação das condições necessárias para fiscalização e desembaraço das cargas. O trajeto pensado pelo governo parte das áreas produtoras paraguaias, cruza o Rio Paraná, atravessa parte da província de Misiones e segue até a fronteira com o Brasil, chegando a Santa Catarina pela região de Dionísio Cerqueira.

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Caso o fluxo por balsas seja consolidado, a futura ponte substituiria essa etapa da travessia e permitiria aumentar a capacidade do corredor.

SC também quer atrair cargas paraguaias para os portos

Segundo Bornhausen, atualmente o Paraguai utiliza principalmente Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná, para suas operações de importação e exportação, sem participação relevante dos portos catarinenses nesse fluxo. Assim, a aproximação com o Paraguai também envolve uma tentativa de direcionar parte do comércio exterior do país para os terminais catarinenses.

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“É interesse juntar indústrias do Paraguai com indústrias catarinenses, produzir aqui e produzir parte lá também”, disse Bornhausen.

Além da logística, as conversas incluíram cooperação tecnológica com participação da Epagri e a possibilidade de estender ao Paraguai a infraestrutura de conectividade associada a um futuro cabo submarino de internet previsto para chegar a Santa Catarina.

Veja fotos da ida de Jorginho ao Paraguai