Fundo compra prédio, sobe aluguel e idosa de 87 anos é despejada de cadeira de rodas após 70 anos na casa

Imóvel com contrato de "renda mínima" havia passado pelos pais à Maricarmen após a morte deles, na Espanha

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Maricarmen tem 87 anos e morava em um prédio em Madrid (Foto: Redes sociais, Reprodução)

Maricarmen tem 87 anos e morava em um prédio em Madrid (Foto: Redes sociais, Reprodução)

Uma senhora de 87 anos foi despejada da casa em que morava a mais de sete décadas após o aluguel do local quintuplicar e passar de 500 para 2.650 euros, em Madrid, na Espanha. É como se o aluguel passasse de R$ 2.962 para R$ 15.699,07, na cotação atual. Maricarmen foi retirada da casa nesta semana mesmo depois da história comover a Espanha e provocar uma série de protestos de ativistas que visavam manter ela dentro do imóvel.

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Tudo começou em 2018, quando o edifício onde fica o apartamento foi vendido a uma imobiliária. Conforme informações da CNN Portugal, o contrato do apartamento, na categoria de “renda mínima”, estava em nome do pai de Maricarmen e foi assinado em 1956, passando da esposa dele para a filha em 2008, com o falecimento de ambos os pais.

Houve, inicialmente, uma tentativa de conciliação por parte da imobiliária, dando a possibilidade de Maricarmen comprar o apartamento por 247 mil euros, o que equivale a pouco mais de R$ 1,4 milhão atualmente. Sem acordo, o aluguel, então, foi aumentada de 500 para 1.650 euros mensais, valor inferior aos 2.650 euros cobrados aos inquilinos de outros apartamentos.

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No entanto, para Maricarmen, pagar esse valor ainda era insustentável. Isso porque a pensão que ela recebia era de cerca de 1.450 euros. Foi então que a advogada da idosa, Beatriz Duro, entrou no caso, apresentando alternativas para os novos proprietários. No entanto, segundo ela, todas foram negadas, até mesmo o adiamento da data de despejo em pelo menos 15 dias.

O local, agora, será usado para ser o escritório temporário da presidente da região de Madrid, Isabel Díaz Ayuso.

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Indignação de manifestantes

Ação após ação, os agentes policiais cumpriram a ordem de despejo na última quarta-feira (23). No entanto, precisaram enfrentar uma multidão que se manifestou contra a saída da idosa do local.

Por mais de sete horas, 200 agentes tentaram entrar no edifício, com gás lacrimogêneo e bastões para tentar tirar os manifestantes do caminho.

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“Não acho que seja normal. Acho que é completamente desproporcional. Todos os recursos policiais que foram mobilizados e o uso da força a que recorreram parecem-me completamente desproporcionais e desnecessários. Além disso, estivemos a tentar negociar com os proprietários até ao último momento e recusaram categoricamente tudo. Por isso, penso que isto é simplesmente uma falta de humanidade e uma vergonha absoluta que todos estes recursos públicos tenham sido utilizados para realizar este despejo hoje”, disse a advogado ao site Sic Notícias, de Portugal.

Maricarmen, que é uma pessoa com deficiência, saiu do apartamento de cadeira de rodas e maca, e foi levada ao hospital para ser observada. Em um vídeo publicado nas redes sociais pelo Sindicato dos Inquilinos de Madrid, a idosa agradeceu as manifestações em seu apoio, mas lamentou que não conseguiu permanecer na casa.

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“A minha casa foi a minha vida e agora tenho de a deixar para trás. Mas isso não significa que não vá continuar a lutar”, disse no vídeo.

Apesar de ela já ter sido retirada da casa, novas manifestações acontecem a todo vapor na região no contexto da chamada crise da habitação que os ativistas destacam. Diversas autoridades do governo também se manifestaram, como a ministra da Habitação e da Agenda Urbana, Isabel Rodríguez, que acusou a presidente da Comunidade de Madrid de estender um “tapete vermelho” aos fundos especulativos.

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