Jovem gay que será indenizado em R$ 100 mil pelos pais parou de estudar após ser expulso de casa em SC

Jovem trabalha como operador de caixa em um supermercado no Rio Grande do Sul um ano após ser expulso da casa dos pais em Jaguaruna, no Sul de Santa Catarina, por ser gay

Compartilhe:
Jovem foi expulso de casa após pais não aceitarem relacionamento homoafetivo (Foto: TV Globo, Reprodução)

Jovem foi expulso de casa após pais não aceitarem relacionamento homoafetivo (Foto: TV Globo, Reprodução)

O jovem Emanuel Roque, que foi expulso de casa aos 17 anos pelos pais por ser gay, precisou parar de estudar por causa da rotina intensa e das dificuldades financeiras que enfrentou após ter que deixar o convívio familiar em Jaguaruna, no Sul catarinense. Na última semana, a Justiça de Santa Catarina determinou uma indenização de R$ 100 mil que deve ser paga pelos pais do rapaz por danos morais, violência, ameaças e abandono afetivo contra o próprio filho.

Continua após a publicidade

Atualmente, Emanuel mora com o companheiro, Jonathas, no Rio Grande do Sul. Ele, que agora tem 18 anos, trabalha como operador de caixa em um supermercado, conforme informações do g1. Para conseguir trabalhar, ele enfrenta longos deslocamentos de ônibus e, por isso, conta que precisou pausar os estudos. Dessa forma, planeja concluir o ensino médio em 2027.

Apesar disso, ele considera a autonomia financeira uma vitória após tantas dificuldades enfrentadas.

Continua após a publicidade

“Por menos que eu não tenha a vida financeira boa que eu tinha quando eu estava em casa, eu estou conseguindo conquistar minhas coisas com o meu dinheiro e com o meu suor”, disse.

Hoje, ele considera que é “muito mais feliz” morando com o namorado, se “sentindo realmente amado, podendo se quem eu sou”.

Veja fotos

Amizades no abrigo

Emanuel chegou até o abrigo depois de sofrer ameaças físicas do próprio pai com um alicate durante uma discussão, além de um episódio envolvendo uma arma.

“Botou [a arma] na minha cabeça e falou que ia me meter um balaço”, disse Emanuel.

Continua após a publicidade

Para além disso, o pai do jovem também teria feito publicações com conteúdo homofóbico nas redes sociais e ameaçado o namorado do jovem pela internet. Foi quando um amigo de Emanuel resolveu denunciar o caso ao Conselho Tutelar.

Os pais admitiram não aceitar a orientação sexual do filho e, segundo registros do caso, afirmaram que ele teria de deixar a própria casa se mantivesse o relacionamento. Pouco tempo depois, Emanuel foi acolhido em um abrigo municipal. Ele ficou no local por quase um ano, mas conta que pretende manter contato com as pessoas de lá pelo resto da vida.

Continua após a publicidade

“Naquela época tudo foi tão conturbado, mas foi um pouco feliz também quando conheci meu namorado e o pessoal do abrigo. Pela primeira vez, vi pessoas que realmente me deram apoio e conversaram comigo sobre o que eu poderia fazer”, disse.

Jovem se diz “em choque”, após condenação em R$ 100 mil

Foi o Ministério Público de Santa Catarina que ingressou com uma ação por abandono afetivo e violação de direitos. Entre as provas, estão publicações em redes sociais, registros de mensagens e depoimentos de testemunhas.

Continua após a publicidade

A Justiça, então, condenou os pais a pagarem R$ 100 mil por danos morais, com correção monetária e juros. Além disso, eles também não podem escrever sobre o filho nas redes sociais.

“Eu não sabia que ia ser tanto dinheiro. Quando saí de lá, acabei me desligando, não tenho muito conhecimento desse negócio jurídico e ainda estou um pouco em choque”, disse.

Continua após a publicidade

Os pais de Emanuel, Iremar Roque e Terezinha Aparecida da Silva Roque, por outro lado, negam as acusações. O Fantástico tentou contato com o casal e os advogados, mas não obteve retorno. A decisão da Justiça cabe recurso.