A mulher de 38 anos que se passou por uma adolescente de 12 anos e viveu com uma família por 14 meses em Joinville foi condenada a um ano, seis meses e 10 dias de reclusão, além de quatro meses e 18 dias de detenção, em regime inicial semiaberto. Os crimes considerados foram estelionato e falsa identidade. A sentença divulgada nesta quinta-feira (20) manteve a prisão preventiva e não concedeu o direito de recorrer em liberdade.
A condenação ocorre após a audiência de instrução e julgamento que aconteceu nessa quarta-feira (19), no Fórum de Joinville. Ao analisar o caso, o juiz considerou comprovado que Amanda Maria Souza de Oliveira agiu de forma consciente ao criar e sustentar uma identidade falsa para enganar as vítimas e obter vantagens materiais ao longo do tempo. Além disso, o juiz considerou os impactos emocionais e familiares, já que ela construiu um vínculo afetivo com as vítimas.
Ainda, conforme a decisão, a fraude possibilitou obter vantagem patrimonial após o custeio integral de sua subsistência durante o período de convivência com a família. A sentença destacou que ela criou e sustentou uma identidade fictícia, adotou comportamentos compatíveis com a condição de criança ou adolescente e apresentou explicações destinadas a afastar suspeitas sobre sua verdadeira condição.
A reportagem do portal NSC Total entrou em contato com a defesa de Amanda e aguarda retorno do posicionamento sobre o caso. O espaço segue aberto.
Caso de mulher de 38 anos que fingiu ter 12 foi descoberto em Joinville
A suspeita vivia com a família há cerca de 14 meses. A investigação apurou que a “menina” encontrou a família por meio de uma igreja do distrito de Pirabeiraba. No local pediu ajuda e contou que fugiu de casa porque era obrigada a se prostituir e tomar hormônios — o que, segundo ela, daria um visual maduro à sua aparência.
O delegado responsável pela investigação, Rodrigo Bueno Gusso, detalhou que, ao longo do período em que “Gabriele”, nome falso usado pela falsa adolescente, esteve na casa da família, ela negava ser adotada oficialmente e, para ocultar o real motivo, dizia que não queria que o “pai biológico” tomasse conhecimento da situação.
Do mesmo modo, a investigação apontou que ela entrava em “pânico” quando os pais adotivos falavam em matriculá-la em uma escola da região, para que a “menina” pudesse estudar regularmente. Em todas as tentativas, ela negou a oferta.
Segundo ele, a família foi enganada desde o início e se envolveu emocionalmente com a suspeita, sem desconfiar da farsa. Com idade entre 40 e 50 anos, os “pais” ficaram comovidos com a triste história e a abrigaram.
Durante o período, a falsa adolescente chegou a ganhar uma festa de aniversário ao “completar” 12 anos. Ainda, o delegado reforçou ao NSC Total que a família foi vítima desde o início.
— São vítimas, agiram de boa fé desde o início. Não dá para culpabilizar as vítimas nesse caso, a responsabilidade única é a da suspeita — afirmou o delegado na época.
Além do abrigo na casa em Pirabeiraba, a família arcou com um tratamento para obesidade para a “menina”, com o medicamento injetável tirzepatida, conhecido popularmente como Mounjaro.
Apesar da ausência de desconfiança dos “pais”, um parente da família desconfiou da situação, chegou a alertar a família e acionou a polícia. Ao chegar no endereço, parte dos familiares resistiram e não acreditaram na verdadeira versão do caso.
— No momento da prisão, quando nós nos encontramos com outros familiares, houve uma certa resistência por parte da família, não por todos, de que haveria um mal-entendido, né, uma interpretação errada da polícia, de que aquela pessoa realmente seria uma adolescente — conta o delegado.
Contudo, os agentes apresentaram os materiais da investigação que comprovaram o golpe. Durante o interrogatório, a falsa adolescente, de 37 anos, confessou integralmente o crime.
Após a realização dos procedimentos de praxe, a suspeita foi encaminhada ao presídio. A mulher ainda passou por exame psiquiátrico, mas o resultado não foi divulgado. O processo tramita em segredo de Justiça.









