A mulher de 37 anos que fingiu ser uma adolescente de 12, em Joinville, vai passar por exame psiquiátrico nesta sexta-feira (26), em Florianópolis. Amanda  Maria Souza de Oliveira foi presa por estelionato e falsa identidade no início do mês após se passar por uma jovem de 12 anos e enganar uma família da cidade.

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O exame será realizado pelo Departamento Médico Legal do município de Florianópolis, segundo a defesa de Amanda, representada pelos advogados Lucio Sousa e Sarita Henrique de Paiva. Anteriormente, Amanda era defendida por um defensor público, mas optou por mudar de representantes.

De acordo com Sousa, o exame está marcado para ocorrer nesta sexta-feira (26), conforme definido pela Justiça, mas ainda não há data para que o resultado seja apresentado. Entretanto, ele acredita que o parecer será emitido ainda no mês de julho.

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Outros diagnósticos psiquiátricos

Antes de passar pelo exame psiquiátrico em solo catarinense, porém, Amanda já havia recebido ao menos três diagnósticos quando estava no Rio Grande do Sul. Conforme informações obtidas pela RBS TV, Amanda teria recebido diagnósticos de transtorno factício, pseudologia fantástica e, mais tarde, de borderline.  

Enquanto isso, no processo do Rio Grande do Sul, que ocorre desde 2022, o documento obtido pela RBS TV narra que a “investigada recebeu atendimento psiquiátrico no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, sendo diagnosticada com Transtorno Facticio e Pseudologia Fantástica, sendo atestado que Amanda possui comportamento manipulador, trazendo à sociedade prejuízo considerável ao passar por diversas instituições de acolhimento, inclusive para menores, mobilizando diversos órgãos públicos, como Promotorias de Justiça, Forças Policiais, Serviços Sociais e de Saúde”, diz o MPRS. 

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A doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fernanda Palhares, ouvida pelo g1 RS, explica que um dos diagnósticos de Amanda, o transtorno factício, seria a falsificação de sintomas psicológicos e físicos.

— A motivação se dá por assumir um papel de fragilidade clínica ou psicológica onde os sintomas são geralmente convincentes. Os pacientes costumam buscar inúmeros profissionais e locais de atendimento, oferecendo relatos vagos e inconsistentes, o que pode ser verificado através de histórico médico. Costumam abandonar os tratamentos quando confrontados sobre a simulação — declarou ao g1.

Enquanto os dois diagnósticos foram feitos pelo Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em outro momento, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) fez testes e chegou ao resultado de que a mulher teria  transtorno de personalidade borderline.

— Pacientes com o transtorno não toleram estar sozinhos. Fazem esforços frenéticos para evitar o abandono, sendo comum se envolverem em situações de risco com a intenção de serem resgatados e cuidados. Importante destacar que, no borderline, as crises emocionais e impulsivas são reais e geradas pela desregulação do afeto e pelo medo de abandono — afirmou a doutora em Psicologia.

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Amanda chegou a ficar presa por seis meses no RS e, depois que foi solta, não foi mais encontrada. O processo estava paralisado desde então, mas deve ser retomado com a prisão dela em Joinville

Como o caso foi descoberto em Joinville

A suspeita vivia com a família há cerca de 14 meses. A investigação apurou que a “menina” encontrou a família por meio de uma igreja do distrito de Pirabeiraba. No local pediu ajuda e contou que fugiu de casa porque era obrigada a se prostituir e tomar hormônios — o que, segundo ela, daria um visual maduro à sua aparência. 

O delegado responsável pela investigação, Rodrigo Bueno Gusso, detalhou que, ao longo do período em que “Gabriele”, nome falso usado pela falsa adolescente, esteve na casa da família, ela negava ser adotada oficialmente e, para ocultar o real motivo, dizia que não queria que o “pai biológico” tomasse conhecimento da situação.

Do mesmo modo, a investigação apontou que ela entrava em “pânico” quando os pais adotivos falavam em matriculá-la em uma escola da região, para que a “menina” pudesse estudar regularmente. Em todas as tentativas, ela negou a oferta.

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Segundo ele, a família foi enganada desde o início e se envolveu emocionalmente com a suspeita, sem desconfiar da farsa. Com idade entre 40 e 50 anos, os “pais” ficaram comovidos com a triste história e a abrigaram.

Durante o período, a falsa adolescente chegou a ganhar uma festa de aniversário ao “completar” 12 anos. Ainda, o delegado reforçou ao NSC Total que a família foi vítima desde o início.

— São vítimas, agiram de boa fé desde o início. Não dá para culpabilizar as vítimas nesse caso, a responsabilidade única é a da suspeita — afirmou o delegado.

Além do abrigo na casa em Pirabeiraba, a família arcou com um tratamento para obesidade para a “menina”, com o medicamento injetável tirzepatida, conhecido popularmente como Mounjaro.

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Apesar da ausência de desconfiança dos “pais”, um parente da família desconfiou da situação, chegou a alertar a família e acionou a polícia. Ao chegar no endereço, parte dos familiares resistiram e não acreditaram na verdadeira versão do caso.

— No momento da prisão, quando nós nos encontramos com outros familiares, houve uma certa resistência por parte da família, não por todos, de que haveria um mal-entendido, né, uma interpretação errada da polícia, de que aquela pessoa realmente seria uma adolescente — conta o delegado.

Contudo, os agentes apresentaram os materiais da investigação que comprovaram o golpe. Durante o interrogatório, a falsa adolescente, de 37 anos, confessou integralmente o crime. 

Após a realização dos procedimentos de praxe, a suspeita foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville. Agora, ela é ré em um processo pelos crimes de estelionato e falsa identidade.

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