A família que “adotou” e cuidou por 14 meses de uma falsa adolescente, que na verdade tinha 37 anos, em Joinville, acreditou que a polícia estava enganada sobre a investigação. A mulher, que usava chupeta e mamadeira para enganar a família, foi acolhida, conseguiu abrigo e ganhou até uma festa de aniversário de 12 anos. Ela foi presa em flagrante nessa terça-feira (2).

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A suspeita vivia com a família há cerca de 14 meses, sob o nome falso “Gabriele”. A investigação apurou que a “menina” encontrou a família por meio de uma igreja do distrito de Pirabeiraba. No local pediu ajuda e contou que fugiu de casa porque era obrigada a se prostituir e tomar hormônios — o que, segundo ela, daria um visual maduro à sua aparência.

Veja fotos do caso

Falsa adolescente ganhou festa e tratamento com Mounjaro

O caso “surreal” foi comparado a um roteiro de filme pelo delegado Rodrigo Bueno Gusso. Com mais de 20 anos de carreira, o investigador conta que ainda não havia sido responsável por um caso como este.

Segundo ele, a família foi enganada desde o início e se envolveu emocionalmente com a suspeita, sem desconfiar da farsa. Com idade entre 40 e 50 anos, os “pais” ficaram comovidos com a triste história e a abrigaram.

Durante o período, a falsa adolescente chegou a ganhar uma festa de aniversário ao “completar” 12 anos. Ainda, o delegado reforçou ao NSC Total que a família foi vítima desde o início.

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— São vítimas, agiram de boa fé desde o início. Não dá para culpabilizar as vítimas nesse caso, a responsabilidade única é a da suspeita — afirmou o delegado.

Além do abrigo na casa em Pirabeiraba, a família arcou com um tratamento para obesidade para a “menina”, com o medicamento injetável tirzepatida, conhecido popularmente como Mounjaro.

Família não acreditou que caiu em golpe

Apesar da ausência de desconfiança dos “pais”, um parente da família desconfiou da situação, chegou a alertar a família e acionou a polícia. Ao chegar no endereço, parte dos familiares resistiram e não acreditaram na verdadeira versão do caso.

— No momento da prisão, quando nós nos encontramos com outros familiares, houve uma certa resistência por parte da família, não por todos, de que haveria um mal-entendido, né, uma interpretação errada da polícia, de que aquela pessoa realmente seria uma adolescente — conta o delegado.

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Contudo, os agentes apresentaram os materiais da investigação que comprovaram o golpe. Durante o interrogatório, a falsa adolescente, de 37 anos, confessou integralmente o crime. 

Após a realização dos procedimentos de praxe, a suspeita foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanecerá à disposição da Justiça. Ela deve responder pelos crimes de estelionato e falsa identidade.

“Modus operandi” da suspeita

Em contato com corporações de outros estados, a Polícia Civil de Joinville descobriu que a mulher é reincidente nessa modalidade criminosa, registrando antecedentes penais por golpes idênticos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

No Rio de Janeiro, por exemplo, ela foi presa na cidade de Nova Iguaçu em 2023. Conforme informações levantadas pelo g1 na época, a mulher também afirmava ter 12 anos e ser vítima de uma rede de prostituição e bruxaria. As vítimas acreditaram nas versões e a acolheram, alugaram uma casa para ela, compraram roupas, comida e até a levaram a sessões com psicólogos.

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*Sob supervisão de Leandro Ferreira