A mulher de 37 anos, que fingiu ser uma adolescente de 12, vai passar por exame psiquiátrico após ter sido presa em Joinville. Entretanto, um processo criminal movido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul demonstra que Amanda Maria Souza de Oliveira recebeu três diagnósticos quando ainda estava no estado gaúcho.
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Conforme informações obtidas pela RBS TV, Amanda teria recebido diagnósticos de transtorno factício, pseudologia fantástica e, mais tarde, de borderline.
Em Joinville, Amanda viveu com uma família de Joinville por cerca de 14 meses, sob o nome falso “Gabriele”. A investigação apurou que a “menina” encontrou a família por meio de uma igreja do distrito de Pirabeiraba. No local pediu ajuda e contou que fugiu de casa porque era obrigada a se prostituir e tomar hormônios, o que, segundo ela, daria um visual maduro à sua aparência.
Ainda no processo da cidade do Norte catarinense, a defesa de Amanda, representada pelo advogado Rafael Luiz Siewert, solicitou a aplicação de um exame psiquiátrico na mulher. Os testes estão marcados para ocorrer no final deste mês e serão realizados pela Polícia Científica.
Laudos da mulher que fingiu ser adolescente no RS
Enquanto isso, no processo do Rio Grande do Sul, que ocorre desde 2022, o documento obtido pela RBS TV narra que a “investigada recebeu atendimento psiquiátrico no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, sendo diagnosticada com Transtorno Facticio e Pseudologia Fantástica, sendo atestado que Amanda possui comportamento manipulador, trazendo à sociedade prejuízo considerável ao passar por diversas instituições de acolhimento, inclusive para menores, mobilizando diversos órgãos públicos, como Promotorias de Justiça, Forças Policiais, Serviços Sociais e de Saúde”, diz o MPRS.
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A doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fernanda Palhares, ouvida pelo g1 RS, explica que um dos diagnósticos de Amanda, o transtorno factício, seria a falsificação de sintomas psicológicos e físicos.
— A motivação se dá por assumir um papel de fragilidade clínica ou psicológica onde os sintomas são geralmente convincentes. Os pacientes costumam buscar inúmeros profissionais e locais de atendimento, oferecendo relatos vagos e inconsistentes, o que pode ser verificado através de histórico médico. Costumam abandonar os tratamentos quando confrontados sobre a simulação — declarou ao g1.
Enquanto os dois diagnósticos foram feitos pelo Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em outro momento, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) fez testes e chegou ao resultado de que a mulher teria transtorno de personalidade borderline.
— Pacientes com o transtorno não toleram estar sozinhos. Fazem esforços frenéticos para evitar o abandono, sendo comum se envolverem em situações de risco com a intenção de serem resgatados e cuidados. Importante destacar que, no borderline, as crises emocionais e impulsivas são reais e geradas pela desregulação do afeto e pelo medo de abandono — afirmou a doutora em Psicologia.
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Amanda chegou a ficar presa por seis meses no RS e, depois que foi solta, não foi mais encontrada. O processo estava paralizado desde então, mas deve ser retomado com a prisão dela em Joinville.
O que diz defesa
A defesa de Amanda informou que recebe com serenidade a denúncia apresentada pelo Ministério Público. “Cumpre destacar que, na mesma decisão em que recebeu a denúncia, o Magistrado determinou a suspensão do processo até a realização de exame pericial pela Polícia Científica, agendado para o dia 26 de junho de 2026. Assim, até que o laudo pericial seja concluído e juntado aos autos, o processo permanecerá suspenso, aguardando o resultado da perícia”, ainda destacou o advogado Rafael Luiz Siewert.
Confira a nota da defesa na íntegra
“Fui nomeado defensor dativo da investigada, uma vez que a Defensoria Pública não atua perante o Juízo de Garantias da Comarca de Joinville.
Após a análise dos autos e entrevista com a custodiada, a defesa identificou elementos que justificaram o pedido de realização de exame de sanidade mental. O requerimento foi acolhido pelo Juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliação de sua condição psíquica.
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Neste momento, a investigada permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado.
A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das circunstâncias relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis.
Por respeito ao andamento das investigações e aos direitos da investigada, não serão prestados comentários sobre o mérito dos fatos neste momento.”











