O piloto do balão de ar quente que caiu em Praia Grande, no Sul catarinense, em 2025, foi denunciado nesta segunda-feira (26) por homicídio culposo, por negligência e imprudência, e por lesão corporal culposa. A denúncia partiu do Ministério Público de Santa Catarina, que também danos morais aos 12 sobreviventes e as sucessores da cada uma das oito vítimas fatais.
O piloto também era o sócio administrador da empresa contratada pelas vítimas. Em outubro de 2025, um inquérito da Polícia Civil decidiu não indiciar ninguém, mas o Ministério Público não arquivou o caso e seguiu com a apuração.
Em novembro de 2025, a promotoria de Justiça da comarca de Santa Rosa do Sul pediu que fossem feitas várias diligências complementares, para que 16 quesitos fossem esclarecidos pela Polícia Científica. O laudo pericial complementar foi concluído em 22 de setembro de 2026.
Quem eram as vítimas do acidente do balão em Praia Grande
Resultado do laudo pericial
O laudo pericial complementar e os depoimentos de mais de 20 pessoas mostraram, segundo o Promotor de Justiça Ricardo Figueiredo Coelho Leal, que o piloto foi imprudente quando deixou um equipamento diferente daquele fornecido pelo fabricante dentro do cesto. O equipamento era destinado à produção de chama de alta temperatura e tinha capacidade de permanecer aceso sem atuação humana contínua.
Para o promotor, o piloto agiu de forma imprudente, também, quando abandonou o balão quando ele tocou o solo, soltando a fita usada para controlar o equipamento e manter a abertura superior do balão fechada. Isso impediria que o balão voltasse a subir.
Depois dessa ação, o balão voltou a subir rapidamente em chamas, com oito pessoas a bordo. Quatro delas saltaram do cesto e morreram por causa da queda, enquanto as outras quatro morreram carbonizadas.
Ao todo, 12 pessoas sobreviveram. Algumas pularam quando o balão tocou o solo, enquanto três foram arremessada para fora com o impacto. Três passageiros se feriram.
Para o Ministério Público, o piloto também foi negligente e imprudente por não ter verificado antes da decolagem a abertura da válvula do maçarico e a interrupção do fluxo de gás. O atraso no início da manobra de pouso forçado e o fato de ele não ter fechado todas as válvulas e linhas dos cilindros de propano depois que o incêndio tinha começado também foram citados na denúncia.
Com isso, o incêndio, segundo o MP, se propagou muito rápido, com a continuidade do fornecimento de gás.
“O incêndio, o pouso forçado, a retomada da ascensão do balão e o posterior colapso da estrutura constituíram a cadeia causal que resultou nas lesões corporais e nos óbitos”, disse o promotor.
Equipamento diferente do fornecido pelo fabricante do balão sem trava de segurança
No cesto, havia uma maçarico modelo 5IT, da marca Italgas, acoplado a um frasco de gás MAPP e destinado à produção de chama de alta temperatura. O equipamento era diferente do acendedor auxiliar fornecido pelo fabricante do balão Golfier G-32 e não possuía trava de segurança.
Além disso, o checklist operacional da própria empresa e as orientações do manual de formação de pilotos de balão também teriam sido contrariadas, com a falta de conferência dos itens e dos ignitores auxiliares mantidos dentro do cesto antes do voo.
“Nessas condições, manteve o maçarico acoplado ao frasco de gás MAPP no interior do cesto e deu início ao voo, sem eliminar previamente o risco decorrente da presença de fonte adicional de gás inflamável e de ignição no ambiente da aeronave. Assim, ao cair da mala de bordo e se alojar no cesto, houve o acionamento do botão de centelha provocando a ignição do gás liberado, e a chama atingiu a capa de cordura que revestia um dos cilindros de gás propano, dando início ao incêndio”, disse o promotor na denúncia.
Além disso, o piloto também não teria fornecido informações claras, adequadas e suficientes aos passageiros sobre o riscos da atividade, e que o operador e a aeronave não tinham qualificação técnica emitida pela Agência Nacional de Aviação Civil e nem, consequentemente, de garantia de segurança conferida por aquela autoridade aeronáutica.
O que acontece agora
A denúncia será analisa pela Justiça, que vai decidir se a recebe ou não. Depois, se for aceita, o piloto se tornará réu e vai ser citado para apresentar resposta à acusação.
O juiz também vai analisar a defesa e se o processo seguir, uma audiência será feita para ouvir as testemunhas e interrogar o acusado. Depois, seguirá para julgamento.









