Um técnico em enfermagem foi condenado a mais de 24 anos de prisão por esfaquear a companheira e mantê-la ferida em cárcere privado por dois dias em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. Na sentença, a Justiça destacou que a formação profissional do réu lhe dava maior consciência da gravidade das lesões e do dever de proteger a vida.
O julgamento ocorreu na quarta-feira (14), no Tribunal do Júri da comarca de Criciúma. O crime aconteceu em dezembro de 2025, quando o casal mantinha união estável há mais de 15 anos.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o homem estava sob efeito de substâncias entorpecentes e, após dias de fortes discussões, desferiu facadas no braço esquerdo e na perna direita da companheira.
A mulher também foi puxada pelos cabelos, ameaçada de morte e agredida com um bastão de madeira. Os golpes atingiram o rosto, as costelas, as costas e as pernas. Mesmo ferida, ela foi mantida em cárcere privado por dois dias.
Vítima de tentativa de feminicídio precisou de transfusão e cirurgia
A vítima ficou internada por 11 dias, recebeu transfusão de sangue e precisou passar por uma cirurgia no joelho direito. Uma lesão profunda provocou a ruptura do tendão patelar, que foi reconstruído durante o procedimento.
Ao analisar o caso, a Justiça ressaltou que o réu, por ser técnico em enfermagem, tinha maior consciência da ilicitude das ações e da gravidade dos ferimentos, além do dever de proteger a vida.
Técnico em enfermagem deverá permanecer preso
O homem foi condenado por tentativa de feminicídio com aumento de pena por ter sido praticada contra responsável por pessoa com deficiência e com emprego de meio cruel. A condenação também abrange os crimes de omissão de socorro, ameaça e cárcere privado.
O réu já respondia ao processo preso e deverá permanecer nessa condição, conforme a sentença.
A Justiça também determinou o pagamento de R$ 50 mil à vítima por danos morais, com juros e correção monetária. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina. O processo tramita em segredo de justiça.

