Um sobrevoo científico realizado na sexta-feira (25) e no sábado (26) registrou 185 baleias-francas entre Florianópolis, em Santa Catarina, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Ao longo de aproximadamente 700 quilômetros de litoral, pesquisadores do ProFRANCA/Instituto Australis identificaram 89 fêmeas acompanhadas de filhotes e sete adultos solitários.
A maior concentração foi observada nas enseadas da Ribanceira e de Ibiraquera, na região central da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca. Os animais, porém, apareceram ao longo de todo o trajeto. No litoral gaúcho, foram registradas 21 baleias.
“As baleias foram avistadas ao longo de todo o trajeto, sem muitas áreas de aglomeração”, afirmou Eduardo Renault, diretor de Projeto do ProFRANCA/Instituto Australis. Segundo ele, os animais vistos no Rio Grande do Sul e no extremo sul catarinense podem estar em deslocamento para a área de alimentação.
Setembro concentra o maior número de baleias-francas
Este foi o terceiro sobrevoo científico da temporada, realizado em parceria com a SCPAR Porto de Imbituba. Os anteriores registraram 59 baleias em julho e 173 em agosto. Para os pesquisadores, os resultados reforçam setembro como o pico da temporada reprodutiva no litoral brasileiro.
A equipe observou filhotes em diferentes estágios de desenvolvimento e adultos sem filhotes, cuja presença neste período não havia sido registrada da mesma forma em anos anteriores. Entre os animais avistados está uma rara fêmea semi-albina, que permanece na região com seu filhote.
A temporada de 2026 também teve a chegada mais antecipada de baleias-francas desde o início das pesquisas, há mais de 30 anos. Pesquisadores reencontraram animais já conhecidos e observaram mais fêmeas acompanhadas por indivíduos juvenis.
Esses reencontros são possíveis graças à fotoidentificação. Marcas naturais na cabeça de cada baleia permitem reconhecê-la em diferentes temporadas e acompanhar sua história reprodutiva. O catálogo brasileiro mantido pelo projeto reúne mais de 1.250 animais.
Segundo o ProFRANCA, o monitoramento contínuo ajuda a entender como a população de baleias-francas, que se recupera após o período de caça, responde às atividades humanas e às mudanças ambientais.









