Um grupo de 20 pinguins foi solto ao mar da Praia do Moçambique, na Capital catarinense, na última quarta-feira (28), como etapa final do processo de reabilitação dos animais. A colônia une pinguins que encalharam em diversas praias pelo estado e estavam sob cuidados da Organização Não Governamental R3 Animal. Confira o vídeo:
Desde o início do ano, dois outros grupos já haviam sido liberados pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). No total, são 61 aves resgatadas em Santa Catarina.
ONG registrou mais de 7 mil pinguins em Florianópolis
Em 2026, o PMP-BS/R3 Animal já registrou 7.093 pinguins-de-Magalhães em praias de Florianópolis, até o dia 28 de outubro. Desse total, apenas 289 estavam vivos no momento do resgate. O número assuta pelo aumento de mais de 5 mil ocorrências registradas ao longo de todo o ano de 2025.
Praias com maior número de ocorrências em 2026:
- Praia do Moçambique: 1.660 registros;
- Praia da Joaquina: 1.002 registros;
- Praia dos Ingleses: 763 registros.
Segundo a assistente técnica do PMP-BS/R3 Animal, Regina Reis, a predominância de animais mortos é um padrão observado todos os anos, mas é necessário avaliar as causas do aumento expressivo de casos.
“Não há uma única causa, muitas vezes, eles morrem em alto-mar por diferentes razões e são transportados pelas correntes marítimas até a praia, fazendo com que vários encalhes sejam registrados no mesmo dia”, explica.
Embora os números chamem a atenção, a R3 Animal afirma que a situação é considerada compatível com o período do ano. Durante os meses mais frios, os pinguins-de-Magalhães deixam suas colônias reprodutivas localizadas na Patagônia argentina e nas Ilhas Malvinas e acompanham as correntes marítimas em busca de alimento, chegando ao litoral brasileiro, principalmente às regiões Sul e Sudeste.
Segundo a técnica de monitoramento Mariê Loro, muitos dos animais que chegam às praias brasileiras são jovens e ainda sem experiência nas longas migrações.
— Muitos pinguins jovens e inexperientes chegam às nossas praias exaustos, caquéticos e hipotérmicos. Infelizmente, muitos não resistem à exaustiva jornada, e o registro de mortos acaba sendo alto — explica.
Os pinguins mortos são recolhidos e encaminhados para a necropsia para coletar amostras biológicas e investigar as causas da morte. Já os animais vivos são encaminhados ao Centro de Reabilitação da R3 Animal, onde recebem os cuidados necessários até o retorno à natureza.
O que fazer ao encontrar um pinguim?
A orientação para quem encontrar um pinguim depende da situação observada. De acordo com Mariê Loro, não é possível realizar resgate quando o animal está no mar, já que muitos permanecem próximos à costa enquanto nadam e se alimentam. O atendimento ocorre apenas quando o pinguim encalha na faixa de areia.
Nesses casos, a recomendação é não devolver o animal ao mar, não colocá-lo em contato com gelo, não tentar alimentá-lo nem tocá-lo, além de manter cães e outros animais domésticos afastados.
O resgate pode ser acionado pelos telefones (48) 3018-2316 e 0800 642 3341, ou pelo WhatsApp (48) 9104 5707, com atendimento diário das 7h às 17h.






