O homem que aparece em um vídeo agredindo um macaco-prego dentro do Parque Ecológico de Maracajá, no Sul de Santa Catarina, foi identificado pela Polícia Civil. O suspeito tem 22 anos. A jovem de 19 anos que supostamente registrou as imagens também foi identificada. Segundo a polícia, os dois serão investigados pelo crime de maus-tratos a animais silvestres, previsto no artigo 32, caput, da Lei Federal nº 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais.
O caso ganhou repercussão após o biólogo Victor Michels compartilhar o registro nas redes sociais na segunda-feira (10). Fundador do Instituto Marakinho, organização sem fins lucrativos sediada em Maracajá que atua na reabilitação e no cuidado de animais silvestres, Victor criticou a agressão e chamou atenção para a necessidade de respeito à fauna que vive no parque.
Nas imagens, um homem aparece próximo a um macaco-prego e, após atraí-lo, dá um tapa no animal. O vídeo provocou manifestações de indignação nas redes sociais e chegou ao conhecimento das autoridades.
PMA não havia registrado agressão semelhante
Segundo a capitã Brianna Tosetto de Souza, do 2º Pelotão da Polícia Militar Ambiental (PMA) de Maracajá, não havia registro de ocorrência semelhante no parque desde 2023, quando ela passou a atuar na região. “ A gente nunca teve ocorrência nesse sentido, pelo menos desde que eu tô ali, desde 2023”, afirmou.
Apesar disso, a aproximação dos macacos aos visitantes é uma situação que ocorre no local. Conforme a capitã, os animais costumam ir até as pessoas em busca de comida. “Às vezes o bicho vai atrás do alimento disponível ali”, explicou.
A prática de alimentar os animais, no entanto, não é permitida. De acordo com a PMA, o Parque Ecológico é administrado pela Prefeitura de Maracajá e possui placas e orientações para que os visitantes não ofereçam alimentos aos macacos. Ainda assim, segundo Brianna, algumas pessoas continuam alimentando os animais.
Prefeitura encaminhou imagens às autoridades
Em nota, a Prefeitura de Maracajá informou que tomou conhecimento das imagens divulgadas nas redes sociais e encaminhou o material às autoridades policiais e aos órgãos ambientais competentes para a apuração e identificação do responsável.
O município também informou que determinou o reforço imediato das ações de fiscalização preventiva e orientação aos visitantes no Parque Ecológico.
A administração municipal afirmou ainda que o episódio se trata de um ato de maus-tratos contra um espécime da fauna silvestre e reforçou o compromisso com a proteção animal e a preservação do espaço.
Instituto que fez denúncia atua com animais silvestres
Victor Michels é fundador do Instituto Marakinho, organização sem fins lucrativos sediada em Maracajá que atua na reabilitação e no cuidado de animais silvestres no Parque Ecológico.
Ao compartilhar o vídeo, o biólogo afirmou que a agressão “não é brincadeira” nem uma forma de interação com o animal. Na publicação, também destacou que os animais que vivem no parque devem ser respeitados e que a situação deveria ser apurada pelos órgãos competentes.
Victor também mencionou outros impactos enfrentados pela fauna silvestre, como perda de habitat e atropelamentos, e utilizou imagens da Faunativa, que realiza o monitoramento de animais atropelados na região de Criciúma.
