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    Senhor diretor

    5x5 marcas de Martin Scorsese

    Cinco listas com cinco pontos marcantes da obra do diretor

    16/11/2012 - 13h12 - Atualizada em: 16/11/2012 - 13h13

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    Por Redação NSC
    Cena do filme "Os Bons Companheiros"
    Cena do filme "Os Bons Companheiros"
    (Foto: )

    Poderiam ser seus cinco gêneros ou subgêneros preferidos, cinco usos marcantes de trilha sonora em seus filmes ficcionais, cinco frases inesquecíveis ou influências incontestáveis. A obra de Martin Marcantonio Luciano Scorsese, cineasta americano de ascendência italiana nascido no Queens, em Nova York, em 17 de novembro de 1942, é múltipla e aberta a inúmeras reflexões - e repleta de curiosidades, além de tudo. São 30 longas-metragens, de Quem Bate à Minha Porta? (1967) a A Invenção de Hugo Cabret (2011). Alguns deles, de tão bons, aparecem de maneira recorrente em qualquer lista que se faça. Outros ficam para trás - mas, mesmo entre estes, há muita coisa boa a ser descoberta. Confira:

    Filmes fundamentais

    - Táxi Driver (1976)

    Clássico sobre a alienação e as frustrações de um taxista comum - um "cavaleiro solitário" motorizado - e seus consequentes atos de violência na Nova York dos anos 1970. Com Robert De Niro, Cybill Shepherd e Jodie Foster.

    - Touro Indomável (1980)

    Vai ser difícil um filme sobre algum esporte superar a saga do desregrado boxeador Jake La Motta (De Niro) nesta cinebiografia filmada em preto e branco que venceu "apenas" os Oscar de melhor ator e montagem - merecia mais.

    - Os Bons Companheiros (1990)

    A sedução da criminalidade e suas leis próprias poucas vezes foram tão bem exploradas no cinema como nesta trama sobre os movimentos da máfia na Nova York pré-Rudolf Giuliani. Com Ray Liotta, Robert De Niro e Joe Pesci.

    - Os Infiltrados (2006)

    O filme que deu o Oscar a Scorsese, após oito indicações (seis a melhor diretor e duas a melhor roteiro), é um destaque da nova onda de títulos calcados na ação de espiões infiltrados. Com Leonardo DiCaprio e Mark Wahlberg.

    - A Invenção de Hugo Cabret (2011)

    Uma tocante homenagem ao primeiro sonhador do cinema, Georges Méliès, e também um inventivo exercício sobre as possibilidades de encantamento a partir das novas tecnologias como o 3D. Com Asa Butterfield e Chloë Moretz.

    Temas recorrentes que perpassam sua obra

    - A família acima de tudo

    Descendente de italianos, Scorsese estrutura sua dramaturgia, invariavelmente, em torno de núcleos familiares - a família, tradicional ou a da máfia, é uma instituição absolutamente sagrada.

    - A fé e a culpa católica

    Desde o martírio do personagem de Harvey Keitel em Quem Bate à Minha Porta? (1967), seu primeiro longa, o cineasta construiu uma obra na qual os valores da formação católica estão sempre em xeque.

    - A gênese da violência

    Os inúmeros atos de violência funcionam como causa ou consequência dos movimentos de seus personagens. Em compensação, Scorsese sabe ser um romântico, como mostrou em A Época da Inocência (1993).

    - Um homem contra todos

    O lugar do indivíduo na sociedade está na pauta de quase todos os seus filmes - em boa parte deles, o protagonista luta contra tudo e contra todos para obter seu espaço e poder usufruí-lo.

    - Para e pelo cinema

    Os documentários Minha Viagem à Itália (1999) e A Personal Journey with Scorsese Through American Movies (1995) resumem a cinefilia de Scorsese, além das muitas referências pontuais em seus longas de ficção.

    Filmes que resumem obsessões musicais

    - Woodstock: três dias de paz, amor e música (1970)

    Scorsese trabalhou como assistente de direção e montador no filme de Michael Wadleigh sobre o festival que mudou o curso da cultura pop.

    - O Último Concerto de Rock (1978)

    Já como diretor, assinou este memorável registro do show de despedida da The Band, que contou com antológicas participações de Neil Young e Bob Dylan, entre outros. O líder da banda, Robbie Robertson, tornou-se parceiro de Scorsese nas trilhas de seus filmes.

    - No Direction Home (2005)

    Scorsese abriu o baú de Bob Dylan para descrever a revolução que o artista promoveu nos anos 1960, sobretudo ao eletrificar sua folk music com a guitarra.

    - Shine A Light (2008)

    Os Rolling Stones são onipresentes nas trilhas de Scorsese. Ganharam dele este flagrante ao vivo espetacular.

    - George Harrison: living in the material world (2011)

    Um tributo ao músico com imagens inéditas da vida discreta e espiritual que Harrison procurou manter após a beatlemania.

    Aparições como ator em seus próprios longas

    - Táxi Driver (1976)

    De barba, terno e gravata, Scorsese é um homicida muito doido conduzido pelo taxista Travis Bickle (Robert De Niro) ao apartamento onde sua mulher o estaria traindo.

    - Touro Indomável (1980)

    Na sequência final, o cineasta interpreta um assistente que entra no camarim, interrompendo o monólogo de Jake La Motta (De Niro). Pelo espelho, o espectador apenas vê seu ombro, mas a voz de Scorsese é inconfundível.

    - O Rei da Comédia (1983)

    O diretor interpreta aqui um... diretor (de televisão). Dois anos mais tarde, em Depois de Horas (1985), ele apareceria como iluminador rodando um filme numa sequência dentro do Club Berlin.

    - A Época da Inocência (1993)

    O realizador faz uma ponta como um fotógrafo. O curioso é que, em A Invenção de Hugo Cabret (2011), ele também interpreta um retratista de outros tempos.

    - Gangues de Nova York (2002)

    Scorsese é Henry von Cataco (1809 - 1889), um rico proprietário de terras da época (na cena do quebra-quebra no jantar).

    Cenas memoráveis

    - Táxi Driver (1976)

    Travis Bickle (Robert De Niro), de moicano e jaqueta militar, despeja sua fúria por meio de uma pistola num final sanguinário. Ainda mais forte (segundo o próprio Scorsese, a sequência mais violenta que ele filmou) é a morte de Nicky (Joe Pesci), a golpes de taco de beisebol em Cassino (1995).

    - Touro Indomável (1980)

    O monólogo final de Jake La Motta (De Niro), citando frases de Sindicato de Ladrões (de Elia Kazan), fecha um filme recheado de sequências mpressionantes. E é também um dos grandes monólogos de seus personagens à frente do espelho (outros: DiCaprio repetindo "The way of the future", em O Aviador, e De Niro repetindo "Are you talking to me? em Táxi Driver).

    - Os Bons Companheiros (1990)

    O filme com o mais marcante plano-sequência de Scorsese (o do bar Copacabana) também tem uma cena inesquecível, tensa e divertida, na qual Tommy (Pesci) ameaça Henry (Ray Liotta) "de brincadeira" numa mesa de mafiosos. Em Caminhos Perigosos, outra grande cena de bar: a entrada em cena de Johnny Boy (De Niro) ao som de Rolling Stones.

    - A Época da Inocência (1993)

    A pudica imagem de Newland Archer (Daniel Day-Lewis) abrindo a luva de Ellen Olenska (Michelle Pfeifer) ganha a intensidade explosiva de uma cena erótica neste filme em que Scorsese, inspirado em clássicos dramas ambientados nos salões sofisticados das elites (Carta de uma Desconhecida, de Ophüls, e O Leopardo, de Visconti), reproduz com emoção contida o clima de repressão social da alta sociedade nova-iorquina do século 19.

    - Gangues de Nova York (2002)

    A épica batalha inicial impressiona, mas talvez esteja mais presente na memória a sequência de The Butcher (Day-Lewis) descobrindo que Amsterdan (Leonardo DiCaprio) é filho de um antigo inimigo que ele matou em combate.

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