Enquanto BYD e GWM dominam boa parte da conversa sobre carros chineses no Brasil, outra fabricante da China está montando uma operação menos barulhenta, mas ambiciosa. A GAC, sigla de Guangzhou Automobile Group, pretende produzir veículos em Catalão, em Goiás, a partir de 2027, em parceria com a HPE Automotores.
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O detalhe que chama atenção é justamente o local escolhido. A fábrica é conhecida por produzir modelos Mitsubishi no Brasil, mas o acordo não envolve a montadora japonesa. A parceria é entre GAC e HPE, empresa responsável pela operação industrial em Catalão.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, o plano da GAC prevê capacidade anual de até 50 mil veículos no Brasil. A marca também anunciou investimento de US$ 1,3 bilhão até 2030 para estruturar sua operação no país.
A chinesa que corre por fora
A GAC ainda não tem no Brasil o mesmo nível de reconhecimento de BYD e GWM, mas já chegou com uma estratégia ampla. A marca foi lançada oficialmente no país em 2025 e trouxe ao mercado modelos eletrificados como Aion V, Aion Y, Hyptec HT, GS4 Hybrid e Aion ES.
Desde então, a operação brasileira passou a ganhar novos capítulos. A empresa abriu centro de distribuição de peças, estruturou rede de concessionárias, anunciou planos de pesquisa e desenvolvimento e passou a falar em nacionalização.
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A diferença é que, no caso da GAC, o discurso não está restrito aos carros elétricos. A empresa trabalha com uma combinação que inclui modelos 100% elétricos, híbridos e veículos a combustão, além de tecnologias adaptadas ao mercado brasileiro.
Produção começa em 2027
A previsão anunciada pela GAC é iniciar a produção local em 2027. A capacidade projetada é de até 50 mil veículos por ano, número relevante para uma marca que ainda está em fase de construção de imagem no Brasil.
O modelo inicial de produção deve seguir o sistema CKD, em que os veículos chegam desmontados em conjuntos de peças e são montados localmente. Esse formato costuma ser usado por fabricantes que estão começando uma operação industrial em outro país antes de ampliar o nível de nacionalização.
A GAC, porém, tenta vender o projeto como algo maior do que uma simples linha de montagem. A empresa fala em desenvolver fornecedores locais, criar empregos qualificados e adaptar tecnologias ao perfil brasileiro.
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Veículos produzidos serão a combustão, híbridos e elétricos
O plano brasileiro inclui diferentes tipos de motorização. Um pedido ligado ao programa Mover, do governo federal, menciona o desenvolvimento de tecnologia REEV, sigla usada para veículos elétricos de autonomia estendida. Nesse tipo de sistema, o motor a combustão funciona como gerador de energia, enquanto a tração fica a cargo do motor elétrico.
A empresa também fala em sistemas flex para o mercado nacional. Esse detalhe é importante porque mostra uma tentativa de adaptação ao Brasil, onde o etanol segue como peça relevante na indústria automotiva.
Com isso, a GAC tenta ocupar um espaço diferente: não apenas importar elétricos prontos da China, mas construir uma operação capaz de dialogar com a infraestrutura, os combustíveis e os hábitos do consumidor brasileiro.
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O que ainda falta saber sobre a produção de carros da GAC no Brasil?
Apesar dos anúncios, ainda há perguntas sem resposta. A GAC não confirmou quais modelos serão produzidos primeiro em Catalão. Também não detalhou o cronograma de nacionalização de peças, nem quanto da capacidade de 50 mil unidades será usada no começo da operação.
Outro ponto em aberto é a aceitação da marca pelo consumidor brasileiro. A GAC tem força industrial na China e mantém parcerias globais importantes, mas ainda precisa construir reputação no Brasil, especialmente em pós-venda, peças e rede de concessionárias.





