Em março deste ano, São José do Cerrito iniciou a construção do primeiro protótipo de casa subterrânea (Foto: Onéris Lopes, Divulgação Amures)
Em São José do Cerrito, na Serra catarinense, um tipo de construção quase invisível guarda pistas de como viviam povos indígenas há mais de mil anos. No sítio arqueológico Rincão dos Albinos, 107 casas subterrâneas formam conjuntos que sugerem verdadeiras “vilas” pré-coloniais.
Continua depois da publicidade
O município recebeu, em 2021, o título de “Capital Nacional das Casas Subterrâneas”, devido aos sítios arqueológicos. As estruturas são associadas a povos do tronco Jê Meridional, como Kaingang e Xokleng.
Em março deste ano, a prefeitura de São José do Cerrito iniciou a construção do primeiro protótipo de casa subterrânea. A execução do projeto está a cargo de três integrantes da comunidade Xokleng. A proposta é usar o espaço para estimular o turismo e movimentar a economia local. Ainda não há previsão de quando o projeto deve ficar pronto.
Veja imagens da construção
1
São José do Cerrito começou a construir o primeiro protótipo de casa subterrânea indígena, modelo usado há cerca de 1,1 mil anos por povos como Kaingang e Xokleng (Foto: Onéris Lopes, Divulgação Amures)
Estrutura está sendo escavada a 1,60 metro abaixo do solo, em área escolhida após ritual da comunidade Xokleng, respeitando critérios culturais e espirituais (Foto: Onéris Lopes, Divulgação Amures)
Com 36 m² e formato circular, a casa vai integrar um complexo turístico que pretende transformar o município em referência no resgate da história indígena da Serra Catarinense (Foto: Onéris Lopes, Divulgação Amures)
Projeto é executado por indígenas da comunidade Laklãnõ Xokleng e deve servir de modelo para roteiros turísticos em áreas com sítios arqueológicos (Foto: Onéris Lopes, Divulgação Amures)
Região concentra mais de 100 estruturas subterrâneas pré-históricas, evidenciando a existência de antigas “vilas” indígenas organizadas em Santa Catarina (Foto: Onéris Lopes, Divulgação Amures)
Como eram as casas subterrâneas
As chamadas casas subterrâneas são estruturas escavadas no solo, geralmente em formato circular, com dimensões que variam, em geral, entre 2 e 10 metros de diâmetro e cerca de 0,5 a 2 metros de profundidade, conforme pesquisa da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).
A construção abaixo do nível do solo ajudava a proteger do frio intenso da Serra catarinense, além de reduzir o impacto do vento e da chuva, conforme os pesquisadores.
Continua depois da publicidade
Dentro dessas estruturas, arqueólogos já encontraram restos de fogueiras, ferramentas de pedra e fragmentos de cerâmica, indicando que eram utilizadas no cotidiano dos habitantes. Além disso, as casas costumam aparecer concentradas em uma mesma área, o que sugere uma ocupação organizada do território, semelhante a aldeias.
Veja fotos das casas subterrâneas
1
As marcas deixadas no solo revelam um sistema engenhoso de moradia (Foto: Unisinos, IAP. Reprodução)
Essas casas são um verdadeiro reconhecimento da diversidade cultural e ética (Foto: Unisinos, IAP, Reprodução)
Um dos principais sítios arqueológicos está na comunidade de Rincão dos Albinos (Foto: Portal de Turismo da Prefeitura de São José do Cerrito)
Uma réplica de uma casa subterrânea será construída, como forma de incentivar o turismo na região (Foto: Portal de Turismo da Prefeitura de São José do Cerrito)
Os estudos realizados revelaram que os primeiros assentamentos surgiram entre os séculos VI e XVII (Foto: Portal de Turismo da Prefeitura de São José do Cerrito)
As casas são atribuídas ao povoamento Jê Meridional ou, mais especificamente, aos grupos Kaingang e Xokleng (Foto: Onéris LopesAmures)