A grade de programação do SXSW 2026, maior evento de inovação e criatividade do mundo, começou com a reflexão sobre como a IA tem transformado as relações. Mas, conforme os dias avançaram, o foco do efeito evoluiu, para abordar mais sobre preparo e decisão das novas tecnologias. 

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Ao longo do evento, a NSC tem acompanhado as movimentações e tendências para os próximos anos. Um dos pontos principais abordados durante os painéis é que a tecnologia não é mais apenas uma tendência, para se tornar uma necessidade na infraestrutura das empresas. 

Na terça-feira (17), a programação do SXSW já está em processo de encerramento, e os diálogos ganharam outro tom. Agora, o festival foca em deixar ao público as reflexões que vão guiar a relação entre humanos e inteligências artificiais para os próximos anos. 

IA avança, mas exige estratégia, dados e governança

No painel Transformação da IA, riscos e estratégias de adoção (AI Transformation, Risks, and Adoption Strategies), Michelle K. Lee, fundadora da Obsidian Strategies e ex-chefe do escritório de patentes dos Estados Unidos, trouxe uma leitura pragmática sobre o estágio atual da inteligência artificial.

A especialista comentou que a tecnologia já é aplicada em situações reais, como previsão de demanda e automação de análises em seguradoras, o que gera impacto direto em receita e eficiência operacional.

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— Identificar as oportunidades certas para utilizar a IA não é tarefa simples. E mesmo quando você as identifica, ainda precisa superar desafios organizacionais de talento, cultura e resistência à mudança — comenta  especialista. 

Ao mesmo tempo, Michelle alertou para riscos concretos, como alucinações em modelos de linguagem, deep fakes, ou seja, os conteúdos gerados em IA que parecem reais, e vieses algorítmicos, além de questões relacionadas à regulação.

— Nossas leis foram desenhadas para o passado e o presente, não para o futuro. E levará tempo para que elas se tornem mais claras — disse.  

Segundo ela, o principal fator de sucesso é a capacidade das organizações de lidar com pessoas, processos e dados.

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Consistência é maior diferencial na economia criativa

Durante um painel sobre criatividade e artistas independentes, o rapper Russ conversou com a consultora estratégica e ex-CEO da TuneCore, Andreea Gleeson. Eles abordaram a importância de ter consistência, especialmente no mercado da criatividade.

Russ compartilhou a trajetória de construção de carreira independente. Segundo ele, o próprio  crescimento veio da produção contínua e da criação de um catálogo robusto ao longo do tempo.

— Sucesso, de fora, parece um grande momento. Mas é só consistência que sobreviveu tempo suficiente para acumular. São 15 anos lançando músicas e construindo um catálogo — afirmou Russ.

A discussão também abordou a importância da conexão com o público. Segundo Andreea Gleeson, há uma diferença clara entre produzir conteúdo e construir relacionamento.

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— O que eu observei é que os artistas bem-sucedidos não fazem apenas conteúdo, eles se conectam. São duas coisas muito diferentes — disse. 

IA muda o comportamento e pressiona o marketing

No painel Mudança no comportamento do consumidor: como as marcas devem se adaptar (Changing Consumer Behavior: How Brands Must Adapt), Grace Kao, CMO do Snap Inc, trouxe um dos pontos centrais do dia: a inteligência artificial já mudou a forma como as pessoas consomem l, e isso exige uma resposta das marcas.

Com agentes de IA no intermédio das decisões, a jornada de compra não é mais linear e passou a a envolver sistemas que pesquisam, comparam e recomendam produtos. Ao mesmo tempo, a executiva alertou para o risco da perda de significado em meio ao excesso de conteúdo.

— As pessoas ainda amam grandes histórias e ainda querem acreditar no que compram. A pergunta que todo profissional de marketing deveria fazer é: estamos surpreendendo alguém? Ou estamos apenas enviando excesso de spam à nossa audiência? — comenta Grace Kao.

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Games ampliam o papel da música e criam novas formas de consumo

No painel Como a música nos games está reescrevendo a trilha da cultura (How Music with Games is Rewriting the Soundtrack of Culture), especialistas discutiram como os jogos digitais se tornaram plataformas de descoberta e distribuição cultural. Matheus Fonseca, cofundador de uma das principais plataformas ligadas ao universo Minecraft, disse que música e games deixaram de competir por atenção.

— Não precisamos fazer as pessoas escolherem entre música e game. A descoberta foi que elas fazem os dois ao mesmo tempo. Essa foi nossa epifania — afinou o profissional. 

Joseph Perla, fundador do Hangout FM, reforçou ainda que a experiência se torna mais potente quando compartilhada, o que amplia o vínculo entre usuários e conteúdo.

SXSW se aproxima do fim com foco em decisão

Com o encerramento próximo, o SXSW 2026 deixa o recado de que a tecnologia já avançou. O que está em jogo agora é decidir o que será feito com o que já está disponível.

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Entre inteligência artificial, comportamento e novas dinâmicas de consumo, o evento aponta para um cenário em que inovação depende de capacidade técnica e de clareza estratégica.

A presença da NSC no evento conta com o patrocínio de Rudnik e F/BRAVE.

Acompanhe o NSC Total para conferir os detalhes do evento.