Uma das praias mais famosas de Florianópolis, conhecida por ser reduto dos surfistas devido às suas ondas, tem na lenda — contada em diferentes versões — a explicação para a origem do seu nome. A praia da Joaquina, no Leste da Ilha, ganhou fama na década de 1970, já foi considerada parte da praia do Campeche e hoje é uma das mais famosas da Capital catarinense.
Continua depois da publicidade
A lenda que dá o nome a praia faz parte de uma construção identitária dos moradores da região, muitos deles ainda habitam a área entre o final da avenida das Rendeiras, no acesso à Praia Mole e a Barra da Lagoa, e depois na avenida que leva até a praia da Joaquina. É o que explica o historiador e museólogo Francisco do Vale Pereira, integrante do Núcleo de Estudos Açorianos (NEA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Fotos mostram como é a praia da Joaquina
Segundo a tradição oral, Joaquina — a mulher que teria dado nome a praia — seria moradora da região, rendeira e benzedeira, que tinha contato com a vida próxima do mar e da terra, em cultivos de chás e ervas para o cuidado da saúde. Os moradores, muitos nativos da região, sabiam da existência dessa mulher chamada “Joaquina” e o nome acabou sendo reforçado pelos surfistas que passaram a frequentar a praia para a prática do esporte.
Diferentes versões da lenda se disseminaram ao longo dos anos. A principal seria de que essa mulher teria desaparecido no mar.
Continua depois da publicidade
— A lenda conta dessa pessoa que morava ali e que por um descuido, por uma fatalidade, foi talvez engolida pelo mar. E nunca mais voltou, nunca mais apareceu. Aí atribui-se o nome da praia a essa lenda da Joaquina, dessa pessoa. Depois uns extrapolaram um pouco criaram essa onda de ser uma mulher muito bonita, que andava pela praia — relata o historiador.
Outras lendas contam que a mulher vivia na região e ajudava a quem passasse por ali, por se sentir “dona” do local.
— Diz até na história que o pai da Joaquina, que era proprietário de uma grande extensão de terra naquela região cuidava daquilo ali, vivia ali — afirma.
Transformação da praia da Joaquina
A explosão de frequentadores para a prática de surf foi o que trouxe fama para a praia da Joaquina a partir da década de 1970. A descoberta do local de ondas perfeitas e praia preservada trouxe um maior número de frequentadores para a região, especialmente a partir de 1976, data marcada pelo campeonato de surf “Rock, Surf e Brotos”.
Continua depois da publicidade
— Esse campeonato que trouxe então toda a magia, toda a especificidade, todas as características e tudo aquilo que envolve aquela praia chamada de praia da Joaquina — conta.
Historicamente, a praia da Joaquina era considerada parte da praia do Campeche, mais ao Sul, sendo que não há nenhuma divisão geográfica entre os dois locais, e somente o entendimento de que aquela porção próxima ao costão se chama Joaquina, semelhante ao que acontece com a Barra da Lagoa e o Moçambique.
A região era usada por pescadores como um ponto de apoio, já que pelo canto, encostado ao costão, era mais fácil entrar ou sair com os barcos por estar protegido dos ventos. Os moradores do distrito de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa foram aos poucos povoando a região e criando a estrutura para a pesca e vivência no local.
— Ali tudo é um parque natural, uma área de preservação permanente das Dunas da Lagoa, que vão entre a Lagoa da Conceição até a Joaquina e boa parte do Campeche — pontua o historiador.
Continua depois da publicidade
Francisco também conta que toda a área, desde o costão da praia da Joaquina, até chegar na Praia Mole, possui vestígios da vida indígena. Depois vieram os portugueses e os moradores do arquipélago dos Açores que povoaram toda a Ilha de Santa Catarina.






