A Clickbus, uma das maiores empresas de marketplace de passagens rodoviárias do Brasil, entrou novamente na mira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Isso porque a gigante das estradas pode ter descumprido um acordo assinado em 2022, segundo a Superintendência-Geral, com provas obtidas por meio de conversas de WhatsApp, conforme nota técnica do Cade. As informações são do colunista Rennan Setti, do O Globo.

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O acordo que pode ter sido descumprido se chama Acordo de Controle de Concentrações (ACC), e foi uma condição para a aprovação pelo Cade da aquisição da J3 Logística pela ClickBus. Uma das cláusulas do acordo não permitia que a empresa promover contratos de exclusividade com viações de ônibus ou outras plataformas do meio.

Conforme conversas obtidas pelo órgão, a ClickBus, no entanto, teria solicitado a trabalhadores de uma companhia de ônibus informações sobre o faturamento obtido com cada uma das concorrentes da gigante das estradas. Em troca, a ClickBus ofereceria descontos na comissão cobrada.

Para o Cade, a ClickBus alegou que o órgão analisou e interpretou o material de forma “equivocada”, “que a levaram a levantar dúvidas quanto à integridade dos documentos apresentados e transcreveu exatamente o áudio no qual o representante da viação informa sobre o envio das planilhas de faturamento com as concorrentes”. A empresa ainda disse que o Cade não se atentou ao fato de que “a iniciativa de desativar os outros canais, utilizando apenas a plataforma da Bus Serviços, partiu da própria viação”.

A ClickBus ainda afirmou que os trabalhadores solicitaram as informações sobre o faturamento para estabelecer “parâmetros objetivos para informar quais poderiam ser as condições comerciais decorrentes do volume de vendas da empresa, permitindo que a própria viação decidisse, enfim, de forma autônoma e independente, se para ela faria sentido concentrar suas vendas em uma plataforma ou em outra”.

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O Cade, no entanto, afirmou que a relação entre a ClickBus e a empresa de ônibus “não foi baseada em critérios objetivos e não discriminatórios/isonômicos, que pudessem ser aplicados a qualquer outra viação”. Para o órgão, a transferência sobre o faturamento das empresas concorrentes criou “incentivos para que a viação passasse a contratar somente com as compromissárias (ClickBus e J3), o que configura descumprimento da cláusula“.

Em nota à coluna do O Globo, a ClickBus afirmou que “todos os compromissos assumidos pela ClickBus foram integralmente cumpridos, conforme constatado, reiteradamente, pelo verificador independente nomeado pelo próprio Cade.”

O que é a ClickBus

A ClickBus, atualmente, funciona como a maior plataforma de venda de passagens rodoviárias. A plataforma atende mais de 300 mil rotas, com mais de 300 viações e mais de 62 milhões de bilhetes emitidos.

A empresa também opera a tecnologia de mais de 85 viações de ônibus e 50 terminais rodoviários como nos terminais Tietê, Barra Funda e Jabaquara na cidade de São Paulo, além de outras cidades como Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza.

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