Conchas encontradas em uma pequena cidade no interior de Santa Catarina, a 160 quilômetros de distância da praia mais próxima, mostram que Taió um dia já foi mar. Os estudos sobre as chamadas Heteropecten catharinae indicam que elas têm cerca de 290 milhões de anos. Ou seja, naquele tempo, o município do Alto Vale do Itajaí era simplesmente coberto por água.

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Os inúmeros itens achados na cidade estão no Museu Paleontológico, Arqueológico e Histórico Prefeito Bertoldo Jacobsen (MUPAH). São pelo menos 1,5 mil peças doadas pelos próprios moradores de Taió para compor o acervo, conta o museólogo João Pedro Rodrigues, que trabalha no local. E assim, a casa amarela que um dia já serviu de hospital, virou um reduto da história local.

— Desde 1904 paleontólogos pesquisam a região e por várias décadas eles encontraram essas conchas,
mostrando que algum momento aqui foi mar. O mais incrível é que esse conjunto de conchas só existe aqui na região e em uma parte de Austrália — conta o museólogo João Pedro Rodrigues.

No museu em Taió também é possível encontrar o fóssil de um Mesosaurus tenuidens encontrado na região. É um pequeno réptil aquático do Permiano Inferior, ocorrido há aproximadamente 280 milhões de anos. Ele é apontado como peça-chave para provar a teoria da deriva continental, pois seus fósseis são encontrados apenas no Brasil, na Bacia do Paraná, e na África do Sul.

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Segundo o museólogo, as descobertas são fruto de uma pesquisa consolidada que passou por cinco gerações de paleontólogos de instituições renomadas como a Universidade de São Paulo e a Universidade de Santa Catarina. Ele recorda, inclusive, que um desses estudiosos, o Dr. Hugo Schmidt Neto, tem uma teoria de que ali não era mar e tem um motivo para isso:

— A tese mais provável, de acordo com ele, era ser uma costa, um lugar de quebra de onda. E com o movimento das águas os sedimento do fundo do mar acabaram cobrindo as conchas sem destruí-las. Com o tempo, ela calcifica, vira pedra e aí mantém tanto as formas quanto as conchas em si.

Hoje, todo o material está à disposição do público. As visitas espontâneas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30min e 17h30min. Já as visitas mediadas para grupos escolares, universitários e turistas precisam podem ser agendadas pela internet. O museu fica na Rua Coronel Feddersen, 111, no bairro do Do Seminário, em Taió.