A história do Apiário Três Coqueiros, no interior de Maravilha, no Oeste de Santa Catarina, começa muito antes de qualquer certificação ou reconhecimento nacional: o início foi ainda na década de 1960, quando o avô da família Lüneburger deu início a uma atividade que atravessaria gerações e que hoje sustenta, orgulha e projeta o nome da família para além das divisas do Estado.
Continua depois da publicidade
Mais de meio século depois, o legado segue vivo nas mãos do produtor Verno Luiz Lüneburger, do filho Vanderson e da família, que transformaram o que era tradição em uma agroindústria estruturada, premiada e, agora, certificada com o Selo Arte.
Produção de mel passou de geração em geração
Foi ainda criança que Verno teve o primeiro contato com as abelhas. Ao lado do avô, aprendeu que produzir mel vai muito além da colheita.
Continua depois da publicidade
— Essa atividade começou com o meu avô, lá nos anos 60. Foi ele quem iniciou tudo. E desde pequeno eu aprendi com ele que o mel precisa ter qualidade. Sem isso, não se conquista mercado — relembra.
A atividade passou de geração em geração e, hoje, já desperta o interesse do filho, que acompanha de perto a rotina no apiário, repetindo um ciclo que parece natural dentro da propriedade.
Continua depois da publicidade
Do bruto ao produto final
Por muitos anos, a família produzia mel e vendia para terceiros. Foi com incentivo técnico que surgiu a virada de chave: agregar valor ao produto.
— A gente começou vendendo mel para uma empresa. Depois, com orientação, decidimos montar a agroindústria e começar a embalar o próprio mel — conta Verno.
Continua depois da publicidade
O caminho, no entanto, esteve longe de ser simples. Na época, faltavam referências e modelos. O projeto da agroindústria precisou ser desenvolvido praticamente do zero, enfrentando burocracias, exigências sanitárias e desafios técnicos.
— Foi difícil. Não tinha modelo, não tinha base. Tivemos que fazer tudo para aprovar planta, construção… mas a gente foi insistindo e fazendo acontecer — lembra.
Continua depois da publicidade
Qualidade como base de tudo
Hoje, a produção chega a cerca de 5 mil quilos de mel por ano. Cada etapa, da colheita ao envase, segue um padrão rigoroso, resultado de anos de aprendizado e, mais recentemente, do acompanhamento técnico especializado.
Continua depois da publicidade
— O processo é longo. Não é só colher o mel. É um trabalho o ano inteiro, com cuidado em cada detalhe. A qualidade precisa ser trabalhada desde o início — destaca o produtor.
A propriedade também passou por melhorias no manejo, incluindo a adoção de técnicas como a transição para colmeias padrão e o uso de genética selecionada, com apoio de programas da Epagri.
Continua depois da publicidade
Apoio técnico e evolução
Nos últimos anos, a participação na Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Sistema Faesc/Senar, foi determinante para elevar o nível da produção e da gestão da agroindústria. O atendimento ocorreu por meio das áreas de Apicultura e Agroindústria do Mel, com suporte direto de técnicos e acompanhamento contínuo.
— Esse projeto ajudou muito. Trouxe orientação, organização e fez a gente entender melhor todo o processo. Foi essencial para chegar até aqui — afirma.
Continua depois da publicidade
Reconhecimento que impulsiona
Antes mesmo do Selo Arte, a qualidade do mel produzido pela família já havia chamado atenção em nível nacional. Em 2024, o Apiário Três Coqueiros conquistou o terceiro lugar na categoria mel claro no Prêmio CNA Brasil Artesanal. O impacto foi imediato.
— Depois da premiação, a procura aumentou bastante. As vendas cresceram e a produção começou a trabalhar no limite — relata Verno.
Continua depois da publicidade
O selo que abre portas
A conquista do Selo Arte, oficializada em abril, representa um novo momento para a família. A certificação permite a comercialização dos produtos em todo o território nacional, ampliando o mercado e as possibilidades de crescimento. O processo exigiu adequações sanitárias e estruturais, além de acompanhamento técnico constante. Para o produtor, o resultado vai além do reconhecimento.
— É uma conquista da família. Veio pela qualidade do nosso trabalho e por tudo que a gente construiu ao longo dos anos — cita.
Continua depois da publicidade
Mel ajudou a pagar as contas da família
Apesar dos avanços, a rotina segue exigente. A apicultura divide espaço com outras atividades da propriedade, como lavoura e produção de leite, formando três fontes de renda que se complementam. Nos últimos períodos, inclusive, o mel ajudou a equilibrar as contas.
— Teve momentos em que outras atividades tiveram dificuldade, e o mel ajudou a sustentar — diz.
O principal desafio hoje é a falta de mão de obra, o que já faz a família pensar em ajustes futuros.
— A ideia é, nos próximos anos, focar mais em uma ou duas atividades. E a agroindústria do mel é prioridade — projeta.
Continua depois da publicidade
Um ciclo que continua
Enquanto planeja o futuro, Verno observa com satisfação o interesse do filho pela atividade, um sinal de que a história iniciada lá atrás ainda tem muitos capítulos pela frente.
— Tem que gostar e se dedicar. Não é simples, é um trabalho de um ano inteiro. Mas quando a gente vê o resultado, vale a pena — conclui.
Continua depois da publicidade











