Uma ampla revisão científica aborda o real potencial terapêutico do Foeniculum vulgare Mill, popularmente conhecido no Brasil como funcho. O estudo, que compilou décadas de pesquisas globais, valida o uso da planta no tratamento de mais de 40 tipos de problemas de saúde, abrangendo os sistemas digestivo, endócrino, reprodutor e respiratório.

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De acordo com o levantamento realizado por pesquisadores do Departamento de Bioquímica do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde Reprodutiva da Índia, o funcho deixou de ser visto como um ingrediente apenas culinário para se tornar uma planta medicinal que pode ser fonte para a biologia farmacêutica.

Segundo a pesquisa “Foeniculum vulgare Mill: A Review of Its Botany, Phytochemistry, Pharmacology, Contemporary Application, and Toxicology, a planta contém compostos como flavonoides, ácidos graxos e aminoácidos, que apresentam eficácia em propriedades antivirais, anti-inflamatórias e até de melhoria da memória.

Ajuda contra o inchaço

O estudo científico aponta ainda que o funcho funciona como um potente diurético natural. Isso acontece porque os componentes da planta estimulam os rins a trabalharem de forma mais eficiente, aumentando a filtragem do sangue. Na prática, o funcho ajuda o corpo a expulsar o excesso de sódio e água através da urina. É esse processo que combate a retenção de líquidos, ajudando a murchar aquela sensação de “corpo pesado” e reduzindo o inchaço visível nas pernas, mãos e abdômen.

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Além de ajudar a eliminar o líquido acumulado, a planta também atua na raiz do problema ao reduzir inflamações no organismo, segundo o estudo. Os nutrientes presentes na planta protegem os vasos sanguíneos e evitam que os líquidos “vazem” para os tecidos, o que é uma das principais causas do inchaço.

Benefícios comprovados

A investigação destaca que o extrato de funcho possui uma forte atividade estrogênica e galactogênica, sendo utilizado há milênios para aumentar a secreção de leite em mães lactantes. Cientificamente, acredita-se que o anetol — principal componente da planta — compita com a dopamina para liberar a prolactina, hormônio responsável pela produção do leite.

Além disso, o estudo aponta avanços na área oncológica. Experimentos indicaram que o anetol pode aumentar o tempo de sobrevivência e reduzir o peso de tumores em modelos de estudo, sugerindo que o funcho pode ser considerado um recurso natural de agentes antitumorais.

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Segurança e nutrição

No campo nutricional, o funcho surpreende por superar frutas populares em diversos índices. Ele contém mais cálcio (49 mg/100g) do que maçãs, bananas e uvas. O relatório também afirma que, com base em ensaios clínicos limitados, o uso crônico da planta não se mostrou prejudicial à saúde humana nas doses recomendadas.

Para o sistema digestivo, o funcho atua na regulação da motilidade dos músculos do intestino e na redução de gases, sendo indicado para o tratamento de colites crônicas e distúrbios gastrointestinais espásticos.