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    VENENOSOS

    Acidentes com animais peçonhentos crescem 47,8% nos últimos quatro anos em SC

    Neste período o Centro de Informações Toxicológicas de SC registrou 13 mortes, seis delas apenas em 2018 

    29/08/2019 - 11h22 - Atualizada em: 30/07/2020 - 09h16

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    Por Camila Levien
    Destaca-se um crescimento de 84,02%  nas ocorrências com escorpiões e de 87,5% com lagartas, ambas sem registros de mortes
    Destaca-se um crescimento de 84,02% nas ocorrências com escorpiões e de 87,5% com lagartas, ambas sem registros de mortes
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    Os casos de acidentes com animais peçonhentos em Santa Catarina cresceram 47,8% e causaram 13 mortes nos últimos quatro anos. Os dados são resultado de um levantamento feito pelo Centro de Informações Toxicológicas de SC (CIATox/SC) a pedido da reportagem do Diário Catarinense.

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    O relatório leva em conta ocorrências com aranhas, serpentes, escorpiões, lepidópteros (lagartas) e himenópteros (abelhas, formigas e marimbondos). Dentre esses, destaca-se os casos com aranhas, com um incremento de 50,5% no número de ocorrências que resultaram em duas mortes no ano passado.

    José Hortêncio Martins Júnior, 26 anos, é parte destas estatísticas. Morador do bairro Caieira, na região Sul da Ilha, em Florianópolis, ele conta que já é rotina encontrar aranhas dentro de casa e até mesmo cobras no pátio. Há aproximadamente dois anos, José foi parar no hospital após ser picado por um aracnídeo.

    O caso aconteceu quando revirava algumas coisas guardadas. Ao sentir uma ardência na mão, percebeu que havia sido picado e, quando viu a aranha, a matou. Em seguida foi para a emergência de um hospital a levando consigo.

    Ele permaneceu 48 horas em observação e depois foi liberado. Foi um susto. Por isso, a convivência constante com animais peçonhentos é motivo de preocupação para o pai de dois filhos, um menino de quatro anos e uma menina de um ano.

    José Hortêncio foi picado por uma aranha há dois anos e foi levado
    José Hortêncio foi picado por uma aranha há dois anos e foi levado
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    — Há pouco tempo estávamos indo dar banho na nossa bebê e, ao ir pegar a toalha para secá-la, havia uma grande aranha marrom. Foi um susto, mas conseguimos pegá-la e ainda bem ninguém se machucou. Depois disso, eu comecei a pesquisar e agora pretendo comprar uma galinha garnizé para manter no pátio, que deve ser uma predadora natural desses animais — diz Júnior.

    Além dos casos de acidentes com aranha, destaca-se um crescimento de 84,02% nas ocorrências com escorpiões e de 87,5% com lagartas, ambos sem registros de mortes.

    O CiaTox cita animais peçonhentos encontrados em SC: algumas espécies de serpentes, como jararacas e corais, aranhas, especialmente marrom e armadeira, escorpiões amarelos e marrons e, por fim, lagartas, com destaque para taturana hemorrágica.

    Ocorrências aumentam no verão

    A bióloga do CiaTox Taciana Seemann explica que esse aumento pode ser atribuído a uma combinação de dois fatores: o crescimento da população durante o verão no Estado e o período de maior movimentação desses animais - os dois ocorrem na época mais quente do ano e mais movimentada no litoral.

    — Nos meses quentes esses animais estão mais ativos, pois aumentam seu metabolismo e se alimentam com mais frequência, saem mais de seus abrigos para troca de calor e é também nesses meses que ocorre o período reprodutivo das espécies, principalmente das serpentes — afirma Seemann.

    O número de ocorrências muda drasticamente ao compararmos os períodos de inverno e verão. No caso das aranhas, em 2018, o valor passou de 761 entre junho e julho para 2.113 de novembro a dezembro, um aumento de 177%. O mesmo nota-se com as serpentes, de maneira ainda mais intensas, as ocorrências vão de 139 a 656 na comparação do mesmo período, um acréscimo de 371%.

    A bióloga ressalta que o fator meteorológico também é influenciado por uma mudança de comportamento da população, pois nessa época é comum que se busque mais atividades ao ar livre, ampliando a facilidade de encontrar esses animais.

    — No ambiente rural o calor também acelera o crescimento da vegetação, expondo ainda mais o trabalhador/agricultor em suas atividades no cuidado com a lavoura/plantações. Além disso, a população também fica mais exposta, realizando mais atividades ao ar livre, como trilhas, passeios em parques, piqueniques — diz Taciana.

    Cuidados que devemos ter

    Por isso, recomenda-se que o público adote alguns cuidados ao realizar atividades externas, como usar calçados fechados e luvas de couro no meio rural e na jardinagem.

    Nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, pontos ocos de árvores, cupinzeiros e entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras.

    Além disso, ao se deparar com serpentes, mesmo mortas, não se deve tocá-las, pois por descuido ou inabilidade há o risco de ferimento pelas presas venenosas.

    Em casa outras atitudes são citadas, como por exemplo, tampar as frestas e buracos das paredes e assoalhos, descartar lixo, entulhos e materiais de construção, mantendo sempre a calçada e arredores das residências limpos.

    Também é importante controlar o número de ratos existentes na área de sua propriedade: a diminuição do número de roedores irá evitar a aproximação de serpentes venenosas que deles se alimentam.

    13 casos com morte nos últimos quatro anos em SC

    A taxa de mortalidade por causa de animais peçonhentos em sua maioria é relativamente baixa. De acordo com os dados do Centro de Informações Toxicológicas de SC, nos últimos quatro anos foram registradas 13 mortes por acidentes desse tipo, a maioria causados por serpentes, com seis registros, seguido pelas ocorrências com himenópteros (abelhas, formigas e marimbondos), com três.

    Apesar de possuir menos casos fatais, a taxa de mortalidade desses animais é a mais elevada, com 56,82 falecimentos a cada 10 mil casos.

    A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) estima que 30% da população brasileira possua alergias. Para essas pessoas, insetos que injetam veneno, como vespas, abelhas e formigas, podem provocar reações graves como anafilaxia e podendo matar.

    O que fazer em caso de picada?

    A bióloga explica que o mais importante, em qualquer situação de picada de animais peçonhentos, é deslocar a vítima o mais rápido possível para o hospital, para que ela possa receber o soro adequado de acordo com o tipo de peçonha.

    Além disso, é indicado, se possível, levar o animal para identificação (morto ou vivo) ou então uma foto. Saiba quais são outras medidas a serem adotadas:

    - Lavar o local da picada apenas com água, sabão.

    - Manter o paciente deitado e o mais calmo possível, porque agitado o sangue circula mais rápido e o veneno também.

    - Manter o paciente hidratado, oferecendo apenas água.

    O CiaTox/SC mantém um serviço de plantão 24 horas, em que presta informações de primeiros socorros à população. A ligação deve ser feita pelo número telefone 0800-643-5252. O órgão também auxilia na identificação do animal por meio do envio de imagens. Confira mais cuidados:

    - Não faça sucção de veneno;

    - Não faça torniquete, garrote ou amarração do membro picado;

    - Não corte/perfure o local da picada.

    - Não coloque folhas, pó de café ou outros contaminantes sobre a picada.

    - Não ofereça bebidas alcoólicas à vítima.

    - Não dê qualquer medicamento à vítima.

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