O sofrimento mental entre adolescentes e jovens é um desafio que cresce no Brasil, mas a busca por ajuda nem sempre acontece na mesma velocidade. Para tentar aproximar esse público dos canais de apoio, a plataforma digital Pode Falar oferece escuta e acolhimento gratuito e anônimo para pessoas de 13 a 24 anos. A iniciativa, criada pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em parceria com o Ministério da Saúde, funciona como uma porta de entrada rápida para quem precisa de suporte emocional.

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FOTOS: Plataforma virtual monitora avanço de crises emocionais e oferece escuta anônima para jovens

Como funciona

O atendimento é totalmente virtual. Para iniciar o contato, o jovem deve acessar o site oficial (podefalar.org.br). Na página inicial, basta clicar no botão de atendimento para abrir a janela do chat, que também pode ser direcionada para o WhatsApp.

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O primeiro contato é feito com um robô (chatbot), que faz uma triagem inicial e oferece materiais de autocuidado e depoimentos. Caso o jovem sinta necessidade, o sistema encaminha a conversa para o atendimento humano.

Essa etapa é realizada por estudantes universitários e profissionais em formação das áreas de psicologia, medicina e educação, sempre com supervisão direta. O atendimento humano funciona de segunda a sábado, das 8h às 22h (horário de Brasília).

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Alcance do serviço

Criada em 2021, a plataforma completou cinco anos de funcionamento com mais de 44 mil adolescentes e jovens acolhidos. Atualmente, a estrutura mantida em parceria com o governo federal e universidades tem capacidade para realizar até 11 mil atendimentos por mês, o que representa uma média de 15 acolhimentos a cada hora.

O principal objetivo do formato digital é quebrar o receio inicial do jovem em procurar ajuda, garantindo o sigilo e a facilidade de acesso pelo celular ou computador.

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Desafio no SUS

Embora a demanda por cuidados psicológicos esteja em alta, dados oficiais mostram que os jovens ainda utilizam pouco os serviços tradicionais de saúde. Um relatório recente da Fiocruz apontou que apenas 11,3% dos atendimentos de jovens na Atenção Primária do SUS foram motivados por saúde mental, uma proporção bem menor do que a média da população geral, que é de 24,3%.

Por outro lado, o mesmo estudo alerta que as taxas de internação por crises graves de saúde mental são altas nessa faixa etária, especialmente entre os 20 e 29 anos. Isso indica que muitos jovens demoram a procurar ajuda, chegando ao sistema de saúde apenas quando o quadro já é considerado grave. Pesquisas do IBGE com estudantes também já alertavam para o avanço de sintomas de ansiedade e depressão na rotina escolar.

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Onde buscar ajuda

  • Plataforma Pode Falar: Atendimento para jovens de 13 a 24 anos diretamente pelo site podefalar.org.br (botão de chat na tela inicial).
  • Centro de Valorização da Vida (CVV): Atendimento geral de apoio emocional pelo telefone 188 (gratuito e 24 horas) ou pelo site cvv.org.br.
  • Rede Pública: Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nos municípios.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.