Rodrigo Pantaleão, advogado que ficou conhecido após concordar com a acusação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) contra o próprio cliente, já teria morrido há alguns dias, mas teve o corpo encontrado apenas nesta quinta-feira (25). Segundo o delegado Alex Bonfim, da Delegacia de Homicídios, há indícios de morte natural, mas outras possibilidades não são descartadas.
Continua depois da publicidade
A polícia aguarda o laudo necroscópico. Conforme a Polícia Militar, o corpo de Rodrigo foi achado após um cheiro forte vindo de um imóvel no Itacorubi. Não há indicativos de invasão na casa.
Veja fotos dos foragidos mais procurados em SC
Durante o atendimento à ocorrência foram encontrados dois cães de grande porte no imóvel. Os animais foram recolhidos pela Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea) da Prefeitura de Florianópolis.
Relembre o caso do advogado que concordou com condenação de cliente
Tudo começou no dia 12 de fevereiro, quando o suspeito foi preso pela Polícia Militar no bairro Sambaqui, em Florianópolis, portando 30 petecas de cocaína, além de uma munição. O homem teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e passou a ser defendido pela advogada Gabriela Serafin.
Continua depois da publicidade
No entanto, a Justiça expediu um mandado de prisão contra Gabriela pelo suposto crime de tráfico de drogas no dia 13 de abril, o que a fez abandonar o caso. A mulher, depois disso, passou a ser procurada e foi presa na última semana.
Com o suspeito sem advogado, Rodrigo Pantaleão passou a ser o advogado desse homem. No dia 28 de maio, durante uma audiência na 3ª Vara Criminal de Florianópolis, Rodrigo Pantaleão concordou com a acusação feita pelo Ministério Público contra o próprio cliente. A juíza Carolina Ranzolin, então, considerou o réu, de 36 anos, indefeso.
O réu responde por tráfico de drogas, resistência contra a polícia e porte de arma com numeração suprimida. Ele está preso em Florianópolis. Na ocasião da audiência, Pantaleão permaneceu no celular durante a fala do promotor Raul Rogério Rabello e voltou a olhar para a câmera quando a juíza o chamou para se manifestar e prestar as alegações finais do caso.
“A defesa corrobora com as afirmações exaladas pela promotoria de Justiça. Nada mais, excelência”, respondeu.
Continua depois da publicidade
Manifestação da OAB-SC
Na época, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Santa Catarina (OAB/SC) se manifestou, por meio de nota e ressaltou que enviou ofício à juíza responsável pelo processo, solicitando informações e documentos para compreender integralmente os fatos e avaliar eventual adoção de medidas previstas no Estatuto da Advocacia e da OAB.
Nesta quinta-feira, o órgão lamentou a morte e afirmou que o presidente da OAB/SC, Juliano Mandelli, acompanha as investigações sobre o caso. Segundo ele, “se houver qualquer indício de que o crime tenha relação com o exercício da advocacia, a OAB/SC tratará o caso com a seriedade que ele exige e cobrará a responsabilização dos envolvidos”.
— Recebemos essa notícia com profunda consternação. A OAB/SC acompanhará de perto as investigações para que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, especialmente no que diz respeito à eventual relação do crime com o exercício da advocacia e às prerrogativas profissionais — diz a nota.
A OAB também ressaltou que “a advocacia exerce uma função essencial para a Justiça, muitas vezes em situações de exposição que não são percebidas pela sociedade. Além disso, lembra que a OAB tem a missão de defender as prerrogativas da advocacia, a Constituição da República, o Estado Democrático de Direito, os direitos humanos e a justiça social”, e que espera “uma apuração célere, rigorosa e transparente. A Ordem não tolerará omissão nem demora neste caso, seja qual for o resultado da perícia”.
Continua depois da publicidade

















