Depois de mais uma enxurrada no município de Palhoça, com cerca de 150 milímetros de chuva contabilizados pelo executivo municipal durante a noite de terça-feira (24), o poder público tenta buscar soluções para conter novos alagamentos na cidade e minimizar os prejuízos materiais e, também, psicológicos na população, que vive com medo de um novo temporal. Em menos de três meses, esta foi a segunda vez que o município sofreu com os impactos das fortes chuvas.
Continua depois da publicidade
A Defesa Civil de Palhoça afirma que algumas medidas tem sido tomadas, como a limpeza de galerias e a construção de bueiros em uma tentativa de escoar a água. Pelo menos seis bairros foram atingidos pelas chuvas na terça-feira, com carros tendo dificuldade para passar pelas vias alagadas, e ruas tomadas pela lama. Pela manhã seguinte, relatos sobre o alto nível da água tomavam as conversas entre a população, amedrontada em reviver o medo com as chuvas.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Palhoça, Julio Marcelino, a Secretaria de Obras do municípios percorreu 600 metros nas galerias dentro dos operadores para entender se há algum problema no serviço de drenagem. Para ele, o problema é o grande volume de chuvas em pouco tempo.
— Hoje a gente tem um índice pluviométrico muito alto. Choveu e, hoje [quarta-feira (25)] o serviço da prefeitura hoje é fazer limpeza de bueiros e ruas, fazer a drenagem, nesse primeiro momento, até que a gente ache uma solução que seja plausível e não tenhamos mais esse tipo de problema — disse.
Veja fotos de como ficou Palhoça após a chuva de terça-feira
Continua depois da publicidade
Planejamento urbano
O conselheiro do conselho de arquitetura e urbanismo de Santa Catarina, Alexandre Gobbo Fernandes, no entanto, afirma que com um melhor planejamento das cidades, com telhados verdes e um asfalto capaz de absorver a água, por exemplo, o município conseguiria suportar um índice pluviométrico muito maior do que visto hoje.
— Se essas cidades fossem desenhadas para reter as águas em todos os seus estágios, assim como acontece em um bosque ou em uma floresta e manter essa água para promoção da vida, como para microclimas e biodiversidade, você poderia, com a mesma infraestrutura, com o mesmo dinheiro investido, aguentar extremos climáticos muito maiores, talvez três, quatro vezes mais chuva — afirmou.
Para ele, não há mais lógica no atual modelo da cidade e de outros municípios que também sofrem com as enxurradas, buscando “se livrar da água o mais rápido possível” quando a chuva acontece.
— A lógica de todas as tecnologias e soluções, começando do telhado, da calçada impermeável, até entrar no tubo de drenagem e no sistema pluvial, é se livrar da água no ponto mais alto para o ponto mais baixo em uma velocidade absurda. Isso não funciona em uma escala grande — ponderou.
Continua depois da publicidade
De acordo com Marcelino, da Defesa Civil municipal, o órgão de proteção à população tem trabalhado com áreas da engenharia para discutir “e achar soluções para que a população não sofra tanto com os eventos climáticos”. Na terça-feira, a Prefeitura afirmou que os alagamentos foram agravados pela maré cheia, que dificultou o escoamento da água.
Leia a nota na íntegra
“A Prefeitura de Palhoça informa que entre a noite da última terça-feira (24) e a madrugada desta quarta-feira (25) foi registrado um volume de chuvas de aproximadamente 150 milímetros. Esse grande volume em um espaço reduzido de tempo provocou impactos em praticamente todo o território do município. As regiões mais afetadas foram os bairros Bela Vista e Centro.
A equipe da Defesa Civil monitorou e acompanhou a situação durante toda a madrugada, prestando auxílio nas demandas que foram solicitadas. Não houve, durante o período de chuvas, registros de pessoas desabrigadas, apenas o atendimento isolado de uma senhora que necessitou de acolhimento emergencial.
Na manhã desta quarta-feira (25), as equipes da administração municipal estão efetuando os serviços de limpeza, desobstrução de bocas de lobo e retirada de entulhos na região central, área mais atingida pelas fortes chuvas. Assim que as atividades forem concluídas, as equipes se destinarão para outros bairros para atender as demandas das localidades. A equipe da Defesa Civil também já está realizando vistorias, especialmente nas casas localizadas em encostas, para verificar a segurança das moradias.
Continua depois da publicidade
É importante ressaltar que os alagamentos aconteceram principalmente em razão da maré cheia durante o período de chuva. Em municípios litorâneos, como é o caso de Palhoça, a maré cheia provoca a elevação do nível da água do mar, dificultando e até mesmo impossibilitando o escoamento da água.
Por fim, é válido destacar que como estratégia de prevenção a Prefeitura de Palhoça desenvolve o Programa de Prevenção de Enchentes que, além de ações pontuais de limpeza e desobstrução de rios, canais e valas, ainda tem como foco os trabalhos de drenagem, contenção de encostas e conscientização e educação ambiental”.













