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Álcool e direção: "São acidentes de trânsito totalmente evitáveis", afirma especialista

Coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), Erica Siu, afirma que alterações ocorrem no organismo independentemente da quantidade de bebida ingerida

31/08/2019 - 11h45 - Atualizada em: 31/08/2019 - 14h58

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Karollayne
Por Karollayne Rosa
Em fevereiro, acidente envolvendo Jaguar na BR-470, em Gaspar, deixou duas pessoas mortas. Motorista estava embrigado
Em fevereiro, acidente envolvendo Jaguar na BR-470, em Gaspar, deixou duas pessoas mortas. Motorista estava embrigado
(Foto: )

Santa Catarina é o Estado com o maior número de casos de flagrante de embriaguez ao volante no Brasil. Em 2019, o número de abordagens já passa de 6 mil. O número reflete o foco na fiscalização com o objetivo de evitar que acidentes sejam provocados por pessoas embriagadas. Seja pelo prejuízo financeiro ou pela via judicial, a legislação busca evitar que as pessoas assumam o risco de causar acidentes resultantes do impacto que o álcool tem no organismo.

A coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), Erica Siu, afirma que essas alterações acontecem independentemente da quantidade ingerida, seja em maior ou menor grau. Mesmo em doses relativamente pequenas, a ingestão de bebida alcoólica aumenta o risco de envolvimento em acidentes, de acordo com Erica.

— Vale alertar, principalmente as pessoas que acham que uma ou duas doses está tudo bem. Elas podem ter essa percepção totalmente equivocada. Até mesmo pelos efeitos iniciais do álcool de desinibição e prejuízo na tomada de decisões. A pessoa não está bem para dirigir, apesar de ter a impressão de que está — afirma.

Doutora em farmacologia e especialista em Dependência Química pela Universidade de São Paulo (USP), ela ressalta que o álcool é uma substância depressora do sistema nervoso central. Com o passar das doses, o nível de atividade no cérebro é diminuído, gerando lentidão na capacidade de juízo e na coordenação motora, conforme explica:

— É a diminuição dos reflexos e distorções, inclusive visuais. Na direção do veículo, são habilidades importantíssimas para manter a segurança. Outra coisa é o tempo de reação do motorista, que também aumenta. Então há uma diminuição da habilidade de dirigir e isso acontece não só com doses muito grandes. A partir de uma dose você já pode começar a ter uma alteração dos reflexos.

Além disso, segundo ela, o motorista também pode ficar desatento para outras medidas de segurança, como o uso do cinto e o excesso de velocidade, fatores relacionados à maior gravidade dos acidentes.

Erica reconhece que a reação varia entre as pessoas, já que o impacto do álcool no organismo depende das condições nas quais ele foi consumido. No entanto, adverte que, por se tratar de uma questão de saúde pública e segurança, é necessário estabelecer critérios.

— São acidentes de trânsito totalmente evitáveis. Não é uma coisa difícil de você pensar "poxa, eu não vou beber porque estou dirigindo e posso causar um acidente". De fato, tem uma diferença dos efeitos, mas quando se fala da vida de outras pessoas e até da sua própria, você precisa ser mais seguro, cauteloso — sugere.

Não é possível afirmar o tempo exato que o álcool leva para sair do corpo até o motorista estar completamente sóbrio para dirigir e soprar o bafômetro sem que haja alterações. Assim como os efeitos no corpo, depende de diferentes fatores, como alimentação e quantidade ingerida.

— Não dá para fazer um cálculo mais simples de quanto tempo devemos esperar para passarem os efeitos do álcool. Como varia muito, a recomendação com relação à direção de veículos automotores é clara: se beber, em qualquer quantidade, não dirija.

Conscientização e aplicação da lei

A diminuição dos índices de embriaguez no trânsito passa pela sensibilização principalmente dos motoristas que não veem problema em tomar uma ou duas doses no happy hour e dirigir, de acordo com Erica Siu.

— Não necessariamente são dependentes de álcool, pois isso corresponde a uma população minoritária, cerca de 5% da população brasileira. É um comportamento mais amplo, não é só de quem tem a dependência.

Em relação às políticas públicas, a coordenadora do Cisa defende que é preciso trabalhar em várias frentes. Desde a prevenção, com a conscientização sobre os riscos que ela se submete ao pegar o carro quando faz uso de álcool, até a fiscalização e responsabilização.

— A implementação, de fato, do que está escrito na lei. Se as pessoas acham que não vai ser fiscalizado, elas tendem a burlar a lei. Muitas pessoas não têm a percepção de que pode acontecer com elas e isso é perigoso — alerta.

Além da escolha de simplesmente não beber, há a variedade de transportes alternativos disponíveis atualmente. Para Erica, o transporte coletivo e por aplicativo, táxi e a escolha do "motorista da vez" em um grupo de amigos são boas alternativas para quem não quer deixar de beber ao sair de casa.

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