Dmitry Medvedev, ex-presidente russo e aliado de Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira (23) que os Estados Unidos (EUA) são inimigos da Rússia e que o governo Trump “entrou de vez no caminho da guerra” contra o país. As informações são do g1.

Continua depois da publicidade

Medvedev também é vice-presidente do Conselho de Segurança russo, e fez as afirmações após sanções econômicas do Tesouro americano contra as duas maiores empresas petrolíferas da Rússia. A punição veio após a “recusa do presidente Putin em encerrar essa guerra sem sentido”, segundo o governo americano.

O cancelamento de um novo encontro entre Trump e Putin para discutir o fim da guerra da Ucrânia precedeu as sanções econômicas. O conflito completará quatro anos em fevereiro.

Donald Trump está frustrado com Putin, uma vez que disse por muito tempo que poderia encerrar a guerra em um dia. No entanto, o republicano ainda não teve sucesso e enfrenta dificuldades de negociar com o líder russo.

Relembre ascensão de Donald Trump por fotos antigas

Mísseis utilizados pela Rússia podem atingir os EUA

Na quarta-feira (22), a Rússia realizou um grande exercício militar com uso de armas nuclerares. O governo russo disse à imprensa que foram lançados mísseis balísticos com capacidade de carregar ogivas nucleares a partir de bases terrestres, submarinos e aeronaves. Alguns dos mísseis utilizados têm alcance para atingir os EUA.

Continua depois da publicidade

Em julho, Medvedev já havia alertado que “cada novo ultimato de Trump é mais um passo em direção à guerra” contra os EUA. A afirmação veio após Trump ter dado um prazo de “de 10 a 12 dias” para a Rússia aceitar um cessar-fogo no conflito, sob ameaças de aplicar tarifas de 100% sobre o país. A trégua não foi aceita e as tarifas foram aplicadas.

Ainda, alguns dias depois, Medvedev também ameaçou os EUA com a “Mão Morta”, um sistema automático de disparo de mísseis nucleares desenvolvido na era soviética e considerada uma “arma apocalíptica”.

Sanções afetaram petrolíferas russas

As sanções econômicas impostas pelo governo dos EUA à Rússia nesta quarta-feira acabaram atingindo diretamente as petrolíferas russas Lukoil e Rosneft — as maiores do país.

Uma nota divulgada pelo Tesouro dos EUA diz que a medida inclui o bloqueio de bens e a proibição de transações das empresas e de suas subsidiárias. Essa foi a primeira rodada de sanções aplicada à Rússia devido à guerra contra a Ucrânia no segundo mandato de Donald Trump.

Continua depois da publicidade

O texto afirma ainda que “todos os bens e interesses em bens” relacionados às duas empresas e que estejam nos EUA ou sob posse ou controle de pessoas em território norte-americano “estão bloqueados e devem ser comunicados à OFAC [Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA]”.

“Diante da recusa do presidente Putin em encerrar essa guerra sem sentido, o Tesouro está sancionando as duas maiores empresas de petróleo da Rússia, que financiam a máquina de guerra do Kremlin”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, no comunicado. “Incentivamos nossos aliados a se unir a nós e a aderir a essas sanções”, continuou.

Até o momento, a única política de Trump em relação a guerra na Ucrânia havia sido medidas comerciais contra a Rússia. No início deste ano, o republicano aplicou tarifas adicionais de 25% sobre produtos da Índia em retaliação à compra de petróleo russo com desconto.

A União Europeia (UE) aprovou na quarta-feira o 19° pacote de sanções contra Moscou, que incluíram a proibição de importações de gás natural liquefeito russo. Na semana passada, o Reino Unido já havia sancionado as petrolíferas Lukoil e Rosneft.

Continua depois da publicidade

*Sob supervisão de Kássia Salles