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    Alunas protestam após escola proibir uso de shorts em Blumenau

    Na terça-feira (18), 26 alunas foram retiradas da sala de aula pois vestiam shorts acima do joelho

    19/02/2020 - 13h07

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    Lucas
    Por Lucas Paraizo
    Cartaz
    Cartazes espalhados pela escola Elza Pacheco nesta quarta-feira
    (Foto: )

    Alunas da escola de ensino médio Elza Pacheco, em Blumenau, protestaram nesta quarta-feira (19) de manhã após a diretoria da unidade repreender estudantes que vestiam shorts. A polêmica começou na terça-feira (18), quando 26 meninas foram retiradas da sala de aula e levadas até a diretoria por estarem vestindo shorts acima do joelho. A diretoria da escola afirmou que não se tratava de uma proibição, mas de uma "orientação" para evitar casos de assédio.

    O caso gerou indignação de alunos e pais, que reclamaram da atitude pois a escola não tem uma política de uniformes:

    — Eu estudo na escola há 4 anos e nunca vi alguém ser impedido de usar shorts. Afinal, o que consta como uniforme do colégio é a camiseta com logo, já que não há uniforme padrão pra parte de baixo. Hoje (quarta-feira, dia 19), muitas meninas foram de shorts, mas grande parte ficou com medo de represália, mesmo apoiando — disse a estudante Sophia Rosa, de 16 anos.

    Vestindo shorts como os que a diretoria repreendeu no dia anterior, as alunas aproveitaram o horário de intervalo para protestar com cartazes no pátio da escola. As faixas diziam "ensinem os homens a respeitar, não as mulheres a temer", entre outros protestos.

    As alunas citam, inclusive, leis que vetam às escolas públicas a obrigatoriedade do uniforme se este não é oferecido gratuitamente. A direção do colégio não quis dar entrevista sobre o assunto, mas emitiu uma nota à imprensa dizendo que trata-se apenas de uma recomendação alinhada na última assembleia com pais.

    O caso também chamou a atenção por ser na Elza Pacheco, uma escola reconhecida em Blumenau por práticas modernas. Poucos anos atrás, em 2017, o colégio ficou no centro de uma polêmica com a Câmara de Vereadores de Blumenau. Na época, um evento para os alunos teria uma roda de conversa sobre diversidade sexual, o que motivou reclamações de uma ala mais conservadora do legislativo blumenauense, que chegou a votar uma moção de repúdio à escola Elza Pacheco. Após a polêmica, o evento foi mantido.

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