A jornalista Ana Paula Araújo esteve em Joinville, na noite dessa sexta-feira (29), para falar de um assunto sério: a violência contra as mulheres. A apresentadora do telejornal “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, participou do Festival Literário de Santa Catarina e compartilhou relatos e experiências vividas durante a produção do livro “Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil”.
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Há 31 anos como jornalista na TV Globo, Ana Paula Araújo já precisou noticiar diversos casos de violência doméstica em todas as regiões do país. Ao longo dos anos, o tema passou a causar uma inquietação nela, o que a levou a investir em pesquisas.
— Foi um conjunto de coisas [que a fez olhar para o tema], por ser jornalista, por ser mulher e perceber como essa violência está no nosso dia a dia. E acho que, principalmente, por ser mãe. Quando eu comecei a pesquisar sobre esse assunto a minha filha tinha 10 anos de idade. É naquele momento que você começa a ficar com medo, quer prender a sua filha como se isso fosse a proteger de alguma coisa — conta Ana Paula Araújo em entrevista ao NSC Total.
Após quatro anos de pesquisas, muitas viagens pelo país e mais de 100 entrevistas, a jornalista publicou o seu primeiro livro: “Abuso: a Cultura do Estupro no Brasil”, em 2020. A obra mostra a crueldade de crimes que, muitas vezes, são cometidos dentro da própria casa das vítimas. Além dos principais afetados pelo assunto, o livro-reportagem conta relatos de familiares, criminosos, psiquiatras e outros especialistas no assunto.
— No primeiro livro eu demorei muito para conseguir assimilar certas histórias que envolviam crianças, porque o primeiro livro foi exclusivamente sobre violência sexual. E eu não queria falar sobre crianças, mas as estatísticas mostram que a grande maioria das vítimas é de crianças e adolescentes. Então, eu entrei nisso e vi ali histórias de crianças da idade da minha filha, crianças muito pequenas, até crianças menores. Isso realmente é muito chocante — diz.
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Aumento da violência doméstica
Durante o Festival Literário de Santa Catarina, Ana Paula Araújo expôs histórias tão chocantes quanto as encontradas em seu primeiro livro. Em palestra mediada pela delegada da DPCAMI de Joinville, Georgia Bastos, a jornalista falou sobre os relatos que encontrou durante a produção do seu segundo livro-reportagem: “Agressão: a escalada da violência doméstica no Brasil”.

Uma das personagens da obra era uma advogada renomada, que deixou sua profissão após sofrer violência dentro da própria casa. Após o primeiro empurrão sofrido pela profissional, ela tentou denunciar dentro do próprio trabalho do marido, que era um policial. Sem o acolhimento necessário, permaneceu no relacionamento e, então, as agressões foram escalonando.
— Ela foi dessensibilizando, a violência foi crescendo, ela já não enxergava como a violência absurda que era. Era uma advogada extremamente bem sucedida que abriu mão de uma carreira, de um salário alto, porque ela não aguentava conviver com aquele inferno que era feito da vida dela — contou Ana Paula Araújo.
A jornalista ainda detalhou que, em muitos casos, a violência acontece disfarçada de cuidado. Como “toques” com relação às escolhas das roupas, controle financeiro e, principalmente, ciúmes.
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— Vejo muitas vezes um julgamento em cima das vítimas de violência doméstica. Como se a culpa fosse delas — relata.
Ana Paula, porém, alerta que todos precisam ficar atentos a esses casos, que muitas vezes são invisíveis.
— Eu sou mulher, sou mãe e todas essas situações acabam me afetando também, como eu acho que afetam todas nós. Cada vez que vemos uma mulher sofrendo violência, isso espalha o medo entre todas nós. A gente sabe que nenhuma de nós está protegida e que não adianta as nossas atitudes. Acho que as mulheres já se protegem o tempo todo, e, na verdade, o que tem que mudar é o comportamento dos homens — afirma.
Para Ana Paula, um dos pontos que mais chamam atenção em suas pesquisas é como as mulheres não estão seguras nem dentro das próprias casas.
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— Eu tinha uma ideia de que mulheres mais dependentes financeiramente do marido ficassem mais em relacionamentos por causa disso. Isso de fato acontece, mas me surpreendi com muitas mulheres que são independentes financeiramente e que tem uma enorme dificuldade de sair de situações de violência. Têm vários fatores que aprisionam mulheres em relacionamentos violentos e abusivos — contou.
Ainda durante a palestra, Ana Paula Araújo contou que os casos de violência que conheceu traz os mais diversos sentimentos, como revolta e desamparo. Em seu livro, a jornalista afirma que nunca se pode comparar a ingenuidade da vítima com a crueldade de um agressor.

Quem é a apresentadora Ana Paula Araújo
Ana Paula Araújo é um dos principais nomes do jornalismo televisivo brasileiro e, atualmente, é apresentadora do “Bom Dia Brasil”, na TV Globo. Em algumas ocasiões, integra a bancada do Jornal Nacional ao lado de nomes como César Tralli, Heraldo Pereira e Hélter Duarte.
A jornalista destacou-se na cobertura de grandes acontecimentos nacionais e, paralelamente, consolidou-se também como autora de livros-reportagem voltados à violência contra a mulher. Em 2020, lançou “Abuso: a Cultura do Estupro no Brasil”, resultado de quatro anos de pesquisa e mais de cem entrevistas com vítimas, familiares, especialistas e até agressores.
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Em 2026, publicou “Agressão: a escalada da violência doméstica no Brasil”, dando continuidade à reflexão sobre violência de gênero e ampliando o debate sobre os mecanismos sociais e institucionais que perpetuam esse tipo de crime.
Ana Paula Araújo veio a Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, nessa sexta-feira (29). No entanto, revelou à reportagem que pretende voltar novamente para conhecer mais o município.







