Uma cachalote-anão, da espécie Kogia sima, com cerca de 2,4 metros de comprimento, encalhou viva na tarde de terça-feira (24), na praia de Morro dos Conventos, em Araranguá, no Sul de Santa Catarina. O animal chegou a ser atendido por equipes especializadas, mas não resistiu após uma tentativa de retorno ao mar.

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O cetáceo foi medicado, hidratado e estabilizado pela equipe técnica da Educamar, por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), mantido pela TGS. Durante o atendimento, também foram coletadas amostras para exames complementares.

Segundo a coordenadora do PMP-BP no Setor C, Suelen Santos, a equipe chegou a iniciar os procedimentos para o salvamento após os primeiros cuidados. No entanto, apesar dos esforços, o animal foi reintroduzido ao mar, voltou a encalhar e morreu pouco tempo depois, em razão do estado debilitado.

Conforme protocolo, será realizada necropsia para identificar as causas da morte.

Segundo caso em duas semanas

Este é o segundo encalhe de espécies do gênero Kogia registrado na região em um intervalo de duas semanas. No dia 8 de março, uma cachalote-pigmeu, da espécie Kogia breviceps, encalhou em Passo de Torres.

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Na ocasião, o animal não resistiu. Ele apresentava estado caquético, escoriações profundas na pele, presença de parasitas na região do pescoço e no estômago, além de processo inflamatório e congestão encefálica.

Em casos de animais marinhos encalhados entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba, a orientação é acionar a equipe da Educamar pelo telefone 0800 641 5665.

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos realizadas pela TGS na Bacia de Pelotas.

Espécie de águas profundas

Tanto a cachalote-anão quanto a cachalote-pigmeu são cetáceos de hábitos oceânicos, que vivem em águas profundas e raramente são avistados próximos da costa.

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Espécies de águas profundas, a cachalote-anão e a cachalote-pigmeu costumam viver longe da costa e são pouco avistadas (Foto: Sergio Martínez, Divulgação)

As duas espécies pertencem ao grupo dos odontocetos, o mesmo dos golfinhos. Entre as principais diferenças estão o tamanho e o formato da cabeça: a cachalote-pigmeu possui a cabeça mais quadrangular e as costas mais arqueadas.

Conforme o PMP-BP, o cachalote-anão pode atingir cerca de 2,7 metros de comprimento e pesar aproximadamente 250 quilos, enquanto a cachalote-pigmeu pode chegar a 4 metros e pesar até 400 quilos.

Ambas se alimentam de lulas, pequenos peixes e crustáceos e estão na lista de espécies ameaçadas de extinção. Como estratégia de defesa, podem liberar um líquido escuro pelo intestino para despistar predadores.