Para retratar os diferentes lados de uma única Ilha e celebrar os 353 anos de emancipação política de Florianópolis, nesta segunda-feira (23), a reportagem do NSC Total ouviu histórias de quatro moradores que representam as quatro grandes regiões da Capital catarinense, e como suas vidas refletem esses contrastes. Confira abaixo a primeira:
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Filho de Chico Peixeiro, é no boxe 27 do Mercado Público de Florianópolis, no centro da cidade, que Marcelo Jaques dá continuidade ao legado da família na Peixaria Marcelo do Chico. O comércio que começou na década de 1950 viu o local, um dos símbolos da Capital catarinense, passar por transformações e momentos marcantes, enquanto também evoluiu, ainda que mantendo as raízes manezinhas.
Junto com os irmãos, Marcelo assumiu há cerca de 30 anos o negócio no qual atuava desde cedo. Isso sem deixar de lado o nome e marca do pai, Chico, de quem também herdou o gosto por conversar e brincar com os clientes, além da paixão pelo Avaí, que chama com amor de “maior clube do Sul do país”.
— Meu pai teve nove filhos. Os seis filhos dele sempre trabalharam no Mercado Público. Mas naquela época que ele começou não tinha box, quem chegasse mais cedo, duas, três horas da manhã, pegava um número, com o fiscal, aí de manhã cedo comprava o peixe, podia vender durante o dia até o meio-dia — relembra.
Depois disso, vieram as primeiras reformas na estrutura até a separação das peixarias. Foi quando Seu Chico Peixeiro comprou um dos espaços, no negócio em que a família seguiu atuando.
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Como a cidade vira casa
Em décadas acumuladas de história, o Mercado Público se tornou mais do que o local de trabalho para Marcelo: o lugar passou a ser sua “casa”. Onde atende os clientes com dedicação, garante o sustento da família, e brinca em um dia de clássico entre Avaí e Figueirense.
— A gente costuma dizer que o Mercado para nós é a nossa casa, né? Só falta a cama e o fogão. Nós chegamos ali, cinco e meia, seis horas da manhã, e saímos às sete, oito horas da noite — detalha.
Além da história e tradição, o box 27 ainda se diferencia pela oferta de pescado, focado em peixes que estão ligados à cultura da própria cidade.
— Eu sou a verdadeira peixaria do manezinho. Eu só vendo o peixe do povão. Eu vendo a sardinha, eu vendo a corvina, eu vendo a anchova, eu vendo a tainha. A tainha muda a cara da cidade. A tainha é uma coisa que eu costumo dizer que é a “vedete” do Mercado Público — diz.
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A paixão pela Ilha
Por onde vai, Marcelo leva consigo o amor por Florianópolis, o sotaque tradicional e o jeito de ser que só quem é de Floripa conhece.
— Para mim eu tenho no sangue, eu tenho na veia dizer que eu sou de Florianópolis. A nossa cidade contagia a todos aqueles que vêm aqui, não só para passear, mas para morar. Eu sou apaixonado pela nossa Ilha. Onde eu vou nesse mundo, eu digo que eu sou da nossa Ilha da Magia — pontua.
Depois de morar por 47 anos na Costeira do Pirajubaé, bairro na área central da cidade, se mudou para a região do Aeroporto Hercílio Luz, próximo ao Estádio Dr. Aderbal Ramos da Silva, onde acompanha os jogos do Avaí. Mas a praia do Matadeiro, no Sul da Ilha, é o seu cantinho preferido por resguardar a cultura manezinha e as memórias da adolescência.
Florianópolis recebe a todos
Ao longo das últimas décadas, o comerciante viu a cidade se transformar, e vê de forma positiva a grande mistura de culturas e identidades que tem dado uma nova cara à cidade de Florianópolis. Miscelânia que se reflete na própria peixaria, que hoje já tem até clientes russos.
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— O futuro chegou e é isso mesmo. Não tem como tu ter uma cidade e ter só gente do local. Não tem. Vai vir gaúchos aqui, vai criar sua identidade, vai vir carioca, que vai criar sua identidade conosco também. Então eu vejo com bons olhos — finaliza.





