A polêmica decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que suspendeu a fabricação e a venda de detergentes e produtos da marca Ypê na semana passada deve ter um novo capítulo. A Anvisa deve se reunir para julgar nesta quarta-feira (13) um recurso apresentado pela empresa Química Amparo, fabricante da marca Ypê, contra a decisão que restringiu a produção e determinou o recolhimento de lotes de produtos da companhia. As informações são do portal g1.

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A reunião de julgamento do recurso deve ocorrer às 14h, na sede da Anvisa, em Brasília. A decisão será tomada pela Diretoria Colegiada da Anvisa e pode manter ou suspender a resolução que determinou as proibições aos produtos da marca Ypê. No total, cinco pessoas integram o grupo e votam no julgamento do recurso da empresa.

A proibição de fabricação e venda de produtos como o detergente Ypê foi definido por uma resolução da Anvisa, publicada em 5 de maio. A medida afetou os lotes desses com numeração final 1 de três produtos: detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante.

Veja fotos sobre a polêmica da Ypê

O motivo da decisão foi um risco sanitário, com possibilidade de contaminação microbiológica, presença indesejada de bactérias que podem causar doenças. O risco é considerado maior em pessoas com imunidade comprometida ou em caso de contato do produto com mucosas e ferimentos, por exemplo.

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A conclusão foi tomada após inspeções da Anvisa em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo, cidade do interior paulista onde fica a fábrica da Química Amparo. A vistoria teria identificado descumprimentos de etapas de controle de qualidade.

Recurso da empresa fabricante do Ypê

A empresa apresentou recurso contra a decisão que proibiu a produção e as vendas dos produtos. Um efeito suspensivo da decisão de recolhimento de produtos até o julgamento do recurso, o que irá ocorrer nesta quarta-feira (13). Enquanto isso, a Anvisa manteve a recomendação aos consumidores para não utilizarem os produtos.

Nesta terça-feira (12), a Anvisa informou que a empresa Química Amparo teria intensificado o trabalho para cumprir 239 ações corretivas na fábrica em que são produzidos os itens que foram alvos da restrição.

O caso da proibição de produtos Ypê foi alvo de uma guerra de narrativas nas redes sociais depois que apoiadores da direita fizeram postagens acusando a Anvisa de suposta “perseguição política” à empresa Ypê, chegando a simular beber os produtos de limpeza. O motivo seria o fato de os donos da companhia terem feito doações à campanha eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida presidencial de 2022.

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Em nota ao NSC Total, a Anvisa afirmou que toda a avaliação de risco sanitário foi feita com base nas situações encontradas em vistorias da Anvisa, do Estado de São Paulo e do município de Amparo. A agência pontuou também que “a circulação de fake news prejudica o próprio consumidor, induzindo a erros e expondo a saúde dessas pessoas a riscos desnecessários”.