O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) atua há uma década no Litoral Norte de Santa Catarina. Nesses anos, atuou no resgate de diversas espécies marinhas, como golfinhos e baleias. Para além dos animais visto frequentemente, o projeto também identificou diversas aves raras e novas na região.
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Apesar de quase todas terem sido encontradas mortas, a aparição das aves levou à ampliação dos estudos no Estado. De acordo com o PMP-BS, o projeto assumiu um papel fundamental ao fornecer dados espaço-temporais consistentes, que subsidiam ações de conservação e ampliam o conhecimento sobre a ocorrência e distribuição das espécies.
Veja fotos das aves
— Esse trabalho não apenas fortalece a ciência e a gestão ambiental, mas também contribui para a compreensão mais profunda das dinâmicas ecológicas que sustentam a biodiversidade marinha e costeira — comenta a coordenadora local do PMP-BS/Univille, a bióloga Jenyffer Vierheller Vieira.
Quais aves foram registradas em 10 anos
Faigão-rola, encontrada em maio de 2016 na Praia Grande/Ervino, em São Francisco do Sul
Faigão-rola (Pachyptila desolata), uma ave oceânica que mede em torno de 28 centímetros, foi a primeira avistada na última década. O animal já foi encontrado em estado avançado de decomposição e sua conservação como espécie é pouco preocupante, segundo especialistas.
Uma curiosidade sobre a ave é o estilo de alimentação, chamado hidroplanagem. A ave pousa na superfície do oceano e usa os pés para se impulsionar rapidamente para frente com a cabeça parcial ou totalmente submersa, o que a possibilita filtras, com o bico, crustáceos para comer.
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Petrel-azul, encontrada em 28 de janeiro de 2018 na Praia Grande/Ervino, em São Francisco do Sul
Em 2018, aconteceu o primeiro registro de um Petrel-azul (Halobaena caerulea) em Santa Catarina. O animal foi encontrado ainda com vida, mas não resistiu a ferimentos.
A ave oceânica mede entre 26 a 32 centímetros e tem uma envergadura que pode chegar até 70 centímetros. O animal possui uma faixa terminal branca na cauda, um capuz preto e um bico relativamente fino. Suas partes superiores são cinza-azuladas, padrão “M” preto acima e estrutura robusta de causa curta.
Cagarra-de-cabo-verde, encontrada em 30 de maio de 2021 na Praia Grande/Ervino, em São Francisco do Sul
A cagarra-de-cabo-verde (Calonectris edwardsii) foi avistada no Estado catarinense pela primeira vez em 2021. O animal estava em avançado estágio de decomposição.
A espécie é considerada quase ameaçada e mede entre 42 e 47 centímetros. A sua reprodução se dá em colônias no arquipélago de Cabo Verde. A fêmea põe apenas um ovo, que é incubado de maio a julho. Os filhotes deixam o ninho de setembro a novembro.
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Trinta-réis-ártico, encontrada em 19 de outubro de 2021 na Vila da Glória, em São Francisco do Sul
A ave costeira trinta-réis-ártico (Sterna paradisaea) também foi localizada na região já morta e em estado avançado de decomposição.
Com comprimento de 33 a 39 centímetros, a espécie executa as migrações mais longas, desde o Ártico, passando pelo Atlântico Norte e Sul até a Antártica. Esse trajeto é feito duas vezes, na ida e na volta. Em seu voo migratório, cobre em torno de 40 mil quilômetros a cada ano. A migração do trinta-réis-ártico para a África do Sul inicia em abril.
Atobá mascarado, encontrada em 6 de janeiro de 2022 na Baía Babitonga, em São Francisco do Sul
Em 2022, um atobá-mascarado (Sula dactylatra) foi encontrado dentro de uma embarcação com uma fratura na ponta do bico. Apesar dos cuidados do PMP-BS, o animal não resistiu aos ferimentos.
O atobá-mascarado é uma ave de porte médio a grande, podendo chegar a 85 centímetros de comprimento. A ave oceânica se alimenta mergulhando na água em pleno voo, atingindo a água de cabeça e capturando presas a poucos centímetros da superfície. O animal ainda pode pousar na água, observando os peixes abaixo. Quando avista uma presa, levanta voo e mergulha para realizar a captura.
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Rabo-de-palha-de-cauda-vermelha, encontrada em 22 de agosto de 2025 na Barra do Saí, em Itapoá
O rabo-de-palha-de-cauda-vermelha (Phaethon rubricauda) foi avistado pela primeira vez em Santa Catarina em 2022. O animal, porém, já estava em avançado estado de decomposição.
De porte médio a grande, a ave oceânica pode chegar a 81 centímetros, com envergadura de 104 a 119 centímetros. A espécie se alimenta de peixes, principalmente os voadores, lulas e crustáceos. Quando está caçando e visualiza uma presa, paira rapidamente no ar com a cabeça e o bico virado para baixo. Então, faz uma rápida imersão de uma altura de 15 a 20 metros. Os peixes-voadores, por exemplo, são capturados no ar.
Petrel-mergulhador-comum, encontrada em em 26 de setembro de 2025 na Praia Grande, em São Francisco do Sul
Já o petrel-mergulhador-comum (Pelecanoides urinatrix) avistado em São Francisco do Sul, foi o primeiro do encontrado em todo o Brasil. O animal, no entanto, também estava em estado avançado de decomposição.
De porte pequeno, a ave oceânica tem pernas e os pés azuis e pode medir até 250 milímetros. A sua dieta é baseada em crustáceos, mas durante as noites chegam a se alimentar de plânctons. A alimentação é feita principalmente no oceano perto da costa.
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Como as espécies são identificadas
- Quando a ave está em avançado estágio de decomposição e não é possível a identificação por características morfológicas externas, o PMP-BS solicita a avaliação genética;
- Profissionais coletam amostras de pele e músculos para enviar ao Laboratório de Genética e Biologia Molecular (Unisinos);
- Com base no sequenciamento genético, utilizando BOLD Systems (Barcode of Life Data Systems), os pesquisadores conseguem identificar a espécie com mais exatidão;
- Dados para conservação: a identificação da espécie é um dado relevante para análise de variações espaço-temporais nos padrões de encalhe de aves marinhas.
A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.








