A aparição rara de um lobo-guará no Vale do Itajaí terminou com o animal morto atropelado na BR-470, na altura de Ilhota. Para pesquisadores, o episódio escancara um problema comum da rodovia federal: a ausência de passa-faunas e falhas nos existentes.

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O animal, que acabou esmagado por um veículo, foi encontrado na última quinta-feira (23) na altura do Km 20, a cerca de um quilômetro de distância de um passa-fauna. Na semana anterior, outro lobo-guará foi morto atropelado na BR-280, em Água Doce, no Oeste.

Biólogo, Jerriane Gomes explica que o lobo-guará é o maior canídeo da América do Sul e ocorre principalmente em áreas abertas do Cerrado e campos naturais. Em Santa Catarina, a presença é considerada rara e irregular, com registros esporádicos concentrados principalmente no Oeste e Serra.

Nas últimas décadas, registros pontuais têm surgido em diferentes regiões do Estado, indicando possível expansão ou maior detecção da espécie, mas ainda sem evidência de populações estáveis. Esses flagras geralmente envolvem indivíduos solitários, muitas vezes associados a paisagens alteradas.

As principais ameaças incluem perda de habitat e atropelamentos. Classificado como vulnerável na lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção, o lobo-guará está criticamente ameaçado na lista de Santa Catarina, em um grau maior que o nacional.

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O encontrado na BR-470 era um macho adulto, que foi enviado à coleção científica da Universidade Regional de Blumenau (Furb). Segundo Jerriane, a obra de duplicação da rodovia tem medidas de mitigação para os animais silvestres, como passa-fauna aéreo, mas mesmo trechos já concluídos ainda não receberam as estruturas. E, onde há, falhas consideráveis dificultam a efetividade das passagens, avaliou o ambientalista Lauro Bacca.

— Não é um caso isolado. Já temos registros de bugios-ruivos, que são espécie ameaçada, atropelados ao longo da BR-470. Esse atropelamento reforça um problema maior, que é tanto a ausência quanto a baixa efetividade das medidas previstas no licenciamento — analisa Jerriane.

Sem estruturas adequadas e bem implantadas, a rodovia passa a funcionar como uma barreira e como uma fonte direta de mortalidade da fauna, conclui.

Procurado, o DNIT, responsável pela BR-470, ainda não se manifestou sobre o assunto.