A denúncia do Ministério Público sobre os três criminosos envolvidos em um assalto em Ituporanga na semana passada trouxe à tona detalhes chocantes sobre o drama enfrentado pelas vítimas. Além de jogarem álcool no corpo de uma criança de apenas cinco anos para fazer o pai entregar o que eles queriam, os bandidos colocaram uma arma na cabeça do menino.

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Enquanto a dupla ameaçava a família, o responsável por planejar a ação monitorava o andamento do crime por videochamada.

O homem que arquitetou o crime estava em saída temporária do presídio, onde cumpre pena por matar duas pessoas. Ele recrutou um conhecido, também em saída temporária da cadeia, condenado por roubo. O terceiro envolvido é um adolescente, levado para um centro de internação provisória. Os dois maiores de idade vão responder pelos crimes de roubo majorado, tentativa de latrocínio e corrupção de menores. Somadas, as penas podem ultrapassar os 40 anos.

Cabe ao Poder Judiciário decidir, agora, se acata a denúncia. Todos os criminosos estão presos.

Fotos mostram como foi o assalto

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Uma cronologia de terror

Os crimes começaram na manhã do dia 22 de abril, quando a dupla invadiu a casa errada e fez uma mulher de refém. Enquanto procuravam o imóvel certo, encontraram uma jovem em outra residência e também a pegaram. As duas foram levadas até um terceiro imóvel. Esse, sim, era o alvo dos assaltantes desde o começo.

Lá estava outra família com a criança de cinco anos.

Os bandidos ameaçaram e agrediram as vítimas enquanto pediam por R$ 200 mil em dinheiro e cinco armas do dono do imóvel, que tem registro como CAC (Caçador, Atirador e Colecionador). O homem afirmava não ter o valor, entregou as armas, mais joias e relógios, mas isso não foi o bastante para os criminosos, que falavam com o mandante por vídeo, ligação e mensagens.

Eles fugiram e se esconderam da polícia por horas até invadirem outra casa e roubarem uma moto. Denúncias dos moradores ajudaram as autoridades a chegarem até eles ainda na data do crime e o trio foi preso. A investigação revelou que o mandante estava passando uns dias na casa do irmão, perto da propriedade das vítimas, e então soube das armas e da possibilidade de ter dinheiro no imóvel.

A partir daí, planejou o crime e recrutou os executores.

— Crimes bárbaros foram cometidos em Ituporanga, aterrorizando a cidade. Após o minucioso trabalho das polícias Civil e Militar, o Ministério Público de Santa Catarina ofereceu agora denúncia contra os autores do crime e canalizará todos os esforços para que os réus recebam uma pena à altura da gravidade dos crimes que cometeram — diz a promotora Laura Ayub Salvatori.

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