Um arsenal pesado foi encontrado em um bairro de classe média de Joinville durante uma investigação da Polícia Federal (PF) contra um esquema internacional de tráfico de drogas nos portos de Santa Catarina. O armamento tinha potencial de derrubar helicópteros, apontou o delegado do caso.

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A operação que desarticulou o grupo criminoso foi deflagrada na manhã desta terça-feira (19). Durante a ação, 18 mandados de prisão preventiva foram cumpridos e os bloqueios bancários chegaram a aproximadamente R$ 646 milhões.

Confira fotos da operação que prendeu arsenal

Armamento pesado em bairro de Joinville

Na maior cidade do Estado, a operação apreendeu um arsenal que era usado pelo grupo criminoso. Segundo o delegado da PF, Alessandro Netto Vieira, o armamento foi apreendido ainda em 2024, pois a investigação contra a organização criminosa acontecia desde 2023.

— Nós apreendemos 10 fuzis, várias pistolas de origem importada, duas granadas e uma metralhadora, uma arma de grande poder de destruição, capaz de abater até helicóptero — afirmou o delegado.

Drogas eram enviadas para Europa e África

A Operação Tirocinium teve como objetivo desarticular a organização criminosa que atuava no tráfico transnacional de drogas, especialmente cloridrato de cocaína, e lavagem de dinheiro. O esquema utilizava a logística dos portos de Navegantes, Itapoá e Imbituba para exportar grandes carregamentos de drogas com destino a outros continentes.

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A investigação revelou que mergulhadores profissionais eram contratados para esconder as drogas nos cascos dos navios. Além disso, os investigados inseriram os entorpecentes em meio a cargas lícitas, como paletes de madeira e sacos de alimentos.

De acordo com a PF, foram cumpridos mandados em Joinville, São Francisco do Sul, Araquari, Balneário Camboriú, Itajaí, Tijucas, Barra Velha, Garuva, Jaraguá do Sul e Imbituba, além das cidades de São José dos Pinhais, no Paraná, e Uberaba, em Minas Gerais.

Como começou a investigação

A operação é resultado de investigações iniciadas ainda em 2023, a partir de flagrantes frequentes realizados em áreas portuárias de Santa Catarina, que permitiram a identificação de uma estrutura criminosa altamente organizada e com atuação internacional, segundo a PF.

Ao longo das apurações, a Polícia Federal apreendeu cerca de 4,6 toneladas de cocaína, além de efetuar sete prisões em flagrante. 

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Arsenal de armas e empresas de fachada

A operação da PF também atinge o “núcleo financeiro” da organização criminosa, com o pedido de sequestro de 36 imóveis, apreensão de dezenas de veículos e bloqueio de contas bancárias de 35 investigados, com o valor total de aproximadamente R$ 646 milhões.

Ao longo da manhã desta terça-feira foram realizadas 18 prisões preventivas, 31 buscas e apreensões, além de quatro medidas cautelares.

Ainda conforme a PF, arsenal foi apreendido, composto por fuzis, pistolas, granadas, grande quantidade de munições e até uma metralhadora calibre .50.

Além disso, foi identificado um esquema de lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada, com pessoas e operações comerciais fictícias para reinserir no sistema financeiro valores do tráfico. Apenas nos últimos quatro anos, foram movimentados mais de meio bilhão de reais.

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“As medidas patrimoniais adotadas buscam interromper a capacidade operacional do grupo criminoso e impedir o financiamento de novas atividades ilícitas”, afirmou a equipe da PF.

Investigações contra o tráfico de drogas

Os presos desta manhã estão sendo encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça Federal em Itajaí. 

As investigações continuam com a análise do material apreendido com o objetivo de identificar outros envolvidos, aprofundar a extensão das atividades criminosas e consolidar as provas para a responsabilização penal dos investigados.

*Sob supervisão de Leandro Ferreira