Mais do que uma técnica, o bonsai é uma expressão artística milenar que transforma árvores em pequenas esculturas. Originária da China, a prática exige paciência, precisão e sensibilidade estética para reproduzir as formas da natureza em miniaturas. Foi nessa arte que o médico anestesiologista Tomio Tomita encontrou uma válvula de escape para conseguir enfrentar a rotina intensa.
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Tomio passou a se conectar com as plantas ainda na adolescência. O olhar para a natureza surgiu da conexão com a sua ancestralidade japonesa. Natural de Loanda, cidade situada no Noroeste do Paraná — a 570 km de Curitiba —, ele mudou-se para São Paulo aos 10 anos de idade. Na cidade, estudou para se tornar médico, mas também passou a investir em um novo hobbie (atividade de lazer).
A arte do bonsai
— Quando eu tinha lá meus 28 anos, eu comecei a brincar com plantas, em geral, e focar na arte do bonsai. Não tenho parentes que fazem bonsai, só tive influência de terceiros na arte, porque nós temos uma comunidade japonesa — conta.
Tomio relembra que muitos dos imigrantes que vieram do Japão, no início dos anos 1900, trouxeram a cultura do bonsai ao Brasil. A arte, porém, é milenar e teve início na China como forma de penjing, uma paisagem em um vaso.
— Com a influência japonesa, os japoneses observaram que, além de fazer isso como um landscape, [dava para] fazer uma árvore específica. Então, por isso nasceu a arte do Bonsai. Então, conceitualmente, a arte do Bonsai é plantar uma árvore em miniatura numa bandeja. É por conta disso que muitos falam que o Bonsai nasceu no Japão, mas ele tem uma origem mais antiga chinesa — afirma Tomio.
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No início da prática, o médico teve contato com diversos mestres na arte do bonsai, como o Osamu Hidaka, um nome influente no assunto no Brasil. Rapidamente, Tomio foi encantado pela atividade que o tornou um artista.
Válvula de escape
A escolha feita há décadas transformou a vida de Tomio. Ele conta que quando está com as suas plantas o mundo para, a ansiedade diminui e seu foco passa a ser totalmente o ser vivo à sua frente.

— Válvula de escape é uma coisa normal para todos. De alguma forma ou outra, o ser humano vai ter que procurar alguma atividade, um hobby, algo que arremeta a um prazer que não seja só o prazer do trabalho. O trabalho com o prazer é sensacional, com dinheiro melhor ainda, mas só isso muitas vezes não é o suficiente para te drenar aquela adrenalina, aquele estresse, aquela coisa do coração mais apertado — diz.
Tomio afirma que ter essa forma de escape e refúgio é “surreal”. Ele ainda revela que estar com as suas plantas, saber que estão saudáveis, é algo que drena todas as suas energias negativas.
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— Quando eu estou com as minhas plantinhas, eu esqueço de tudo isso. Como se tivesse zerando a minha cabeça. Meu HD vai zerar para eu encher depois no dia seguinte. Essa interação [com as plantas] é sensacional. Colocar a mão na terra é algo surreal — afirma.
Nipon Bonsai
Devido à sua paixão pelas plantas, Tomio fundou a Nipon Bonsai há cerca de 27 anos em Joinville, quando veio ao Norte catarinense por causa de uma proposta de trabalho. Localizada no bairro Anita Garibaldi, a loja comercializa plantas, insumos e produtos relacionados à arte do bonsai, alguns importados diretamente do Japão.

O local também tem um espaço reservado para tratar plantas doentes e recuperá-las quando possível, garantindo qualidade de vida, saúde e estética dos bonsais.
Tomio ministra cursos e aulas particulares para iniciantes na arte do bonsai, ou para quem quer conhecer mais sobre a parte técnica.
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— Até hoje a gente está trazendo nossos cursos, nossos eventos de workshop, reuniões semanais, que todo sábado a gente faz. Temos colegas que vêm aqui, sentam nessa mesa aqui para bater um papo e conversar sobre a arte do Bonsai. Meus ex-alunos também vêm aqui, trazem as suas plantas para discutir os trabalhos — conta.
Principais bonsais da loja
A loja possui um showroom com diversos bonsais à venda, mas os que mais chamam atenção são imensuráveis, já que foram tratados por muitos anos por Tomio.
O bonsai mais antigo tem 96 anos. A planta foi cultivada na China e chegou até Tomio cerca de 30 anos atrás. Desde então, ele cuida do bonsai como uma verdadeira preciosidade.
— Ela já tinha 60 anos quando chegou no Brasil. Dessa eu fiz várias outras menores — relembra.
Já uma jabuticabeira em miniatura também chama a atenção entre as belezas da loja. A planta existe há mais de 20 anos e segue saudável sob os cuidados do médico.
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Como cuidar de um bonsai
Tomio revela que cada espécie de bonsai necessita de um cuidado especial, mas, no geral, todas precisam de um pouco de sol, água e fertilização.
A frequência e a quantidade também é determinada com base na espécie. Durante o outono e inverno, por exemplo, as plantas podem exigir menos hidratação.
— O conhecimento da espécie é muito importante. E a interação com a sua planta é o melhor de todos os cuidados. É você saber qual a espécie, como ela está, olhar para ela uma vez por dia, e olhar assim: “Ah, ela está saudável, ela não está com as folha murchas…”. Você vai interagir. É como se fosse um animal de estimação — orienta.
Tomio ainda revela que o cuidado com os bonsais também é estético.
— Esses dois conjuntos [cuidados e estética] somados é que fazem o Bonsai — diz.
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