Enquanto as praias mais conhecidas de Florianópolis fervilham durante a alta temporada, o bairro de Santo Antônio de Lisboa propõe um ritmo diferente. Conhecido pelo pôr do sol que atrai milhares de turistas e a rota gastronômica, o local guarda, junto aos casarões coloniais e a rua de pedras, camadas da história que moldou a cultura da Ilha da Magia.
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Fundada no século XVIII como a Freguesia de Nossa Senhora das Necessidades, a região não surgiu apenas pelo encanto de sua paisagem. Ao contrário: ela fez parte de um plano geopolítico para garantir a posse do Sul do Brasil, que consistia na chegada massiva de famílias vindas dos Açores, um arquipélago de Portugal, a partir do ano de 1.748.
— O bairro segue o padrão imposto pela Coroa Portuguesa para uma vila que é uma praça, uma igreja e as casas ao redor. Por esse motivo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconheceu [o bairro] como uma freguesia digna de ser tombada como patrimônio histórico nacional — destaca o historiador Sérgio Ferreira, professor adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Em meio às disputas territoriais com a Espanha, o bairro de Santo Antônio de Lisboa se tornou um posto de vigilância e abastecimento, como explica o historiador Sérgio Ferreira. A ocupação estratégica em Florianópolis aconteceu por conta da Colônia do Sacramento que foi criada no Uruguai, aumentando o domínio português na região, e durou até o final do século XVIII.
Bairro se tornou atração turística da Capital
Caminhar por Santo Antônio é atravessar séculos de história do país. A Rua das Pedras, onde atualmente se concentram os feirantes durante o final de semana, foi uma homenagem à visita de Dom Pedro II, que completou 200 anos em 2025.
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Reconhecido como principal polo de maricultura do Brasil, o bairro é referência no cultivo de ostras e isso se tornou um ponto turístico à parte. Juntamente com a vizinha, Sambaqui, a região se consolidou como uma das rotas gastronômicas mais frequentadas da cidade. Santa Catarina produz mais de 90% das ostras do país e grande parte se concentra em Florianópolis, mais especificamente em Santo Antônio de Lisboa, de acordo com o Governo de Santa Catarina.
Atraindo turistas de diversas partes do mundo, o pôr do sol de Santo Antônio é o mais famoso da cidade. Ao final de cada tarde, a luz dourada ilumina os casarões antigos e a Baía Norte, criando um espetáculo visual. Mais do que um cartão postal, o entardecer é um motor econômico para os restaurantes nos decks.
— As pessoas chegam aqui há mais de 300 anos e todo mundo é bem recebido. Uma característica que o açoriano tem é a hospitalidade: tanto faz se a pessoa chegou há séculos ou se chegou ontem — afirma o historiador Sérgio Ferreira.
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